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Por uma nova cultura de Convivência – Contribuí com a minha parte?

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Hoje o ComRegras dá as boas vindas a uma nova mediadora de conflitos, a Dr.ª Mónica Soares. Há muito que considero a mediação de conflitos uma carência em meio escolar e importa ouvir os especialistas sobre esta matéria de modo a refletirmos procedimentos e atitudes. A Dr.ª Mafalda Branco deu um contributo importante numa fase inicial a que agora se junta a Dr.ª Mónica Soares.

Fica um breve currículo e o seu primeiro artigo.

Sê bem-vinda Mónica 😉

Licenciada e mestre em Psicologia pela Universidade do Porto. É também doutoranda em psicologia e membro efetivo da Ordem dos Psicólogos. Pós-graduada em Psicologia nos Centros de Saúde e em Mediação de Conflitos em Contextos Escolar. Possui também cursos de especialização em perturbações do comportamento alimentar e em mediação familiar.
Atua desde 2006 em contexto escolar. É coordenadora e mentora do projeto de mediação escolar “Mediação de Conflitos – Capacitar para uma nova Cultura de Convivência” e Mediadora de Conflitos certificada pelos critérios do Qualifying Assessment Program do International Mediation Institute. Tem uma ampla experiência e formação nestas áreas, sendo também colaboradora como docente convidada em universidades públicas e privadas.Está inscrita na lista de Mediadores de Conflitos da Direção-Geral da Política de Justiça do Ministério da Justiça, sendo também supervisora de estágios de mediação. 
Enquanto formadora, também certificada pelo Conselho Científico Pedagógico da Formação Contínua e pela Direção Geral da Administração Escolar, tem lecionado diversas formações para Docentes e outros públicos-alvo no âmbito da Psicologia, das competências relacionais, de gestão e de mediação de conflitos.
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Por uma nova cultura de Convivência – Contribuí com a minha parte?

O ano letivo está oficialmente a terminar e apesar da vontade/necessidade imensa de cortar com a realidade e usufruir do (merecido) descanso, este também é um momento importante de reflexão e de balanço do ano que passou.

É inevitável não centrar este balanço no nosso papel de educador.

O que fiz para fomentar, promover e contribuir para a educação (informal) dos meus alunos? Como servi de exemplo? De modelo? Consegui atingir o que pretendia? Passei os valores e princípios que defendo nos relacionamentos interpessoais? Contribuí para uma nova cultura de convivência?

A minha experiência permite-me afirmar que uma das atitudes que faz a diferença na relação com os alunos passa pela competência da empatia. A empatia é a capacidade de se colocar na “pele” da outra pessoa, de entendê-la, de tentar compreender o que se passa na sua mente e identificar e compreender os seus sentimentos. A perspectiva da empatia deriva de um princípio fundamental nas relações interpessoais: “Todas as pessoas têm os seus motivos para agir“. Passa por tentar compreender como e porquê alguém se sente de determinada forma, mas não a partir da nossa própria perspetiva, mas tentando pensar como aquela pessoa, com as suas crenças e os seus valores, gerando a motivação e a mobilização para ouvir e ser ouvido. Só desta forma se criam e se expandem territórios de comunicação comuns, pois revelando a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, demonstrando que compreendemos a sua experiência subjetiva e proporcionando uma sensação tranquilizadora, também lhe revelamos envolvimento, conexão e preocupação.

Não teríamos todos uma atitude diferente com aquele aluno mal comportado (“sempre o mesmo”), aquele já ninguém suporta, se soubéssemos que horas antes de entrar na sala de aula ele tinha estado a assistir a mais um episódio de violência doméstica entre os pais?! E porquê? Porque quase que de forma inconsciente assumimos uma atitude empática. Conseguimos compreender o que estará a sentir e talvez até legitimar que assuma comportamentos de autoregulação que saiam da esfera do socialmente expectável. E essa atitude não irá reforçar os sentimentos negativos desse mesmo aluno, abrindo um espaço para o diálogo… Espaço esse fundamental para a resolução de problemas dentro e fora da sala de aula.

Para reflexão e quiçá como desafio para o próximo ano letivo, vamos fazer da atitude empática um mote para a nossa conduta enquanto agentes educativos. Vamos colocar esta competência presente nas nossas relações com os alunos e tornar estas relações mais positivas e respeitadoras, criando, assim, um espaço educativo que fomente hábitos saudáveis e cooperativos.

Este trabalho que implica naturalmente um investimento diário, passa também por uma perspetiva emocional, em detrimento de uma perspetiva meramente cognitiva, pois só assim é possível que os alunos efetivamente aprendam e estabeleçam outro tipo de relações mais sustentadas e transponham estas aprendizagens para outros contextos da vida deles.

Na próxima rubrica deixarei dicas concretas sobre este enorme desafio que é colocar a empatia em prática com os nossos alunos.

Para quem já pode, votos de boas férias recheadas de boas convivências!

Mónica Soares

1 COMMENT

  1. Quando em Portugal se começou a falar de mediação de conflitos e os primeiros cursos começaram a aparecer, tudo estava dirigido a profissionais ou especialistas principalmente das áreas do direito e da psicologia. Tentei inscrever-me, mas não foi possível. Sou uma ‘maníaca’ da relação educativa, onde o conflito, como em toda a interacção entre pessoas, assume um papel central. Fico pois muito feliz por se vir percebendo a importância do conhecimento teórico e instrumental para os educadores. Gostei.

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