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Não se iludam! As autarquias vão mandar nas escolas.

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É prometido a pés juntos pela tutela que o concurso de professores e as questões pedagógicas nunca vão estar na alçada dos municípios. A expressão futebolística  “a verdade de hoje é a mentira de amanhã” assenta que nem uma luva no mundo político. A velocidade das reformas é tanta que já perdi a conta às mudanças a que assisti.

A tutela até pode estar carregadinha de boas intenções, mas das duas uma, ou há muita ingenuidade no ar, ou os seus membros pertencem a uma qualquer seita religiosa ao confiarem que as autarquias não vão meter as mãos em seara alheia… As experiências que já correm com o projeto “Aproximar” não estão impolutas. Já me chegaram alguns lamentos e fortes reservas quanto ao futuro…

Há muito que as autarquias anseiam mandar nas escolas. O seu peso social, as influências que podem exercer, principalmente em meios pequenos, são fortes tentações. A escola será um meio privilegiado para passar a mensagem política e será determinante em futuras eleições ou em inclinar mandatos. Os conselhos gerais foram o primeiro passo, e um presidente de câmara com forte presença na comunidade, pode perfeitamente condicionar um diretor, ou, em último caso, influenciar os restantes membros desse conselho.

As chantagens, as pressões, as manobras de bastidores, tudo faz parte do jogo sujo da política. Infelizmente esse jogo de sombras, sem regras e imprevisível, está demasiado perto de um lugar que se quer independente e apenas focado no ensino.

Há autarquias que já recebem queixas de pais sobre questões pedagógicas e há autarquias que estão demasiado interessadas em analisar/esmiuçar resultados escolares… Os diretores e os professores são a cara de uma escola e se algo não correr conforme as cores autárquicas, é a estes que vão ser pedidas satisfações, é a estes que vão exigir mudanças… é a estes que vão pedir para saírem

É tão fácil, tão simples condicionar uma escola, basta não resolver um determinado problema, sejam as obras que precisam de ser feitas, os funcionários que são precisos contratar, a limpeza da escola, a utilização dos espaços, os apoios sociais etc, etc, etc…

Estamos perante o maior perigo à Escola Pública desde o 25 de abril e não se trata de um exclusivo PSD ou PS, ambos se deixaram/quiseram levar pela música das autarquias, como se esta descentralização fosse a solução de todos os males.

Querem descentralizar? É simples, descentralizem para as escolas. Ou não confiam?

Pessoal não docente: mais de 40 mil passarão a ser geridos pelas câmaras

(Público – Clara Viana e Samuel Silva)

Governo aprova proposta de descentralização para as autarquias

(Correio da Manhã)

1 COMMENT

  1. O que o Governo está a tentar fazer é “apenas” o reforço da desconcentração funcional. Dessa forma, ficará com muito melhores condições para aumentar o controlo do currículo e das práticas pedagógicas. Com este “despacho”, diminui o espectro conflituoso (para o seu lado), ficando mais livre para intervir de forma mais incisiva no próprio ato didático. Desenganem-se: a Estado vai mandar muito mais nas escolas.

    Se os professores continuarem, nesse contexto, a ter um diretor na garupa… então serão massacrados por uma tríade de chumbo.

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