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“Não foi pelas escolas que chegámos a esta situação”. Directores aplaudem confinamento sem fecho de escolas

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Há quem viva num planeta muito distante da realidade… Não foi pelas escolas como também foi pelas escolas, tal como não foi nos empregos das pessoas e foi nos empregos das pessoas, tal como não foi nos supermercados e foi pelos supermercados, tal como não foi nos transportes e foi pelos transportes, etc, etc, etc. A escola não vive num paraíso, numa bolha fechada. Isto é demagogia pura, uma cabala de proteção da imagem dos cargos que ocupam. Muito triste e feio andar a iludir as pessoas!

E chamar confinamento com quase 2 milhões de alunos nas ruas, deslocações e afins é tudo menos confinamento.

Fica a notícia.


O cenário de um novo confinamento desenhado esta quinta-feira pelo primeiro-ministro terá uma “grande diferença” em relação a Março: as escolas deverão manter abertas e com aulas presenciais. Para os directores, esse era o caminho certo, tendo em conta os indicadores positivos do 1.º período. Os estabelecimentos de ensino não foram dos principais locais de contágio pela covid-19, sublinham.

“Não foi pelas escolas que chegámos a esta situação”, afirma o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira, que vê nas declarações de António Costa um sinal de confiança naquilo que foi feito nas escolas no 1.º período. Os primeiros quatro meses do ano lectivo “deram boas indicações”, concorda Filinto Lima, que lidera a Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Andaep), classificando de “boa notícia” o anúncio feito pelo chefe do Governo.

A experiência ganha nos últimos meses fez com que as escolas partissem “mais optimistas” para o 2.º período, que começou esta segunda-feira, do que estavam no início do ano lectivo, defende Manuel Pereira. Os directores sabem, no entanto, que Janeiro e Fevereiro “podem ser duros” face ao aumento de contágios. As escolas começam, por estes dias, a sentir os efeitos do aumento do número de casos positivos no país, “sobretudo entre os alunos do ensino secundário”, segundo Filinto Lima, e também nas regiões “onde a pandemia está a crescer mais”, acrescenta Manuel Pereira.

Para a Federação Nacional de Professores (Fenprof), a experiência do final do ano lectivo passado mostrou que o ensino à distância é “negativo para um conjunto de alunos” e acentuou “desigualdades” no processo educativo, afirmou o secretário-geral, Mário Nogueira, à saída de uma reunião de balanço do 1.º período com o Ministério da Educação.

O ensino “deve ser presencial”, sublinhou o líder da Fenprof, “mas não pode deixar de ter condições, que não estão a ser observadas”, entre as quais inclui a realização de rastreios à covid-19 entre alunos e profissionais e também a redução do número de alunos por turma para permitir aumentar o distanciamento físico dentro das salas de aulas.

Também a Federação Nacional de Educação (FNE) defendeu, na reunião com o Ministério da Educação, estas medidas. Aquela estrutura defende, no entanto, uma solução mista para os alunos do ensino secundário, em “que uma parte das aulas seja presencial e outra à distância”, disse à Lusa o secretário-geral daquela estrutura sindical, João Dias da Silva, no final do encontro com os representantes da tutela. Aquele dirigente é defensor do ensino presencial, mas admite que esta opção para os alunos mais velhos poderia ajudar a reduzir os contágios.

A FNE já tinha pedido que o início das aulas do 2.º período fosse adiado pelo menos por uma semana, solução afastada pelo Governo. No arranque do novo período lectivo, a federação sindical insistiu na necessidade de serem “revistas as condições em que a actividade lectiva irá continuar”.

Fonte: Público

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