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Ninguém tem paciência para “esperar”.

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pressaAnda tudo muito desassossegado e muito “nervosinho”, o que é sempre um bom pretexto , e para alguns justificação, para não cumprir nem fazer cumprir as mais elementares regras de boa educação e comportamento, entre pares.

Todos e cada um se focam no seu próprio umbigo, e estão-se totalmente a marimbar para os outros. E a pressa em estar à frente, em passar à frente, que não só na condução automóvel é o quotidiano com tendência a agravar-se, a cada dia que passa.

Em todos os locais há sempre uma “esperta” ou um “espertinho” que nos passa à frente, e fazem-no com demasiada naturalidade. É tudo tao normal que roça a vulgaridade.

No café, até para pagar a conta se tiver que ser ao balcão passam-nos “na maior “ à frente. As saídas e entradas em elevadores, já chegam a ser cómicas, quem está dentro e o elevador para não consegue sair, dado que quem estava fora à espera, entrou sem deixar sair.

Em todo o lado, parece que a única “necessidade” é estar à frente, mesmo que não haja pressa. É, ser-se o primeiro, é não respeitar ninguém, é assim por que cada um tem que passar à frente. Não se tem paciência para esperar, não se tem educação mínima, para os outros respeitar.

À entrada de qualquer local público quem for à nossa frente, propositadamente larga a porta dado que quem vem atrás, não viesse. E a quase corrida que tantos dão, para entrar primeiro, à frente, não esperarem, mesmo que depois fiquem por lá a nada fazer!

Na condução que se agrava a cada dia que passa – daí os acidentes de viação num crescendo -, os exemplos são assustadores. Passam-se semáforos vermelhos, mesmo que “ a ou o artista” que o faz, não tenha a mínima pressa e até vá a “morrer” à frente, mas passou, não esperou. Ganhou, ficou à frente, não esperou!

Se, pelo contrário está parado, às vezes não há alternativa se não “mesmo” parar, para não empurrar os que estão “primeiro”, no vermelho, e este fica verde, não arranca, dado que está a brincar com o telemóvel ou a olhar para o lado e aí quem está atrás que espere. Desde que sejam os outros a “esperar” não há qualquer problema!

A necessidade de não esperar mesmo que façam os outros, fazê-lo. Uma necessidade de estar primeiro, de chegar primeiro. Nada conta, que não a tentativa de bem-estar próprio, os outros que se amanhem.

E isto está a atingir todas as pessoas, começam a não se vislumbrar honrosas excepções, uns para não serem “comidos por lorpas”, outros porque vão na onda, e outros por acharem que assim é que está bem.

Por certo a Educação para além da Instrução, tal como esta, tal como a Cultura, não ocupam espaço, não fazem mal a ninguém, e será uma forma de nos diferenciarmos de outros animais um pouco mais selvagens que nós. Mas estamos “numa” de quanto pior melhor. Seja!

Augusto Küttner de Magalhães

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