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no princípio é o verbo

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verboDepois de uma pausa para restabelecer ideias e pensar no feito e no que falta fazer, pensar em corrigir coisas e em iniciar outras, algumas notas em termos de futuros.

Esta altura, a de mudança de ano, é pródiga em balanços e projeções, ilações e futuros. Do meu lado e pelo que me diz respeito, não faço advinhação nem antecipo perspetivas. Limito-me a equacionar os meus próprios cenários, a tentar perceber rumos. Também não tenho veleidades de acertar. Fica à consideração.

No que se refere à educação há duas linhas que antevejo ou antecipo e que serão presença ao longo de todo o ano de 2016.

Uma primeira marcada pela manutenção das linhas gerais de políticas, ainda que se reconfigurem discursos e uma ou outra opção mais grossa e eventualmente mais ideológica. Esta tem como suporte de análise o fim dos exames do 4º ano ou a interrupção anunciada das metas curriculares. Sustenta-se ainda no programa de governo onde, mais que grandes diferenças, há opções que se assumem de reposição do antes, mesmo antes de saber o que poderá ser ou existir como alternativa.

Uma segunda linha antevejo-a mais marcada pelas diferenças, pelo acentuar de opções e políticas nomeadamente no que se refere ao insucesso, aos contextos e, eventualmente, à ação local e contextual. Diz respeito ao currículo e à reposição de algum equilíbrio entre áreas disciplinares. Poderá estar alicerçada na estruturação da rede escolar, entre alternativas ao vocacional e a reconfiguração de modelos de gestão – será que se recupera o sentido colegial da gestão? como se redefinirão as contratualizações (AEC’s, autonomias, TEIP’s), que esquemas se desenvolverão de promoção do sucesso, de combate ao absentismo e abandono precoce?.

Uma e outra não são exclusivas nem se anulam uma à outra. Podem perfeitamente conviver e intercalar entre elas em discursos, práticas e normativos. Uma e outra das linhas de ação política ficarão certamente condicionadas por dois momentos que serão, para todos os efeitos, momentos marcantes no sistema educativo e no ano escolar. A comemoração dos 30 anos da lei de bases do sistema educativo e o fim de um e o arranque de novo ano letivo. Serão certamente momentos oportunos para se perceberem algumas das linhas de (re)orientação de opções, políticas e sentidos da educação e da escola. Será que o senhor ministro se aguenta na pasta? qual a ação e a intervenção dos sindicatos (nomeadamente da fenprof) perante as opções de política educativa? qual o papel reservado ao local e aos contextos na e para as políticas educativas? mero cenário simbólico ou retórica mobilizadora ou ação concreta e prática? como se colocarão os municípios e os autarcas perante as opções e limitações orçamentais e financeiras?

Esta última será, quase que garantidamente, a grande questão de todo o sistema, fazer pelo menos o mesmo, alcançar pelo menos os mesmos resultados, com menos, muito menos dinheiro.

Por isso digo, neste início de ano, no princípio é o verbo, elemento essencial para que se percebam sentidos e opções e se saibam construir alternativas.

Bom ano.

janeiro, 04; Manuel Dinis P. Cabeça;

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