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Notícias de Além Mar | A Criticada Construção da Base Nacional Curricular Comum no Brasil

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Base nacionalO Ministério da Educação (MEC), por força da Constituição Brasileira, da lei 9394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira = LDB) e do Plano Nacional de Educação (PNE) está em vias de estabelecer, de forma compartilhada, a partir de setembro último e em colaboração com os envolvidos na educação nacional, uma Base Nacional Curricular Comum (BNCC) a ser adotado em todo território nacional.

As instituições e veículos nacionais aos poucos começam a participar das discussões.

No último dia 29/11, o jornal Folha de São Paulo, veiculou uma notícia intitulada “Base Frágil” que repercutiu de forma positiva nos meios educacionais brasileiros, pois a sociedade brasileira participa dos projetos nacionais de forma tímida e reticente.

Como a educação no Brasil é descentralizada por força constitucional, alguns entes federativos já possuem uma base curricular sólida funcionando há pelo menos duas décadas. O MEC diz que fez uso deste conhecimento desenvolvido por esses estados.

A BNCC tem por objetivo estabelecer fundamentos sólidos e claros sobre o que os alunos devem aprender e as escolas ensinar. O documento já conta com 300 páginas, resultado da contribuição de 116 especialistas em educação com experiência completamente desconhecida do público (esta informação está estranhamente sendo mantida em sigilo). Às escolas foi reservado um período de 14 dias corridos (02 a 15 de dezembro) para a discussão, critica e sugestões ao BNCC, o que obviamente é muito pouco tempo. O Conselho Nacional de Educação (CNE) é o órgão que deverá dar a palavra final sobre o BNCC e deverá receber o documento em junho/2016.

Não está claro quem fará a revisão documental nem como será o processo. Se faz necessário fazer algo de efetivo para colocar a educação brasileira no rumo certo, pois os números das avaliações externas revelam a precariedade da formação de nossos jovens. A BNCC parece continuar mais no campo do problema que da solução, envolta numa névoa de superficialidade e ocultismo. Note a incoerência: o documento deveria estipular o que deve ser aprendido em cada etapa do processo, mas a proposta não chega a estipular quanto do ano letivo deve ser dedicado a cada meta – e eles somam centenas! Uma única citação de que 40% do tempo deve ser designado a questões regionais, o que soa um tanto quanto excessivo.base nacional comum

Embora as áreas de matemática e ciências tenham sofrido com a falta de pragmatismo, em linguagens e humanas o problema se revela muito mais sensível, devido a invasão ideológica mais ‘propícia’ nestas áreas. Houve uma excessiva valorização das questões africanas, latino-americanas e ameríndias na disciplina de história em detrimento do percurso clássico de inspiração europeia, da antiguidade até a modernidade. A temporalidade está sendo abandonada em favor da ótica dos ‘povos explorados’. Como entender a expansão marítima europeia sem estudar a evolução social do medieval ao renascimento com o domínio da tecnologia e das armas? E privar os jovens brasileiros do conhecimento do Iluminismo e da Revolução Francesa certamente não contribui com a compreensão dos valores da sociedade moderna, dos direitos humanos, liberdades civis e da democracia brasileira.

Na área de linguagens, há uma excessiva valorização de questões práticas (artísticos literária, investigativas e político-cidadãs) da língua em detrimento dos conteúdos ortográficos, gramáticos e vocabulário.

As mazelas da BNCC carecem de um espaço de debate aberto, com tempo adequado e com o concurso de especialistas educacionais reconhecidos e não com os ideólogos de plantão que não tem como meta melhorar a combalida qualidade da educação brasileira e sim atender a seus objetivos ideológicos de alienação das massas.

Joseval Estigaribia

http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2015/11/1712422-base-fragil.shtml

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