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“Numa Turma Onde 14 Não Respeitam, 12 São Esquecidos Porque Cumprem”

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O que vão ler foi publicado na rede social Facebook e que apesar de estar identificado irei omitir o nome da mãe/professora, pois o importante não é saber quem escreveu, mas sim o conteúdo. E o conteúdo aborda um ponto muito importante, a ansiedade dos encarregados de educação e o sofrimento de alunos bem comportados que estão em turmas complicadas. Infelizmente vivemos num mundo em que aqueles que se calam, que preferem ficar afastados para não “incomodar”, ficam invariavelmente prejudicados.

À autora, darei apenas este conselho de pai que por acaso também é professor. Não se cale!!! Proteste! Chateie! Vai ver que vão começar a ver o caso com outros olhos…


Caros colegas,
ponderei muitas vezes se deveria, ou não, escrever-vos pedindo conselho. É que hoje encontro-me aqui no papel de mãe. No papel de uma mãe, que por acaso é professora, e que educa os seus filhos na base do respeito e cooperação. E que orgulho que tenho nos meus filhos!
Sempre lhes pedi que fossem educados e respeitadores. SEREM pessoas boas antes de bons alunos. Chamem-me utópica, mas senti que este era o caminho certo…
Hoje, com um filho no sétimo, bom aluno, educado e cumpridor das regras estabelecidas pelo sistema, sinto uma revolta enorme por não ter sido pior mãe. Talvez assim ele passasse para a estupidez sempre que fosse gozado ou importunado.
Porque cumpre e respeita não precisa de atenção? Numa turma onde 14 não respeitam, 12 são esquecidos porque cumprem. 14 têm planos de recuperação e os outros têm planos de quê? Não faz sentido.
Confio num espaço um num conjunto de adultos que acredito que serão o exemplo para o meu filho e estes nem sabem que ele existe, que sofre de bullying e desvalorizam a dor dele. Pequena ou grande, é a dor de uma criança que confia. O diretor de turma diz que ele tem que se fazer homem e coloca os colegas a copiar as regras no intervalo, quase que me parece por medo. E eu pergunto-me, não saberão eles a regras? Claro que sim, mas escolherem desafia-las. Portanto, não me parece haver sentido na consequência.
Está tão impessoal e frio este sistema que já nem se tenta estabelecer relação/ cooperação escola-família. Seria tão bom que os pais das outras crianças ouvissem o que o meu coração chora.
Não conheço professores, nem colegas de turma, nunca achei relevante porque confio. Tenho como filtro alguém que não se quer envolver. E importar… quem se importa? Tal é a minha dor que sinto uma urgência em, também eu, partir para a estupidez, mas não sou eu, não é aquilo que acredito ou defendo. Pergunto-me, o seguro escolar cobre consultas no psicólogo?
O que fariam?
Desculpem, mas não consigo acreditar que nós não possamos fazer mais do que preencher imensos relatórios para intervenção. Como não levantar a cabeça e não ver que alguém, respeitador e cumpridor, sofre em silêncio? Será que é só porque não incomoda?
Desculpem…

11 COMMENTS

  1. Pois eu não acho que deva pedir desculpa! Sofro do mesmo mal: um filho preocupado, com um sentido de justiça que nem é próprio da sua idade e que também sofre por ver tanta coisa injusta e errada. Embora não tenha razão de queixa da Professora titular, outros há que deveriam considerar a profissão que exercem…mas o dia em que me sentir defraudada, não faço tensões de ficar calada. Afinal, não exijo dos outros, menos do que exijo dos meus!
    O grande mal da sociedade de hoje é o “lassais fair, lassais passé”. Não o faça!

  2. Não fique parada, não fique calada!!
    Tive problenas na escola da minha filha com um aluno problemático, falei a bem no sentido de a escola resolver a situação no espaço escola e talvez apoiar a família… em vão. Fui a uma esquadra próxima da minha escola falei com os agentes da escola segura e pedi apoio, sempre com sentido pedagógico, e o assunto resolveu-se.
    Não fique parada, não tenha vergonha, não fique calada. Para além de ajudar o seu filho, irá tb ajudar os filhos daqueles que não cumprem com o seu papel.

  3. Situação semelhante, que se arrastava desde o 5º (está no 7º).
    Os diretores de turma sempre impecáveis, e aperceberam-se, contudo, a nível de direção de agrupamento parece que a situação era abafada. Na primeira reunião de avaliação deste ano, aproveitei o facto de os pais do menino que recorria ao bullying, estarem a aguardar para falar com o diretor de turma para dizer tudo o que pensava sobre o porquê de uma criança praticar ato tão maldoso. A “carapuça” deve ter assente na perfeição àqueles pais, pois o comportamento do miúdo em questão melhorou a olhos vistos!

