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Num Sistema Semipresencial O 1º Ciclo Deve Ser Prioritário

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Julgo que será de senso comum a noção que no ensino obrigatório, os alunos do 1º ciclo são aqueles que mais dependentes estão dos seus professores e consequentemente mais prejudicados serão num contexto de ensino misto.

A prioridade para o próximo ano letivo será sempre o regresso ao ensino presencial, de forma transversal e equitativa, mas mesmo que a organização do próximo ano contemple um, dois ou três cenários, 2020/2021 continuará a ser um autêntico Kinder Surpresa com chocolate muito amargo.

Basta pensarmos nos alunos do 1º ano que ao chegarem às escolas não sabem ler, nem sabem escrever, para constatarmos o óbvio. Como é que se pode ser autónomo se nem se consegue ler o enunciado? Os professores do 1º ciclo costumam dizer que em média, um aluno do 1º ano, começa a ler e a escrever lá para a altura do natal, se o regime de ensino do próximo ano obrigar à criação de turnos e consequente redução de horas presenciais com o respetivo professor, o atraso no seu desenvolvimento será significativo.

Algo que nos restantes anos, apesar de também serem prejudicados, não sentirão tanto, pois já estão dotados dos mínimos para ler e escrever, devendo até ser estimulados para serem mais autónomos. Defendo mesmo, que a partir do 3º ciclo, deveria ser proibido qualquer tipo de ajuda por parte dos encarregados de educação, forçando assim os alunos a desenrascarem-se, pesquisando, estudando, respondendo de forma genuína para que os seus professores saibam o verdadeiro potencial/dificuldades dos seus alunos, ajustando estratégias futuras de aprendizagem.

A manutenção do ensino à distância ou em modo “B-Learning” cria outro problema no 1º ciclo, a falta de disponibilidade dos pais por motivos laborais. Se o plano B for uma realidade, o Governo terá obrigatoriamente de apoiar financeiramente os pais para que estes possam aprofundar a parceria educativa com a escola e que tão bem desempenharam ao longo deste 3º período.

Em breve iremos ter novidades sobre a organização do próximo ano letivo. Ao olhar para as estrelas vejo que virá contemplado algo que dê prioridade ao ensino presencial, atirando para as escolas toda a organização no caso da implementação do “B-Learning”. Acredito também que podemos ter um ensino com realidades diferentes a nível geográfico, presencial nos concelhos com casos muito reduzidos de covid-19 e misto/à distância nos concelhos mais problemáticos. Algo que seguramente será  muito polémico…

Mas dentro da liberdade e autonomia que seguramente será atribuída às escolas, devem estas ter presente a dependência dos mais novos. Se as infraestruturas não permitirem manter todos os alunos ao mesmo tempo em regime presencial, e se necessário for enviar alguém para casa, que os mais pequeninos possam passar mais horas na escola, salvaguardando sempre a segurança sanitária de todos os envolvidos.

Como se costuma dizer, o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita, e o 1º ciclo é o pilar de todo o ensino obrigatório, direi mesmo, o mais importante de todos os ciclos.

Em caso de sacrifício, protejamos os mais novos, algo que até está nos nossos genes…

Alexandre Henriques

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