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“Nada justifica a nossa demissão num acto eleitoral”

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Sim, hoje tenho a certeza que se estivesse no ensino em tempos que já lá vão, teria sido presa, amordaçada ou pior, pois não abdicaria da minha opinião, nunca seria capaz de comer e calar. Respeito-me e a todos os que exercem esta profissão. Sei que vivemos tempos obscuros e sei que tudo parece fechar-se diante de nós. A política do medo impera mesmo entre aqueles que, como nós, transmitem as ferramentas de um pensamento livre e crítico. E sim, sei que trabalhamos com amor, imenso amor ou não seria de todo possível vencermos esta tempestade. Mas isto não nos transforma em carneiros sem opinião, sem voz. Somos pensadores, somos os mais preparados para ensinar cidadania, como podemos então não cumprir com o dever cívico que é também direito, ganho com sangue, suor e lágrimas. Nada justifica a nossa demissão num acto eleitoral. Permitimos que quem fez de nós tapete e afirmou que seria nas urnas o seu “julgamento”, possa hoje sentir tudo justificado, a bem da nação. E é esta sensação amarga de premiar aqueles que só não conseguiram a nossa prisão efectiva que fica neste momento. Ainda estou a tentar perceber se o que assisti ao longo desta (des) governação foi imaginação minha ou se realmente temos um país de fraca gente.

Sei que não vou baixar os braços  pois acredito que não é dessa forma que sei viver. E se não for para mim, que esta minha resiliência sirva pelo menos para as próximas gerações. Nada se muda se pararmos e nós sabemos bem como se transforma o mundo com as nossas mãos. Os professores existem para formar pessoas. E os alunos existem porque há professores para os ensinar. E não podemos ter calma quando tudo é possível fazer-se, menos no que toca à educação e aos professores. Tenho pena que ainda tenhamos professores que pensem dessa forma. Temos sido usados como arma de arremesso entre os poderes do país. Entre partidos políticos, nos meios de comunicação, entre os sindicatos, todos nos movem um ataque cerrado sabendo que nunca abandonaremos os seus filhos, pois que apesar de tudo no-los entregam.

É com imensa tristeza que acredito ser desta forma passiva o alienar do futuro dos nossos filhos, do futuro de Portugal. A esperança é que a abstenção não seja a vencedora no próximo acto eleitoral e que saibamos ensinar pelo exemplo o que é ser Cidadão, assumindo os nossos deveres e usufruindo dos nossos direitos.

“Uma nação vale pelos seus sábios, pelas suas escolas, pelos seus génios, pela sua literatura, pelos seus exploradores científicos, pelos seus artistas”

Maria do Rosário

Professora do 2º Ciclo do Ensino Básico

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