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Não existem professores novos e professores velhos, existem professores!

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jesuisprofessor-professoresQuando a jornalista do Público (Clara Viana) me pediu para encontrar motivos pelo qual os professores mais experientes (tiremos o termo velho) afirmaram, repito, afirmaram, que tinham mais problemas disciplinares, percebi nesse momento que estaríamos perante mais um episódio professores novos vs professores experientes.

Não foi por acaso que referi na minha declaração que:

(…)A indisciplina é transversal e restringir esta questão à idade mais avançada dos professores é centrarmo-nos num aspeto muito parcelar da indisciplina.(…)

Existe uma carreira docente, com principio meio e fim, e quem está na carreira, ou tem intenções de lá entrar, deve preocupar-se com todas as suas fases. Apesar dos meus 39 anos indicarem que falta muito para o fim da minha carreira, é algo que me preocupa e que devia preocupar todos os professores. Não se trata de denegrir ninguém, nem dizer que “A” é pior do que “B”, isso deixo para aqueles que verborreiam nas redes sociais e que não são capazes de ver um palmo à frente da testa. Trata-se sim de dignificar toda a carreira docente e ir ao encontro da atualidade em que grande parte dos professores caminha a passos largos dos 60 anos ou já os ultrapassou…

Das duas uma, ou assumimos que a carreira do professor é desgastante, específica e merece ser tratada com condições especiais, ou então dizemos que está tudo bem e que os professores mais experientes estão felizes e contentes aguardando calmamente pela sua reforma.

Como referi ao Público

(..)estamos perante muitos professores que sofrem de burnout educativo, onde a falta de reconhecimento e estagnação profissional, o aumento da idade da reforma, o desgaste em lidar com alunos cada vez mais problemáticos, o distanciamento geracional, o choque cultural e tecnológico entre estes, podem originar fortes conflitos em sala de aula.(…)

Não é uma crítica, é uma constatação e uma legítima preocupação por todos aqueles que merecem o nosso respeito pela carreira que têm/tiveram. Não se trata do discurso do coitadinho que não é digno, é humilhante, e professores que deram tanto à causa pública não merecem ouvir nem sentir. Sois professores, somos todos professores, sois dignos do título que carregam e devemos pensar em todas as fases da carreira de professor, de forma a serem úteis ao ensino. Lutarmos pela aposentação aos 36 anos de carreira não é chamar velhos ou inúteis a ninguém, é dar dignidade a uma carreira longa e agradecer pelo trabalho desempenhado.

Espero sinceramente que todos os professores que leiam estas linhas, principalmente os mais experientes, sintam o apoio, o carinho de quem as escreve e acredite quando digo, que a minha preocupação para convosco é genuína, pois também sei que um dia lá chegarei e pretendo ter, tal como vós, o estatuto de professor senador e não de professor velho, acabado.

Por isso tive o cuidado de terminar a declaração à jornalista Clara Viana, com a seguinte frase:

A forma como os diferentes países cuidam dos seus professores tem um impacto muito significativo na sala de aula. É urgente valorizar, respeitar e cuidar dos nossos professores e permitir  que estes iniciem, desenvolvam  e terminem a sua carreira com a dignidade que merecem e que a escola portuguesa necessita.

Bem-haja a todos.

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