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Nova Escala Ao Abrigo Da Flexibilização Curricular: 3 a 5 no E. Básico e 10 a 20 no E. Secundário

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O principal argumento do modelo inclusivo na educação é evitar a rotulação dos jovens. Sendo consensual este argumento, torna-se paradoxal que o decreto 54 venha impôr rótulos subrepticiamente: por exemplo, as escolas estão instruir os profs a colocar nos testes de avaliação escritos para os alunos diagnosticados, notas indicativas das adaptações de avaliação colocadas; ou a leitura de enunciados ser feita para uns e não para outros, estando na mesma sala a realizar a tarefa; ou uns poderem realizar consulta estando na mesma sala com outros que não podem realizar; ou seja, aplicar as chamadas adaptações à avaliação e acomodações na turma, perfeitamente visíveis para todos. (e acrescentem-se as orientações emanadas dos CP, condicionadas pelo despacho da avaliação, a ‘recomendar’ que no 1ºP a atribuição do nível 2 seja muito excepcional, como se fosse um prazer orgásmico docente atribuir nível 2…). Não se queria rotulação mas faz-se rotulação mais à descarada…


(P.S.- findo o 1ºP, podem-se extrair 2 conclusões sobre os efeitos dos decretos 54 e 55: – a retenção foi extinta de facto – as escalas de classificação foram implicitamente alteradas: no ensino básico é de 3 a 5, e no ensino secundário é de 10 a 20, com o mínimo de 7, no casos excecionais.)

Mário Silva


Permita-me o Mário acrescentar algo à sua reflexão, pois também eu tenho ficado um pouco preocupado pela forma como alguns professores/diretores estão a encarar a flexibilização curricular.

Se é verdade que a flexibilização abre inúmeras possibilidades à forma de avaliar e lecionar, também é verdade que esta autonomia não pode, não deve ser sinónimo do vale tudo. Se assim for, aquilo que pode ser uma boa ideia, apesar da burocracia desnecessária que lhe advém, tornará aquilo que considero uma evolução necessária ao ensino, numa certificação incompetente dos nossos alunos.

Cabe aos professores lutar pelos seus alunos, defendendo uma aprendizagem/avaliação de qualidade e não de folclore…

Alexandre Henriques

14 COMMENTS

  1. Já vai tarde, Alexandre Henriques, o comboio está em marcha, e os resultados não vão ser bonitos…
    Uma desgraça para a Escola Pública, para os alunos, para os pais, para os professores…

  2. … vai também criar uma desgualadde enorme entre escolas, nas próprias turmas…
    Um aluno ”baldas” vai poder ter todas as facilidades e ser premiado com várias benesses. Uma vergonha!

  3. Se o aluno tiver uma nota negativa no fim do periodo, irá ter negativa.
    Se a Direção da Escola quiser dar positiva está à vontade, mas tem de assumir e ficar isso mesmo registado.
    Estou-me a [email protected]@gaaa r para os 54 e 55 da vida.

  4. … Nunca pensei , jamais, pensei colocar os meus filhos num colégio privado, eu que frequentei colégios privados, mas, como isto vai ficando, para o ano , provavelmente, vão lá parar… E pelo que vou ouvindo dos colegas não sou o único a pensar assim… O problema é o vil metal…

  5. Basicamente a mensagem é: não se esforcem, passam sempre. E para os docentes: para quê se esforçarem em ensinar, os alunos passarão sempre. E para os bons alunos: repara, o esforço não vale a pena, não é reconhecido o mérito. Uma tristeza!

  6. A flexibilização podia ser interessante se permitisse excluir da sala de aula normal os alunos que não querem aprender. Em vez dos obrigar a frequentar aulas até aos 18 anos, estes frequentariam o mundo do trabalho real uns dias e escola noutros de acordo com o seu perfil. Não era necessário reprovações mas um sistema de créditos que demonstravam o que cada um aprendeu. A premissa mais importante seria só poderem opinar ou legislar nesta matéria pessoas com um mínimo de 4 anos de ensino nos últimos 6 com turmas complicadas.

  7. Mais uma palhaçada feita por incompetentes para incompetentes. Gerar, intencionalmente, a confusão sem respeito por alunos e professores pondo em causa tudo o que de muito positivo foi construído ao longo de muitos anos! Querem acabar com as retenções? – Acabem com as avaliações, porra! Não usem e abusem destas estratégias obscuras e de seriedade e competência duvidosas!

  8. Muita gente defende a autonomia das escolas, mas quando aparece um decreto como o 55 que permite dar alguma autonomia (até 25%) toda gente reclama por tudo. Aulas, currículo, avaliação, alunos etc… As escolas têm a possibilidade de fazer o seu caminho com mais autonomia e quem define o caminho serão os professores e os diretores das escolas e não o decreto. O decreto permite ficar tudo na mesma. A única coisa que diz o 55 sobre a avaliação é não é grande novidade é que os alunos só excepcionalmente ficarão retidos nos anos não terminais de ciclo. Mas mais uma vez são os professores a decidir….

  9. Com a verdadeira balburdia que a nova legislação está a gerar nas escolas, há documentos aprovados em CP que nem sequer respeitam o que está na Lei, eu gostava de saber , neste momento, quantos professores são a favor desta bela iniciativa… Então nas escolas lideradas por adeptos das cadeiras com rodinhas os professores vão ser verdadeiramente ”chacinados” pela pressão do sucesso modernaço…
    Serão verdadeiramente tolos os professores que fizerem braços de ferro por causa das retenções… É tudo a andar , ano após ano, um relatório bacoco a dizer que as medidas foram a poção mágica que faltava e, daqui a a algum tempo , faremos todas as contas, os que souberem, claro…
    Tudo isto está a gerar um enorme mal estar dentro dos agrupamentos e nalguns pais que não são parvos e já perceberam o que se avizinha… Miúdos que trabalham como danados serão penalizados porque os calaceiros continuam a fazer ”népia ” : com rodinhas ou sem rodinhas, com projeto ou escola século 19). A escola terá de canalizar recursos para haver testes lidos, testes separados, testes com cruzinhas e resposta sussurrada, pedir pelas alminhas para que o imberbe faça alguma coisinha… É o achincalhamento de todo um sistema, dos professores que representarão um papel de meros entertainers e compiladores de medidas várias porque todos têm direito ao sucesso, mesmo que seja uma redonda mentira…
    São todos estes os sinais de uma sociedade decadente onde a verdade é substituída pela crença irracional, onde os esoterismos entram na escola como Ciência, onde o hedonismo e a infantilidade , de toda uma sociedade, não permite que a criancinha falhe, mesmo que ela falhe, que ela esmurre os joelhos, que entenda as angústias e o rosto não perene da Humanidade…

  10. basicamente: os bons alunos podem adormecer que terão sempre passagem garantida, o mérito e esforço não valem um chavo, não têm saída no mercado; os preguiçosos idem, serão premiados até que a assinatura passe a valer 50%… os fracos por uma razão ou outra, terão tudo facilitado. Aos professores: não se esforcem, os alunos passarão sempre! chamam a isto escola?!

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