  4. “Numa Turma Onde 14 Não Respeitam, 12 São Esquecidos Porque Cumprem”
    Esta frase diz muito do que, desde há muito, se passa em muitas escolas e muitas salas de aula sendo que a proporção “dos esquecidos porque cumprem” aumentará e…nem tão pouco a avaliação do seu trabalho traduzirá essa diferença… pois que afinal… todos têm direito ao sucesso “adequado a cada um”… todos deverão progredir na escolaridade pois essa é, ao contrário do saber e da atitude, a medida do sucesso… pois que afinal, os parcos recursos humanos (professores, técnicos, auxiliares,…), técnicos (avaliações, reuniões, relatórios, planos, justificações, …) e temporais são esgotados exactamente por aqueles que quebram reiteradamente as regras, desafiam até ao limite, gozam com os que cumprem e sentem-se, impunemente, os maiores.

    Quiseram a “escola aberta à sociedade”… aí está ela: como no resto da sociedade o chico-esperto, o oportunista e o desonesto é premiado e quem se “lixa” é quem cumpre, quem quer aprender, quem é boa pessoa… a subversão do que deveria ser a escola é total! Um espaço que deveria ser de aprendizagem, de exigência, de valorização do respeito, esforço e dedicação…
    *Um miúdo “normal”, com um percurso escolar regular precisa, eventualmente, de algum apoio psicológico – paciência que estes já não têm mãos a medir com os incumpridores/ baldas / preguiçosos/delinquentes…
    *Um miúdo “normal”, com um percurso escolar regular precisa, eventualmente de algum apoio em CFQ – paciência que estes docentes já estão ocupados a dar apoios a quem continua a não pôr os pés nas aulas…
    * Um miúdo “normal”, com um percurso escolar regular precisa, eventualmente, de algum apoio a português – paciência que estes docentes estão ocupados com tutorias a grupos de desocupados que não querem trabalhar e nem material levam para as aulas…
    *Um miúdo “normal”, com um percurso regular precisa, eventualmente, de algum apoio com o seu DT – paciência que este já não têm mãos a medir com tanta papelada e burocracia (e todo o tempo que passar com o jovem não conta no seu horário de trabalho e se for necessário ainda lhe atiram à cara que não sabe ser eficiente no seu trabalho)…

    Para quem não cumpre e não quer cumprir… ai estão os recursos…que pouco irão alterar (mas os relatórios não dirão isso) mas no final, a criatura que não mudou, nem tão pouco nos comportamentos e atitudes (quanto mais no Saber), passará o ano e ainda goza com os outros e com o sistema… e, no ano seguinte repetirá exactamente os mesmos comportamentos mas “a lei cumpriu-se”: teve várias medidas aplicadas e tem o direito inato ao sucesso.
    Quanto aos outros, os que cumprem as regras, os que estudam, os que são assíduos, atentos e trabalhadores … paciência … como é trabalhador e estudioso até acabará, eventualmente, por superar… paciência… os pais ou o levam a consultas privadas ou o risco de rejeição à escola e de se tornar uma vítima aumenta… paciência … levou uns pontapés, coisas de crianças…

    Obviamente que é INTOLERÁVEL, ainda mais em ambiente escolar, a perseguição, a agressão verbal, a agressão física… a escola para além de serviço comunitário e uns dias de suspensão pouco mais pode fazer… organizar um processo de transferência de agrupamento são formalidades que exigem tempo e com muito pouca possibilidade de sucesso pois depende do ME … e agora os “meninos desajustados” podem e devem (é um direito que lhes assiste) ir para a escola perturbar até ao final do ano e até fazerem 18 anos…

    Lembro há uns anos, em que me foi atribuída uma DT de 8º ano (inicialmente – mas só inicialmente- desconhecida para mim), em que após inúmeras reuniões com CPCJ, psicólogos, ministério da educação, faculdade e conselhos de turma e perante uma turma de pré-delinquentes e cultura de gang” (onde quem era “normal” foi seriamente prejudicado e já vinha do ano anterior ao abrigo dum projecto da treta – “sucesso+” ou “+ sucesso”, qualquer coisa assim – em que “bastava estarem sentados para terem sucesso” ):
    – os elementos da escola (DT, Conselho de turma, direcção, psicóloga, gabinete do aluno e CPCJ estavam dum lado e o Ministério e faculdade de outro… tendo chegado ao ponto em que face às suas (do ministério e faculdade) sugestões (velhinhas mas que deveriam achar fantásticas) lhes tive que contra-argumentar: “mas querem ensinar-me o que faço há mais de 25 anos…? – No final e tendo percebido que a escola não poderia fazer mais nada e para segurança dos próprios jovens havia que separá-los e disseminá-los por escolas diferentes… Pediram-me mais uns relatórios e que enviasse para o ministério TUDO o que já havia sido feito e respectivas evidências (esta palavra é da moda actual)…. cópias… cópias… cópias… organização do processo e no ano seguinte: tudo na mesma como a lesma! Perdemos, conscientemente, as horas do projecto pois teríamos que passar uma determinada percentagem de alunos… Muitos nem o 9º ano fizeram e seguiram a vida que já era expectável.
    E viva o sucesso que já não é de hoje… hoje, a lei generalizou-o.

