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No espaço de 1 mês são cerca de 7 mil os atestados médicos apresentados por professores

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Como o Ministério de Educação não diz o valor correto, ficamos com a informação prestada pela comunicação social.

O número é significativo, em pouco mais de um mês são já 7 mil os atestados médicos apresentados pelos professores. Este número deve servir de alerta ao que se está a passar com os professores em Portugal. É impossível afastar esta realidade da idade dos professores, os últimos dados apontam para uma idade média próxima dos 50 anos. Se acrescentarmos que a profissão docente é de desgaste rápido, que só a partir dos 50 anos é que existe uma redução da componente letiva, que muitos professores são colocados longe das suas famílias, com todas as perturbações que isso acarreta, 7 mil atestados não surpreende.

Há tempos escrevi que  É urgente cuidar dos professores, essa urgência não desapareceu e tem tendência a agravar.


O Ministério da Educação colocou 9898 professores contratados depois do início do ano letivo, a maioria para substituir colegas de baixa médica. O ME não diz quantas colocações serviram para render docentes de baixa mas, numa estimativa conservadora, serão cerca de 7 mil.

Se cada docente ensinar uma média de 90 alunos (os do 1º ciclo têm apenas 20 a 30 mas os restantes chegam a ter mais de 150), 630 mil estudantes terão sido afetados e ficado sem professor. Ou seja, o problema terá tido impacto em metade dos alunos do básico e secundário. “O principal problema é o desgaste que a profissão provoca. Nos últimos anos, sentimos um aumento das baixas e cerca de 80 por cento são psiquiátricas.

Conheço professores de 40 anos afetados por isto”, disse ao CM Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores (Andaep), que sugere que seja reposta a “redução da componente letiva a partir dos 40 anos e que as atividades da componente não letiva não impliquem trabalho com alunos”. O ME garante que “o número de baixas médicas está em linha com o que tem sido a tendência do ano anterior”.

Ministério garante solução provisória 

O Ministério da Educação garante que a partir de hoje “uma docente do Agrupamento, sem componente letiva, substituirá a docente em falta” na EB Quinta do Campo. A substituição vai vigorar durante esta semana e a professora de baixa “retomará a atividade a partir do dia 20”.

Alunos de escola no Seixal em casa ainda à espera que a professora seja substituída

Na Escola Básica Quinta do Campo (Seixal), 25 crianças de uma turma do pré-escolar continuam sem educadora. Parte dos alunos está em casa e outra parte no ATL, o que implica mais despesa para os pais. Na origem do problema está o facto de a educadora ter apresentado atestados médicos inferiores a 30 dias. “Só podemos pedir a substituição com um atestado de 30 dias. esperemos que haja solução rápida”, disse ao CM fonte da direção do Agrupamento de Vale de Milhaços, onde a escola se integra.

PORMENORES 

Colocações só à sexta

Os professores que substituem colegas de baixa são colocados todas as sextas-feiras pela tutela. Filinto Lima sugere que estas colocações passem a realizar-se “duas vezes por semana”, para encurtar o tempo que os alunos ficam sem docente.

Aposentações e mortes

Os 10 mil contratados colocados após o arranque do ano letivo vieram substituir colegas de baixa médica, mas também renderam docentes que se aposentaram, faleceram ou foram destacados para outros serviços.

Turma sem educadora

Na EB Quinta de Santa Marta, também do agrupamento de Vale de Milhaços, uma outra turma do pré-escolar viu a educadora ser colocada apenas na passada sexta-feira. Resta ainda saber se a docente aceita.

Atestados deixam milhares sem aulas

(Bernardo Esteves – Correio da Manhã)

10 COMMENTS

  1. o sistema não devia permitir contratar professores que estão de baixa, e depois outra de gravidez de risco e pagar 3 ou 4 vencimentos para 1 lugar. E o tempo que leva para seleccionar outro docente, várias semanas e os alunos sem aulas. Os pais concordam? o país acha bem? isto só existe na educação? quanto custa ao erário público.

