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Não Acredito Num Eventual “Messias” Da Educação Nem Na Nova “Religião” Da Flexibilidade

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O secretário Costa, a pretexto do Dia da Mulher, lá apareceu a Público com a presunção habitual reclamando a si, mais uma vez, a defesa da flexibilidade por esta conter na componente de Cidadania e Desenvolvimento uma miserável parcela apelidada de “Igualdade de Género” entre 17 ou mais temas a desenvolver. Sim, são apenas 17…

(https://www.publico.pt/2019/03/08/sociedade/opiniao/igualdade-genero-escola-medo-1864179)

Esta fixação em fragmentar o ensino em caixinhas não é de agora. Já passámos pelas metas de aprendizagem da ministra Isabel Alçada (2010), depois as metas curriculares do ministro Nuno Crato (2012) e agora as aprendizagens essenciais de João Costa (2018), que nem é ministro.

Este despedaçar do currículo em caixinhas esquece o óbvio, o todo é muito mais do que a soma das partes. A Igualdade de Género não pode ser uma pequena parcela em 17, não é em 2 ou 3 horas num ano que esta se interioriza. A Igualdade de Género ensina-se diariamente através de exemplos concretos, ao longo dos anos, nas comunidades escolares. É pena que a sociedade civil não acompanhe o que se faz nas escolas.

À estranha obsessão por tudo dividir em caixinhas eu designo como a “pedagogia tupperware”.

É com esta “pedagogia tupperware”, associada a visões que eu chamaria de esotéricas, que nasce a dita “Autonomia e Flexibilidade Curricular”. Não surge após estudos sistemáticos sobre o que funcionou e não funcionou no passado, nem sobre a experiência de outros países no campo da educação, nasce aparentemente da visão de um homem, João Costa, que nos aparece como um novo “messias” da educação.

Mas sempre que leio a legislação (despacho n.º 5908/2017 ou decretos-lei números 54/2018 e 55/2018) sobre a flexibilidade e a dita inclusão uma palavra surge de forma espontânea e permanente no meu raciocínio: “palhaçada”.

Na minha opinião, e por analogia, se o secretário Costa surge como um “messias” da educação e a legislação supra é a nova “bíblia”, esta nova “religião” educativa só poderá ser mesmo uma mistura de flexibilidade e de palhaçada.

A flexibilidade tem naturalmente “apóstolos”. Apresentam-se frequentemente a espalhar a palavra da flexibilidade Ariana Cosme que vende livros sobre… Autonomia e Flexibilidade Curricular (serão “bíblias” compiladas e anotadas?) e Ana Cláudia Cohen, diretora do Agrupamento de Escolas de Alcanena, que ocupa o lugar número 324 do ranking de escolas.

O lugar número 324, tendo um contexto socioeconómico favorecido não é resultado que se evidencie, logo considero que nada tenho a aprender com este agrupamento de escolas.

No nosso País há escolas em contextos socioeconómicos muito difíceis que obtém classificações muito melhores no ranking, ocupam mesmo um lugar entre os primeiros cinquenta. O trabalho destas escolas é que deveria ser divulgado e apresentado como exemplo. Estes estabelecimentos de ensino têm provas dadas, não precisaram de nenhuma visão esotérica nem de arautos da boa nova.

É por todo isto que eu não acredito nesta nova “religião” educativa da flexibilidade, nem em alguém que aparece como um “messias” da educação, também não acredito nos seus “apóstolos” nem na “pedagogia tupperware”.

Tudo farei para esta nova “religião” educativa não se apodere da Escola Pública Portuguesa, pois tal como acontece em muitas derivas religiosas poderemos a estar a caminhar para um suicídio coletivo da Educação Pública em Portugal.

Sr. Prof. Zé

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2 COMENTÁRIOS

  1. Subscrevo.

    É que as tupperware são muito úteis. Já a “pedagogia tupperware” é mesmo uma grande bullshit.

    Gostei deste relembrar da sequência “Já passámos pelas metas de aprendizagem da ministra Isabel Alçada (2010), depois as metas curriculares do ministro Nuno Crato (2012) e agora as aprendizagens essenciais de João Costa (2018), que nem é ministro.”, que a memória convém ser preservada.

    Dizia-me hoje uma colega de Matemática, muito novinha, em substituição de outra colega, que as turmas que tem do 2º ciclo têm falhas gravíssimas de conhecimentos básicos e que já não sabe o que fazer. Perante este facto, alguém da direcção da escola disse-lhe para fazer muitos jogos, muitos jogos, jogos em todas as aulas, sei lá, tudo jogos….

    E eu que não vou do 8 ao 80 e já tenho muitos anos, décadas disto, ainda me surpreendo com respostas destas.
    Pessoal, “Faites vos jeux, rien ne va plus !”.

  2. Concordo plenamente com tudo o que foi dito. Sou agnóstico em relação a TUDO o que vem da tutela. Pela minha sanidade mental, entra por um ouvido e sai pelo outro. Ignorar é o melhor remédio. Aguardo pelos próximos, porque estes já estão de saída, e farei…o mesmo.
    O SE costa não faz a mínima do que é uma escola.
    Quanto à Cohen? Conheci a menina há 30 anos enquanto estagiária. O ranking da sua escola é o espelho do seu trabalho. Um total vazio.

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