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Não ter filhos é um ato de responsabilidade?

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ponderarOlha que está na altura?

Mas quando é que vem o segundo?

Quando é que vão dar um irmão à criança?

Nunca mais sou avô(ó)…

Quem não tem filhos ou teve apenas um e tem idades compreendidas entre os 25 e os 40 anos, é constantemente bombardeado com comentários sobre a “obrigatoriedade” de aumentar o clã familiar.

Meio a brincar, meio a sério, os comentários são feitos e os (futuros) pais mais ou menos à vontade, “agradecem” com uma piada ou um sorriso amarelo, despachando a questão o mais rapidamente possível até um próximo “amigo” lançar novamente a picadela… Pior é quando é a sua própria criança a questionar o motivo pelo qual ainda não tem um irmão… Aí, é uma dor de alma para quem pergunta e para quem ouve.

Primeiro ponto

Quem não tem filhos devia imiscuir-se de fazer este tipo de comentários e tratar da sua vidinha para dar o contributo que se espera de qualquer cidadão. Se é que pode…

Segundo ponto

Quem já tem filhos, sabe perfeitamente do incómodo que é ouvir esse tipo de comentários e como tal devia restringir-se a essa memória, salvaguardando os seus companheiros de “procriação”.

Terceiro ponto

Sei que não é com maldade que o fazem, mas caramba, não o façam, até porque existem motivos que são privados e que normalmente não são partilhados pela sensibilidade da questão.

Ao nível social, é um dado mais ou menos adquirido que as famílias sem grandes posses têm mais filhos, algumas têm mesmo muitos filhos… Fala-se na falta de planeamento familiar e quiçá, digo eu, num exercício meramente especulativo, na aplicação da estupidez à sua escala máxima, onde a mulher serve para a cozinha e para aceitar os desejos do homem, porque sim, porque é mulher.

A verdade é que são as famílias estruturalmente equilibradas as que normalmente optam por menos filhos. Talvez seja uma forma simplista de ver as coisas e que fique claro que não estou a falar a título pessoal. Mas todos os pais que têm dois dedos de testa pensam muito bem antes de avançar para um segundo/terceiro filho. A vida não está fácil, e se cuidar de uma criança é dispendioso, dar-lhe as condições para progredir os estudos até ao fim é muito, muito dispendioso. Por vezes a escolha tem de ser feita e os pais ponderam entre ter dois filhos e não garantir as mesmas condições a ambos, ou ficar por apenas um e dar-lhe as condições que precisa para ter uma vida sem sobressaltos.

É uma dúvida legítima. Pois por muito que se queira amar um segundo filho, não queremos que esse segundo prejudique o amor que já existe.

os dados mais recentes são de um estudo da Universidade de Coimbra, coordenado pelo psicólogo Eduardo Sá e realizado em 2008, de acordo com o qual os pais portugueses de classe média gastam em média entre 236 e 678 euros por mês com cada filho (até aos 25 anos), em fraldas, médicos, comida, roupa, desporto, livros, propinas e mensalidades escolares.

A demografia está a baixar, é um facto, e a pressão laboral e financeira têm limitado bastante o avanço para a paternidade. Portugal está a sentir na pele os anos da crise e estamos perante um problema muito sério para gerações futuras.

Por isso digo que não ter filhos, ou mais filhos, infelizmente é um ato de responsabilidade. Alguns podem chamar um ato egoísta, mas para quem já lidou com tantos casos de filhos que de pais só o são pelo apelido, não posso deixar de questionar se ter filhos, ou neste caso muitos filhos, não será apenas uma forma de sobreviver através de subsídios sem assumir as suas responsabilidades parentais.

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(Mário Cordeiro)

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(Bárbara Silva)

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(Económico com Lusa)
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