  2. Na minha opinião a classe docente abusa dos atestados médicos. Basta comparar os professores que estas em regime de Seg Social e CGA.
    Quem está em regime de Segurança Social o atestado só é passado pelo médico de familia e a nível salarial só receberá caso a baixa for de mais 3 dias….e 55% de salário.
    Urge alterar o regime de atestados médicos, para que possam ser aplicados a situações verdadeiras e sem discriminação de tipo de trabalhadores

    • Não quererá comparar o trabalho de um docente com outro funcionário. Enquanto que o último vai para casa descansado porque o seu dia acabou , o primeiro leva sempre trabalho para casa. Também devo referir as fichas de avaliação a elaborar e depois corrigir no fim de semana. Ainda acresce o desgaste nervoso com alunos cada vez mais desinteressados e mal educados que não sabem estar numa sala de aulas. Pergunto: quanto tempo aguentaria nesta situação dia após dia???

      • O comentador referia-se aos professores que estão integrados na segurança social. Estes colocam menos atestados (por não receberem 90% do salário) que os que descontam para a CGA.

      • @Maria de Jesus

        E Não acha que isso acontece em outras profissões…..

        Veja, por exemplo, os bancários, entram às 8:30 e saem 19:30. Qual será % de trabalhadores em atestado médico.
        Estes também:
        * Aturam clientes, que fazem pessima gestão dos seus rendimentos, que também provoca desgaste nervoso;
        * Levam também trabalho para casa, pois tem de visitar clientes.

        Este coitados, tal como todas as profissoes tem um mes de ferias, e não tem ausencia de actividade bancaria de dois meses por ano.

        Reafirmo, na classe docente quem está na CGA, abusa dos atestados médicos. Sem contar com os casos que conheço, foi publico que as professoras do quadro que estavam a 200km de casa(isso sim é uma infelicidade) solicitaram baixa médica.

    • O outro lado da questão é que há também quem esteja permanentemente à beira do esgotamento, e só se mantenha na profissão por resiliência e porque existe uma coisa chamada medicina.
      O que se passa no sistema de educação não se passa em mais lado nenhum do funcionalismo público! Os professores estão rebentados por dentro! Por isso, antes de começarem a atacar os professores, vão ver como se trabalha numa escola…

  3. Gostava de ver alguns das pessoas que atacam os professores de baixa médica com algumas das turmas que já tive… Não duravam lá uma meia hora!
    O que acontece é que muitos ”meninos” estão absolutamente insolentes e a indisciplina é total… Há uma permissividade absoluta e gritante de uma boa parte dos encarregados de educação. Essa indisciplina reina, e prospera, neste momento, em muitas das escolas públicas portuguesas.
    A impunidade grassa com as direções a não se quererem incomodar em aplicar sanções a casos graves de indisciplina… O Ministério da Educação parece pouco preocupado com o problema…
    Enquanto não houver prevenção, responsabilização dos alunos e dos encarregados de educação, repressão, sim repressão séria, não vamos a lado nenhum… Um indivíduo que não respeita o Estado, na figura da Escola Pública, deve ser punido….
    Isto é o que dá criar meninos com todos os direitos, sem nenhumas regras, e pouco respeito pelos outros…
    Os atestados, a não ser que algo mude ,muito seriamente, só poderão aumentar…

  4. Só um ignorante fala do que desconhece e quando não se está no terreno e não se sabe o que vai dentro do convento, fará melhor figura não emitir opiniões… Este país está cheio disto!

  5. Sem por em causa a revolta dos professores ilegalmente ultrapassados nas colocações, pergunto:

    – E para quando a fiscalização e condenação efetivas dos senhores médicos que emitem atestados cujo diagnóstico médico é: doença de oportunismo, doença do foro da preguiça, dores de falta de caráter e cidadania ou trauma de ladrões públicos?

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