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Nanny who?

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É um tema quente e difícil de não querer manifestar uma opinião, aliás nisso a estação de televisão SIC foi extremamente inteligente: aplicar um modelo de “sucesso” e controverso como a Supernanny em Portugal e esperar que a bomba detonasse. E detonou. Queixas, avisos, publicações e debates televisivos marcados pela “evidente imparcialidade” constrangedora da mediadora que boicotou, desde início, qualquer viabilidade de um debate sério (de salientar a sensatez e profissionalismo de Rosário Farmhouse). Sound bites e poluição sonora que são alimento para a continuação de audiências deste programa.

Mas não me quero alongar nesta discussão e atear mais o fogo já instalado. Quero debruçar-me sobre um aspeto mencionado no debate que assisti onde foi sugerida a criação de uma disciplina intitulada Inteligência Emocional e  citar um professor com experiência e com o qual me identifico: Acabo de ouvir uma psicóloga a afirmar na TV que devia de existir uma disciplina de inteligência emocional nas escolas. Nestes meus anos como professor, e mais uns quantos como aluno, já ouvi uma série de gente sugerir a criação de disciplinas novas na escola. Normalmente na área da educação para as relações humanas (Educação Sexual, Educação Financeira, Política, Formação Cívica, Inteligência Emocional, etc..)

Eu pergunto: E que tal os pais educarem os seus filhos?

Sobre “educarem os seus filhos”, que deve ser claramente responsabilidade dos pais, penso que a sociedade atual tem contornos complexos e os pais não podem ser culpados de tudo, mas sim ajudados em contextos específicos com profissionais e privados do juízo público.

Centrando este texto na criação de disciplinas como forma de combater a falta de algum tipo de educação ou colmatar fragilidades nas crianças e adolescentes penso que há alguns cuidados a ter que se prendem com o formato. Estas disciplinas, espaços, são ou foram pensadas para ajudar a refletir e informar jovens sobre inúmeros temas: gestão financeira, relações sexuais, mindfulness e sugestões como inteligência emocional.

Considero que, dependendo do formato e da apresentação e trabalho desenvolvido em torno de cada tema, poderão existir alguns aspetos positivos. No entanto particularizar e segmentar temas que funcionam como um fluxo no nosso dia-a-dia, remetendo para horas e espaços específicos assuntos que estão interligados na nossa sociedade, não os tornam holísticos e “naturais”.

Questões como a Inteligência Emocional, devem ser sentidos e vividos no nosso dia-a-dia e não em 45 ou 90 minutos dentro de um bloco. É quase como se pretendêssemos arrumar o medo, amor, tristeza, alegria em caixas separadas. Como se a vida fosse preto no branco e passível de ser quantificada.

E este deve ser um aspeto a considerar sempre quando queremos colmatar “uma falha” na educação dos nossos jovens. Não é a criação de uma nova disciplina que pode fazer a diferença, mas sim a capacidade desenvolver uma competência sem a fechar num bloco.

 

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