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Notícia do dia | Professores viajantes e estado da educação (o estado que se quer mostrar…)

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A notícia é capa no JN e reflete uma realidade que embora não seja a regra, é recorrente todos os anos. Os professores em Portugal são escravos do tempo de serviço, vão para todo o lado, pagando se for preciso para trabalhar. Isto existe! Isto é real! Nenhum trabalhador devia sujeitar-se a estas condições, mas qual é alternativa quando se tem crianças para alimentar, vestir e deitar. Seis, oito, dez horas, “papamos” tudo, na esperança que essas horas sejam suficientes para atingir a tão desejada estabilidade.

Por isso digo muitas vezes, os professores são homens e mulheres de máscaras, que todos os dias as colocam para que do outro lado crianças e adolescentes não sintam as amarguras de quem quer apenas ensinar.

Jn

Até quando?

Sobre o Estado da Educação, bem, são 385 páginas e sinceramente não tenho tempo para ler o documento. Sem dúvida que deve ser um documento útil, com muita informação importante, mas para mim continua a existir uma lacuna crassa neste tipo de documentos.

Onde estão os dados sobre a indisciplina em Portugal? Alguém viu? Alguém sabe? Não estou a falar das queixas da polícia, estou mesmo a falar do número de participações disciplinares, do número de alunos com participações disciplinares, número de medidas corretivas, número de medidas sancionatórios, percentagem de alunos alvo dessas medidas, relação com o rendimento per capita, etc, etc, etc…

Continuamos a falar sobre indisciplina na base das opiniões, sensações e experiências pessoais, mas números, factos, nem vê-los. Nos últimos 3 meses ando a tentar recolher esses dados, já enviei para todas as escolas a seguinte minuta.

Sabem quantos agrupamentos/escolas tiveram a amabilidade de preencher e devolver essa minuta? 15… Num universo superior a 800 agrupamentos/escolas. 15… É ridículo eu sei. Mais grave é que ao visitar dezenas de sites de escolas essa informação não consta, ou consta só uma parte. Escolas TEIP, escolas com contrato de autonomia, que fazem relatórios com “n” informação e dos quais constam sempre preocupações ao nível disciplinar, mas dados públicos rien.

Não terão os cidadãos deste país, o direito de conhecer a realidade disciplinar das escolas que são pagas por todos nós? Até quando vamos varrer a “porcaria” para debaixo do tapete, assobiando para o lado, fingindo que não se passa nada, fechando observatórios disciplinares, acabando com linhas de apoio a professores, até quando meus senhores, até quando??? Transparência é o que se quer, transparência é o que se exige!!!

O caminho faz-se caminhando e a tutela não quer seguir esse caminho, eu quero segui-lo, eu quero queimar as minhas “pestaninhas” para conhecer a realidade portuguesa, não quero mestrado, não quero doutoramento, não quero que me paguem, não quero nada disso.

Quero um país com menos disciplina e acredito que só com um diagnóstico concreto, é possível avaliar as estratégias que estão a ser implementadas e verificar se os índices de indisciplina em Portugal estão, ou não, a aumentar. Mas a viabilidade deste projeto precisa da colaboração das escolas, algo que até hoje não tem existido e que lamento profundamente.

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