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Não somos todos iguais..

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snoopyO Joaquim Gouveia de 15 anos encara os próximos dias com grande descontração, não percebendo o alarido à volta dos exames. O Joaquim tem razão, os adultos dão demasiada importância (veja-se o formalismo na vigilância dos exames) e passam essa pressão para as jovens. Só que o que o Joaquim não sabe, é que muitos alunos não conseguem olhar para os exames com tanta descontração, para alguns está em jogo a transição para o ano seguinte e para muitos a entrada para a faculdade.

DEMASIADA PRESSÃO PARA UM TESTE IGUAL AOS OUTROS

Faltam poucas horas para o exame de Português e a pergunta impõem-se. Então Joaquim? Nervoso? Encolhe os ombros, abana ligeiramente a cabeça. “Não, não estou nada nervoso.”

Joaquim Homem de Gouveia, 15 anos, não compreende toda a conversa à volta dos exames nacionais do 9.º ano. Desde Setembro, quando a escola começou, que o assunto é recorrente nas aulas de Matemática e Português, especialmente no terceiro período.

“Para mim, e penso que para a maioria dos meus colegas, é só mais um teste”, diz sentado na esplanada de um café junto à Escola Salesiana do Funchal, onde estuda desde o 1.º ano. Gosta da escola. Não das regras. “Às vezes é muito rígida em algumas coisas, mas vou sentir saudades. Dos colegas. Dos professores. De tudo…”

Joaquim vai deixar tudo para trás no próximo Verão. A escola, os colegas. Até os pais e o irmão, dois anos mais novo. Vai estudar para a Kalmar Internacional School, na Suécia. É a terra da mãe, Anneli, cônsul honorária sueca na Madeira, e ele parte à boleia de uma bolsa de estudo de golfe.

A paixão pelo golfe começou cedo e durante alguns anos caminhou lado a lado com o futebol. O pai, Marcos, chefe de escala na empresa de handling da TAP, quis contrabalançar um desporto colectivo com uma modalidade individual. Joaquim agradeceu. “Gostei logo de golfe, e acabei por deixar o futebol há dois anos. Ajuda-me muito nos estudos”, explica.

Tem resultado. Aluno de quatros e cincos, fluente em línguas – domina o inglês, o francês e, claro, o sueco -, Joaquim confessa que a disciplina de Português é a que menos gosta. “Não por culpa da professora, que explica bem a matéria, mas pela própria matéria que não é muito interessante.” Mesmo assim, tem quatro em Português e por isso o exame de amanhã não lhe tem tirado o sono.

“É só mais um teste”, repete. “Claro que tem mais peso na nota final, mas no meu caso não vai alterar nada”, justifica, dizendo que é o sistema de ensino e as escolas que colocam essa pressão sobre os alunos. “Não entendo porque fazem isso. Estão sempre a falar do que vem, e do que pode vir no exame.”

Foi assim durante todo o terceiro período e acentuou-se nas últimas semanas. A turma teve aulas de preparação. Fez-se a revisão da matéria. Resolveram-se exames de anos anteriores. Fizeram exercícios modelo. E pronto, já está.

Joaquim está mais preocupado com o torneio de golfe de hoje, que conta para o Campeonato da Madeira, do que com o exame de Português de amanhã ou o de Matemática na sexta-feira.

O pensamento já está no fim-de-semana que vai passar fora com os colegas de turma, num hotel no interior da Madeira, para festejarem o final do ano lectivo. E na Suécia para onde viaja no Verão. “Em casa falo sempre sueco com a minha mãe, e nos últimos tempos comecei a tirar um curso on-line de escrita”, explica.

O sonho é ser profissional de golfe, ou médico, ou engenheiro. Por esta ordem de prioridade. Quanto à semana de exames, depressa vai cair no esquecimento. “A minha mãe conta-me que na Suécia o ensino é diferente, a abordagem dos temas é mais interessante e as matérias que nos já estudamos, eles só aprendem em anos mais avançados.” Por isso, Joaquim confia numa boa semana e num bom futuro.

Márcio Berenguer (2105). “Demasiada pressão para um teste igual aos outros”. www.publico.pt/, 14 de junho

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