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Não Se Fala Muito Porque A Prioridade É Não Ser Contagiado

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É um assunto politicamente incorreto, impopular neste momento, porque a maioria da população tem a mentalidade cultural do ‘aqui e agora’, não vislumbrando que havendo sobrevivência, há um ‘depois’ da pandemia. Agora estão todos concentrados na sobrevivência fisica mas esquecem que vai haver sobreviventes e que têm de existir condições para continuarem a viver. A decisão de estado de emergência implica uma hecatombe económica, com perdas brutais de liquidez monetária, agravando défices públicos e uma recessão gigantesca (e nem falo na possibilidade de colapso social com ressurgimento de violência social). “Todos juntos” é um lema que está a ser usado, para incentivo psico-emocional, politicamente correto, e por isso, inatacável, e significa, numa perspetiva económica, que muitos vão ter de aguentar perdas (não digo todos porque se sabe que há uns quantos que se safam sempre…). A ministra Mariana ( a filha cujo pai lhe arranjou o lugar onde está), afirmou numa entrevista na SIC, que “todos vão ter de contribuir” após o controlo da pandemia, o que em ‘politiquês’ significa que muitos vão ter de suportar perdas irrecuperáveis. Como é previsível que vá continuar a existir espécie humana (infelizmente mais reduzida), o pós-epidemia tem pairado como uma “espada de Damôcles”, e começou-se timidamente a falar dele em debates televisivos. E todos os intervenientes traçaram um cenário dantesco, tão ou mais grave que a contração da doença. E adivinhe-se quem vai levar ‘no lombo’ à grande? Os trabalhadores.

No âmbito da educação, significa que o governo vai-se refugiar nesse lema para justificar a reposição de cortes para os trabalhadores públicos; depois da sobrevivência fisica, vem a réplica do ‘virus’ da austeridade, que não mata no imediato mas a longo prazo. E assim, os profs, aqueles que sairem do túnel virico, vão entrar logo noutro ‘económico’, e os que ainda não progrediram vão enfrentar uma nova suspensão na progressão, cortes salariais e dispensa dos contratados, e desta vez sem contestação, com o argumento do esforço coletivo e que todos têm de contribuir para o sacrificio…

A esperança não devia ser só para incentivar a curto prazo mas também para sustentar um futuro.
Mário Silva

1 COMMENT

  1. Sim, não tenhamos ilusões quanto às consequências económicas da covid-19. Mas seria de esperar outra coisa de uma pandemia? Pelo menos, agora, não é uma crise gerada pela irresponsabilidade consumista de alguns associada aos instintos predatórios de um punhado de poderosos, do mundo da finança, empresários e governantes.
    Agora, pensamos no presente, sabendo que amanhã teremos que ajudar a recuperar.
    Não creio que as pessoas não falem com o intuito de serem politicamente corretas. Pensar no presente, em situações destas, é uma estratégia de sobrevivência muito eficaz. Suspende-se o tempo, o amanhã “desaparece” e , assim, o futuro deixa de ser uma fonte acrescida de angústia
    Estou a lembrar-me, sem querer, de forma alguma, comparar as situações, nas razão que levaram as pessoas que estiveram nos campos de concentração a não consideraro suicídio como uma possibilidade.
    Primo Levi aguentou e suicidou-se muito depois da libertação, em 1987!
    A nós, tocou-nos viver estes tempos, dramáticos, porque são os nossos e não vale a pena entrar em comparações históricas. O nosso desconforto ou sofrimento, por ser nosso, impõe-se. O importante é controlá-lo.

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