    Se nada é feito ou tentado e o DT não consegue que algo mude , solicite junto do DT reunião com a direcção… se nada resulta, faça queixa, por escrito, seguindo as vias formais e se possível contacte outros pais da turma (muito provavelmente com queixas similares) e actuem em conjunto… Se a situação é grave faça queixa na Polícia…

    Mas permita-me apenas um acrescento: … em muito disto a culpa passa pelos professores que acham fenomenal para os outros o que não quereriam para os seus; professores que aderem a tudo o que lhes impingem para não terem que se chatear; professores que “albardam o burro à vontade de dono” e sentem dever cumprido; professores que têm medo de discordar e, sendo mais fácil, “vão na onda; professores que exaustos/ com cada vez mais trabalho burocrático e menos tempo para a aula e alunos continuam a trabalhar horas e horas extraordinárias (que não lhes são pagas) para satisfazer as manigâncias do ME e IGE, ao invés de fazerem greve para que o ministério perceba que os profissionais para fazerem um bom trabalho precisam de condições e não de exaustão e falta de condições…
    Infelizmente, muitas pessoas, só compreendem quando lhes toca pessoalmente – o que não lhes retira legitimidade da queixa/ denúncia mas… não exigindo condições adequadas de trabalho nas escolas e tempo para o seu exercício precisam entender que a sua passividade propicia a mentira e o fingimento que grassa no país e nas escolas!

  5. A verdade é que nestas situações, e infelizmente sei do que falo, passei e contínuo a passar pelo mesmo, sofre a criança e sofre a mãe. Todos os dias deixa-lá na escola é uma angústia no peito, cada vez que o telefone toca estremeço. Conto os dias que faltam para terminar o ano. E espantem-se… a turma não tem propriamente alunos mal comportados, pelo contrário são de uma forma geral bons alunos, e até educados para com os adultos!! Mas isso não os impede de agredir verbalmente o meu educando, chamando-lhe nomes , dizendo que é uma m, não vales nada, etc omitindo informação sobre testes e trabalhos,excluindo-do das actividades, enviando mensagens, contudo, sendo dissimulados em frente aos professores de modo a não denegrirem a imagem de bons alunos que têm.
    E sim já falei com o DT, que refere que são bons alunos e que não vê nada de especial no comportamento dos fulaninhos. O meu educando não quer expor a situação pois sabe que se o fizer será muito pior para ele, será apontado no corredor pela turma e por outros fora da dela. E eu compreendo…. é ele que terá de enfrentar todos os dias a escola e a situação, e garanto que não é fácil. Os miúdos conseguem ser muito cruéis e conseguem espalhar boatos maldoso no ambiente escolar.
    O que fazer sem expor o meu educando a isso?? Acompanhamento psicológico particular, tentar aumentar a resiliência e…

    • É melhor ser um “tinhoso queixinhas” do que ser vítima de bullying e destruir. saúde física e mental por causa de uns sacaninhas que só podem ter sacanas como modelos de educação. É não parar, andar encima, denunciar sistematicamente, não largar o osso até que os responsáveis cumpram o dever que lhes compete, envolver o máximo de adultos possível. Não dar sossego aos bullys, o gaúdio deles é serem dissimulados e comerem as papas na cabeça ao maior número possível de pessoas, sentem-se mais espertos do que toda a gente. os donos do jogo. Os adultos não fazem nada para não se incomodarem, um professor que tome a iniciativa é “sui generis”. Os adultos identificam-se com os “fortes” covardes e não com os cumpridores “fracos”

  6. Pois eu sou professora, numa escola de um meio complicado. E nunca me canso de agir. E nunca me canso de dizer que nem que seja um único aluno a querer aprender, ele tem o direito de aprender. E já fiquei com apenas aluno em sala de aula, porque era o único capaz de ali estar.
    Recuso-me a pensar que os direitos de alguém que boicota um espaço de aprendizagem possam impedir os de algum outro que o deseja utilizar no seu exacto contexto.
    A escola é para todos. E isso significa que o é para qualquer um que, prioritariamente, deseja aprender e cumpre as regras do saber estar com os outros.
    Não é politicamente correcto?
    Como se usa agora dizer: Temos pena!

  7. A escola é onde sr aprende conteúdos, cultura. Ss regras básicas de educação são ensinadas em casa. Devemos privilegiar e incentivar os alunos que querem aprender em vez de perder tempo com os que nada querem fazer. Devemod premiar o que se esforçar e não gastar as nossas forças enquanto professores com os que apenas boicotam as aulas. Afinal andámos a estudar tantos anos para quê? No meu caso foram só 12 de ensino regular, mais 4 de licenciatura, mais 2 do ramo de formação educacional, fora as formações profissionais extra. Tenho dito!

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