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Notícias do dia sobre educação: o ano que arranca, connosco no meio e direito a lágrimas de crocodilo….

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Várias notícias do dia de hoje tiveram origem neste blogue.

E amanhã há mais ….

O estudo sobre as opiniões dos Diretores e Presidentes de Conselho Geral, realizado pelo Alexandre Henriques, teve, entre ontem e hoje, largo destaque em vários órgãos de comunicação social. O espaço de debate que abriu foi vasto, como se vê pelos comentários aqui no blogue e nas notícias. O Correio da Manhã destacou a municipalização. O Público também  e o Educare foi pelo mesmo ângulo, além de ter havido outras notícias sobre este tema.

Concursos de professores

Contíguo aos temas do estudo, o DN deu notícia da discussão sobre o modelo de seleção dos professores. O título era “Escolas vão insistir com ministro para voltarem a poder contratar.” Parece que alguns diretores ainda não se consideram suficientemente escaldados com os lindos resultados que deram anteriores tentativas de “escolher” ad libitum professores e querem tentar outra vez arranjar um sistema que lhes dê ensejos de “autonomia” de escolha e puseram a ideia nos jornais.

O título da notícia confunde e esclarece ao mesmo tempo: mas, para quem tal propõe, são as escolas que devem escolher ou os diretores é que vão personificar a escola e escolher eles?

A pergunta arranha só a superfície do problema mas imagina-se a confusão que aí vem, se os professores não acordarem do seu sono letárgico.

No fim-de-semana, Maria de Lurdes Rodrigues, por sua vez, acordou da letargia e voltou a falar de educação. Assombrou a escola de quadros do CDS/PP a falar de compromissos.

Parece que as suas ideias andam a reencarnar pelo Brasil. No senado federal brasileiro, aquela assembleia que um dos próprios membros comparou a um hospício e em que os membros nunca param quietos ou sentados, entrou uma proposta para introduzir prova prática para seleção de professores.

Curiosamente, a proposta brasileira também prevê incentivos a que os professores se mantenham na mesma escola. A ver vamos ….

O desvio pelo outro lado do Atlântico só serve para lembrar que estas coisas não tem só a ver cá com a paróquia mas fazem parte de conjunções mais largas.

O arranque do ano

Por esta margem do Oceano, o dia foi realmente fértil em notícias sobre educação, agora que se aproxima o retorno às aulas.

Além das habituais reportagens sobre material escolar, os jornais e televisões ainda falaram de outros assuntos. Na RTP, o drama dos professores deslocados ainda em destaque, com histórias que nos levam do Minho ao Alentejo.

Há pouco, às 20, o Público lançou a notícia que parece vai ser um dos destaques de amanhã da agenda sobre educação. Após uma reunião no ministério, a Fenprof acusa o Governo de de não dar resposta a problemas do calendário escolar e do 1.º ciclo.

Pelos lados de Cristas e Passos o comentário, ou há-de ser que Nogueira é fraco manipulador de marionettes ou alinham com o cómico Marques Mendes que dirá que é tudo encenado…

Reformas e burnout

Pela estação pública, espaço também para o número de professores por colocar e a proposta da FENPROF para facilitar a aposentação e a reforma.

No I online, Ana Petronilho destaca o estudo da Universidade Portucalense sobre o burnout dos docentes universitários (62% estão assim). O estudo, resultante de uma tese de mestrado, que o JN também destaca, abrangeu 131 docentes mas, pelo que já se viu no passado, no pré-escolar, básico e secundário, os números talvez sejam do mesmo tipo. E a vai piorar se não houver solução para facilitar a reforma dos mais velhos.

Parece não vir a propósito mas, falando de reformas fáceis, talvez mereça atenção o destaque de 1ª página do Correio da Manhã de hoje sobre as reformas políticas.

Quando há tantos professores com mais de 60 anos, a ponderar as penalizações absurdas que a reforma lhes pode trazer, é sempre consolador ver notícias de gente de reforma bem nutrida, com pouco trabalho e 45 ou 50 anos de idade. O regime que as permitiu já acabou mas, o facto de ter existido, devia causar alguma perplexidade moral a quem decidir atrasar a aposentação de quem trabalha.

Colégios, crucifixos e lágrimas de crocodilo

No Correio da Manhã (e noutros órgãos) ainda apareceram os colégios com contrato de associação a fazerem mais uma daquelas manobras de intoxicação informativa a que nos tem habituado, queixando-se de falta de validação de turmas.

São as de início de ciclo ou são das de continuidade? Não é muito claro mas acho que pelos lados da associação de escolas privadas, depois de o caos geral do sistema de ensino não ter surgido, a estratégia é aparecerem, para o assunto não cair no esquecimento, a que a pouca quantidade de afetados reais o condena.

Pela SIC, o tema também teve destaque e o título incluiu mesmo acusação pelos colégios de que o Governo os persegue.

A propósito da tomada de posse do novo presidente da Comissão de Liberdade Religiosa, Vera Jardim,  o DN deu destaque à sua entrevista com um título que tem a ver com escolas. Para o novo responsável do diálogo interreligioso com o Estado, a questão dos crucifixos, que ainda restem em escolas públicas, merece reflexão. Mas o título que o DN pôs em primeira página, a apelar à retirada, é mais jacobino que as respostas moderadas da entrevista.

Os temas da educação especial também tiveram atenção. Por exemplo, a questão dos apoios financeiros atrasados às escolas do ensino especial e o caso focado pela TVI dos problemas dos jovens que ao atingirem os 18 anos deixam de poder ser apoiados.

A questão dos atrasos de financiamento das escolas de educação especial teve atenção do Observador  com direito a citação de Queiroz e Melo que preside à associação do ensino privado.

Pela TVI, houve espaço para um tema com interesse para muitas famílias: a forma como são geridas as IPSS que detém jardins-de-infância e creches.

Em Braga, os responsáveis de uma estão a ser julgados por burla tributária, coação grave e participação económica em negócio. Ponta de um iceberg no uso por privados dos dinheiros públicos para ação social e apoio à infância? Quantos casos se detetariam se houvesse mesmo fiscalização intensa em todo o país?

Mas, de tudo o que li e vi hoje de notícias de educação destacaria com o prémio “lágrimas de crocodilo” o texto de Joaquim Azevedo, hoje publicado no Público, sobre as escolas públicas que rejeitam alunos.

À sua pergunta final do texto responderia, como já aqui foi feito  com a observação de que, quem defendeu os rankings, não se devia espantar.

E isto mesmo que saiba que, no seu discurso, Joaquim Azevedo há muito que refere o problema mas, ao mesmo tempo que defende os rankings (veja-se esta entrevista de 2012) sem perceber a contradição.

Espanto tenho eu, após anos a trabalhar numa escola TEIP, na vizinhança de escolas “escolhidas por famílias, que recusam as TEIP” que alguém que defende coisas como a liberdade irrestrita de escolha de escola só agora (logo agora) se tenha decidido dar tanto espaço central a tal fenómeno e venha chorar pelo caminho que ajudou a traçar.

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