Home Notícias Nova lei da Educação Especial? Professores não estão preparados.

Nova lei da Educação Especial? Professores não estão preparados.

7069
4

O Decreto-Lei 54.º muda radicalmente a Educação Especial em Portugal, desde a forma como se encara os alunos com necessidades educativas especiais, à nomenclatura e às equipas multidisciplinares. É evidente que um decreto que sai em julho com mudanças tão profundas, não pode estar em pleno funcionamento a 1 de setembro.

É preciso dar tempo e como sempre as escolas vão conseguir adaptar-se a mais esta mudança. Se fazia sentido adiar a integração deste Decreto? Talvez… Mas também é verdade que nós nem sabemos se os autores dos gémeos 54.º e 55.º estarão por cá depois das Legislativas…

Bem vindos à Escola Portuguesa!

David Rodrigues garante que a Pró-Inclusão, a Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, tem recebido muitos contactos de professores preocupados com a nova lei.

“Temos recebido muitas solicitações, tanto de professores, como dos agrupamentos, que procuram obter esclarecimentos connosco, porque estão um pouco angustiados. Perguntam-se como é que nós vamos pôr isto
em prática de um momento para o outro? Como é que soubemos desta lei no dia 6 de julho e já temos que a ter plenamente em funcionamento em setembro.”

Não têm, responde David Rodrigues: “A lei saiu um pouco tarde para poder estar em funcionamento imediatamente neste ano letivo. Mas, mesmo que estivesse, há um conjunto de interesses tão complexo dentro da escola que nós teríamos sempre que pensar que esta lei deveria ter uma aplicação faseada.”

E no fundo é isso que vai acontecer. Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, diz que lá para o final do ano letivo, início do próximo, já tudo deverá estar a funcionar em pleno.

“Nós não temos a perspetiva de que tudo muda de um dia para o outro. Temos a perspetiva que andar se aprende andando. Vamos tentar aplicar a lei aos poucos, cumprindo o seu espírito e tentando que os alunos tenham uma presença na escola cada vez mais inclusiva”, sublinha.

No essencial, a lei sugere que os alunos com necessidades educativas especiais passem mais tempo na turma e propõe que cada escola tenha uma equipa multidisciplinar – que pode integrar médicos e psicólogos – e um centro de apoio à aprendizagem.

Fonte: TSF

4 COMMENTS

  1. Que tal escutar os pais desta vez: Como está, para já, a ser a experiência dos seus filhos?
    Como mãe de um um filho com T21, que já não está na escola, tenho a certeza que se ele ainda estivesse e tivesse de estar com todos os colegas a ter Inglês, Filosofia ou outras, estaria imensamente infeliz e faria birras diária cá em casa … O meu Zé é diferente, … o Zé deve ser tratado de um modo diferente mas também igual, …, de forma equilibrada …
    Como mãe e professora também, temo que a inclusão que se pretende e tanto se apregoa venha a evidenciar mais a diferença que na realidade existe – isso será péssimo para os nossos filhos/alunos.

  2. Inclusão? Qual inclusão? Integrar os alunos em turmas onde se aprendem conteúdos disciplinares é seviciar estes alunos com aulas que lhes são inacessíveis e obrigá-los a permanecer num ambiente desestimulante.Estes alunos precisam de ter um ensino especial, adaptado às suas necessidades. O meu jovem, com autismo ligeiro, precisa de quem o ensine, por exemplo a preparar uma refeição, a comer com uma colher e a ir às compras para adquirir alguma autonomia. Para quê estar 90 minutos numa aula de Filosofia ou História?
    Está é uma medida economicista que vai diminuir os gastos com a educação especial, colocando todos os alunos no mesmo “saco”.Assim não se respeita a diferença….

  3. Não vale a pena perdermos tempo com as questões de princípio (infelizmente só os pais das crianças e as pessoas que efetivamente trabalham no campo se preocupam com elas). O nome Inclusivo é apenas para enganar os incautos. Este é mais um decreto que bem espremido serviu essencialmente para diminuir substancialmente o número de turmas reduzidas e, com isso, o número de horários. As escolas não têm recursos humanos para formar equipas multidisplinares como se prevê no decreto. Lá vai prata da casa trabalhar pro bono e sem rede até mudarem tudo outra vez.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here