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Novas Regras Nos Exames Favorecem Escolas Que Inflacionam Notas

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Com o ensino à distância alargado, pelo menos, ao arranque do terceiro período de aulas, o governo anunciou novas datas para os exames nacionais do ensino secundário. Mas também mudanças na forma de calcular o peso dos exames nas médias internas de final de ano. Um assunto que está a gerar controvérsia e que professores, alunos e pais consideram ser um passo em direção à falta de equidade no acesso ao ensino superior.

Se antes os alunos podiam candidatar-se a um exame de uma disciplina da qual já tinham conseguido transitar de ano para aumentar o seu valor final, isso já não será possível neste ano. A nota dos exames em nada poderá alterar a interna, com importante peso na candidatura ao ensino superior. E a medida poderá mesmo beneficiar os alunos que frequentam escolas que inflacionam as classificações internas.

“É lícito concluir que os alunos das escolas que inflacionarem as notas, quer nas escolas que o fazem por hábito quer em qualquer escola que o venha a fazer, sairão beneficiados relativamente aos restantes no concurso para acesso ao ensino superior”, diz o presidente do Conselho das Escolas, órgão consultivo do Ministério da Educação, em declarações ao DN.

José Eduardo Lemos aponta que, por isso, “ao contrário daquilo que foi afirmado” pelo governo, há alterações na forma como os estudantes acedem neste ano ao ensino superior. “Estas novas medidas constituem-se como uma alteração das regras de acesso ao ensino superior, uma vez que a classificação média com que cada aluno concluirá o ensino secundário [e que é considerada, no mínimo, em 50% no aceso ao ensino superior] será diferente da que seria obtida se as regras se mantivessem como até ao ano passado”, remata.

Também segundo a presidente da Associação Nacional de Professores, Paula Figueiras Carqueja, “nenhum aluno deveria estar impedido de realizar uma prova que lhe possibilite obter a almejada melhoria de nota”. Principalmente depois de afirmado “que todas as regras previamente definidas para o acesso ao ensino superior não deviam ser alteradas”.

Alunos e professores querem levar o debate ao Parlamento

O atual cenário já motivou a criação de uma petição, assinada por mais de oito mil pessoas (até à data da publicação deste artigo), “contra a eliminação da melhoria da classificação final da disciplina por exame”.

“A alteração homologada relativamente a este ponto em específico constitui um atentado ao trabalho, dinheiro e esforço investido por milhares de alunos portugueses no seu futuro”, pode ler-se no documento, endereçado à Assembleia da República, ao Ministério da Educação, à Direção-Geral da Educação e ao Júri Nacional de Exames. Os alunos pedem uma “revisão das medidas aprovadas em Conselho de Ministros de 9 de abril de 2020”.

Um pedido reforçado pela Associação Nacional de Professores. “Também nós solicitámos ao governo que reconsidere as medidas apresentadas e que pretende implementar”, escreve ao DN a presidente deste organismo.

O DN já questionou o Ministério da Educação sobre a possibilidade de vir alterar as regras, mas sem sucesso.

Fonte: DN

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