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Não são só os professores contratados que são esquecidos

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Todos os anos, neste mês, e particularmente na última semana, muitos dos (supostos) QE/QA estão na angústia de saber se vão ter horário ou se vão ter de concorrer ao abrigo do DACL. Na prática, os menos graduados de cada grupo disciplinar são precários quanto à escola onde trabalham, estando sempre na contigência de mudar de lugar com frequência e para mais longe, com todos os encargos inerentes a essa mudança. Mas durante a silly season, nem sindicatos nem mass media se debruçam sobre essa precariedade, que tem como consequência uma desvinculação ao local de trabalho, não predispondo o docente a assumir projetos pedagógicos nem pessoais de longo prazo.
Portanto, fica a recordação de que existem uns milhares de professores  que anualmente não têm estabilidade profissional e pessoal.

Mário Silva


Comentário:

Este desabafo que recebi no email [email protected] do nosso colega Mário Silva é de todo pertinente. Temos a tendência para falar na precariedade dos professores contratados, mas a verdade é que existem vários milhares de professores de quadro que têm demasiadas vezes a vida em suspenso, com famílias sistematicamente partidas e que nem o vínculo definitivo veio suprimir.
Não se trata de uma competição de quem é mais miserável, mas o constatar e alertar para uma realidade que também é, à sua maneira, precária.

4 COMMENTS

  1. Para além desses, é preciso também ter em conta todos os QZPs (que sempre que é ano de COncurso Interno são obrigados a concorrer, nunca sabendo como será essa colocação) e ainda mais os QAs que, mesmo tendo horário na escola onde são quadro, se encontram muito deslocados da sua residência e querem se aproximar de casa. Acho que estes últimos até acabam por ser os que se encontram em pior situação pois só podem concorrer à Mobilidade Interna em último lugar (atrás de ambos os casos referidos) e têm visto nos úlktimos anos muitos docentes ficarem QZP em zonas que eles pretendiam (por Extraordinários e Externos), vendo cada vez mais pessoas com menos graduação a concorrer pra onde tanto desejam ir.

  2. Foi enfatizado mais os QE/QA porque é o estatuto que muitos consideram a estabilidade, mas na realidade a precariedade generalizou-se aos contratos por tempo indeterminado (profs QE/QA e QZP) desde 2005. Agora existem vários graus de precariedade onde se inclui o QE/QA, e neste estatuto juridico, os únicos profs que mantêm a estabilidade de ter garantido anualmente turmas para lecionar, são aqueles que estão nos 4 primeiros lugares da graduação de cada grupo disciplinar. Portanto, não são só os QZP e contratados que têm precariedade mas também muitos profs do QE/QA, e dos quais está-se a falar de pessoas na faixa etária dos 50 anos!…
    Pessoas que trabalhavam há anos na escola e são obrigadas a começar de novo noutro agrupamento, muitas vezes a dezenas de kms de distância da residência; e quando se diz que, pelo menos, mantêm o vinculo contratual (o emprego), isso pode implicar alterações profundas na vida pessoal porque num quadro de zona as distâncias podem chegar às centenas de Kms; não há custos elevados nessas condições?
    Por isso, o tipo de contrato não elimina a precariedade; aliás, vários profs que vincularam este ano (para QE/QA ou QZP), poderão vir a constatar daqui a poucos anos que afinal não ficaram estabilizados quando na distribuição de serviço verificarem que não têm 6 (míseras) horas letivas para continuarem na escola onde trabalham…

    • A propósito desta precariedade nos docentes com ‘estabilidade’, convém realçar que existem causas a contribuir para isto e que supostamente iriam ser eliminadas. Numa estimativa grosseira, constatei que por todo o país aumentou o nº de turmas com mais de 28 alunos porque a DGE não autoriza criar mais turmas com menos alunos; isto implica menos turmas e logo menos horários para os profs e pior qualidade pedagógica para os alunos. Portanto, as reversões mais impactantes vão ficar por fazer, como por exemplo, a redução do nº de alunos por turma (e além desta, as outras como a redução da componente letiva nos moldes anteriores ou maior nº de horas de crédito horário para apoios educativos).
      Então qual a diferença entre estes e os que lá estavam antes?

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