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Nas aulas síncronas, o “bom dia” e o “até amanhã”, ganharam um novo significado

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No livro SuperBook of Web Tools for Educators: “O meu conselho? Quando o ecrã aparecer, clique em qualquer uma destas palavras: Aceitar, Avançar e OK. Prometo que não destruirá nada, mas as recompensas do outro lado dessas palavras valem o risco. Vá em frente!” (Couros, p.3). Imagino, quantas vezes, palavras como estas tem sido repetidas pelo mundo inteiro desde dezembro, quando as escolas começaram a fechar.
Mas, na verdade, tem sido uma ideia que tenho partilhado com colegas, alunos e até familiares desde comecei a “mexer” em computadores. Nunca percebi o medo de algumas gerações, em arriscar, descobrir e “fazer no computador”. A evolução tecnológica é demasiado rápida, sem tempo para testar tudo ou consolidar as ferramentas, há sempre uma multidão a impor uma nova tendência. Ficamos sem tempo, porque o tempo é das máquinas, fica apenas a procura de uma nova descoberta.
No conforto da nossa profissão a relação humana é central. A empatia, a entreajuda e o afeto permitem estabelecer com os nossos discípulos uma proximidade, que estabelece o sucesso, ou não, do percurso académico do aluno. A máquina, a rede e a internet podem ser ferramentas poderosas, mas neste momento são como uma espécie de muro gigante de vidro, que nos separa da nossa turma. Impõe comportamentos “arrumados” e “mecanizados” por grelhas, direções ou outros.
Nesta nova sala, não há cheiro, não há o som do trabalho e não há profundidade no olhar. Há tarefas, há pesquisas, há jogos e há ruído na videochamada. Muito ruído, do que sai das casas das famílias, com inquietações sobre o presente e o futuro e esta coisa “chata” de ter que ensinar os descendestes a aprender de uma “nova” maneira.
Tal só acontece por falta de preparação e planeamento! Onde está o Magalhães versão xpto, os QI táteis com ecrãs espetaculares e a rede de internet rápida? Não sei, apenas uso o que consigo mobilizar para a minha sala. Com o pouco que tenho tentei sempre espreitar para lá do muro de vidro, com os “meus” alunos ao meu lado, não do lado de lá.
Sinto que agora, lanço palavras para o vazio e recebo um “estou aqui” na volta das tarefas.
Nas aulas síncronas, o “bom dia” e o “até amanhã”, ganharam um novo significado, são peças que nos unem numa relação, que não ficou distante, mas está diferente. Onde quem quer aprender, parece aprender ainda mais e os outros flutuam na onda do “vai ficar tudo bem”.
Gonçalo Gonçalves
Professor do 1.º Ciclo

 

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