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Na sala do 1.º ciclo cabe tudo…

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Antes de começar a falar sobre o tema, gostaria de dizer que os horários do 1.º ciclo têm uma distribuição da carga horária por disciplina e que independentemente disso os docentes devem articular as várias disciplinas de forma a criar um ensino estimulante e interligado com as vivências diárias dos alunos.

No seguimento do meu último artigo desta rubrica, gostaria de insistir e analisar um pouco melhor a disciplina “Estudo do Meio”.

O “Estudo do Meio” contém no seu programa: educação para a saúde, educação para cidadania, educação ambiental, ciências experimentais, educação rodoviária, biologia, história e geografia (será que me esqueci de alguma?!). Ou seja, é uma disciplina que em três horas por semana, ao longo dos quatro anos letivos, desenvolve nove “temas”, dando diferentes prioridades e carga horária.

Mas, nas salas do 1.º ciclo também há apoio ao estudo, oferta complementar, introdução à programação e tecnologias de informação e comunicação. E depois, também temos os projetos da escola, do agrupamento, do município, além dos projetos da turma. E não me posso esquecer dos concursos e algumas propostas da DGE.

Na sala do 1.º ciclo cabe tudo…

Neste modelo atual de organização dos horários das turmas, com esta carga horária e número elevado de alunos por turma, está-se a provocar um esgotamento físico e de motivação nos docentes e nas escolas.

É importante criar uma disciplina que seja referência para a articulação no desenvolvimento das atividades/projetos, que sirva para interligar e motivar os alunos com a realidade de cada comunidade educativa e permita que os docentes organizem e preparem de forma mais adequada a participação das turmas.

As vantagens da utilização de uma prática letiva baseada na metodologia de projeto são grandes e podem ser uma boa base prática para a reformulação do ensino atual. Ela permite criar ligações mais fortes e responder aos desafios que são apresentados à Escola.

A avaliação das aprendizagens pode ser mais diversificada e acompanhar o percurso do aluno de uma forma mais ampla. Pode estar mais centrada no percurso e menos na avaliação da compreensão/memorização de alguns factos, não deixando de avaliar o produto final como um todo e um trabalho global onde existe aquisições.

A problemática da aplicação de alterações no 1.º ciclo pode estar no diferente investimento que os municípios realizaram nas escolas. Como qualquer professor do 1.º ciclo contratado sabe, de um concelho para o outro a diferença de recursos pode ser significativa. Nuns tudo há, noutros nada existe.

A responsabilidade política separa o pré-escolar e o 1.º ciclo dos restantes ciclos de ensino e cria situações de desinvestimento em algumas escolas, que geram assimetrias e desigualdade de oportunidades para as comunidades.

Existem escolas do 1.º ciclo onde não é possível utilizar o projetor/quadro interativo ou os computadores (em alguns casos por serem relíquias), por responsabilidade e falta de manutenção dos municípios. O que impossibilita trazer para dentro da sala de aula um conjunto de ferramentas pedagógicas que respondem à modernidade e hábitos dos nossos alunos.

Outro exemplo da assimetria entre as realidades educativas dos concelhos é a realização das provas de aferição de expressões, em que muitos alunos terão de se deslocar para outro estabelecimento de ensino para a realizar, enquanto que outros poderão realizá-la confortavelmente no seu espaço escolar.

Nas escolas 2/3 ou secundárias podemos encontrar equipamentos adequados e em condições de funcionamento, porque são da responsabilidade do ministério da educação, que garante a gestão de forma equitativa para todos os agrupamentos.

Na educação tudo está relacionado, e no pré-escolar e 1.º ciclo temos sentido desinvestimento e falta de apoio…

Gonçalo Gonçalves

Professor do 1.º ciclo

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