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Na Primeira Pessoa – Palavrões

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desculpaMais cedo ou mais tarde tinha de acontecer, era uma questão de tempo… Hoje a “pequena” da casa disse um daqueles palavrões que não soam nada bem. Daqueles que ressoam dentro da cabeça…

Durante as suas brincadeiras, já tinha dito um “parvo” ou um “porra”, nada de muito grave. Bastava dizer o nome dela em tom de aviso e pronto, não fazia disso um “pé de guerra”.

Já li que nestas ocasiões há quem defenda que se deve ignorar, para não empolar a situação. Talvez pudesse ter optado por esse caminho. Talvez… Só que ela sabia o que estava a dizer, pois um dos meninos da sua sala refere esse palavrão de forma recorrente. Foi daí que ela foi “beber” o impropério.

O que fiz?

O que provavelmente a maioria das pessoas faz. Engrossei e elevei (não gritei) o tom de voz e repreendi-a. A sua atitude mudou… Imperou o silêncio, os seus olhos baixaram, bem como os seus braços, unindo as suas mãos à frente do corpo evidenciando a vergonha e o embaraço do momento. E assim ficou durante uns minutos. Esses minutos, esses preciosos minutos, foram fundamentais. O sentir que tinha desiludido o pai, que tantas vezes lhe diz que tem orgulho nela, era uma dura lição. O ser contrariada, repreendida e sentir o desconforto desse instante, faz parte da sua educação. Neste processo que é educar, o lidar com a adversidade tráz humildade, maturidade e obviamente disciplina. Tal vai acontecer inúmeras vezes, para isso é que cá estamos, para lhes indicar o caminho quando eles pisam o risco.

Mas o processo não estava concluído…

Depois de dar tempo para a reflexão, é essencial “construir” novamente. Explicar-lhe que os palavrões não devem ser ditos, que existem limites e regras que não podem ser ultrapassadas, mesmo que os outros não as cumpram. Aos poucos foi-se aproximando, ainda de olhar cabisbaixo… Seguiram-se os mimos, o conforto do abraço do pai, o colo tão esperado e muitos, muitos beijinhos. Depois de umas breves palavras a pedir desculpa, chegou a tão esperada frase “pronto filha, já passou…”

Sei que vai voltar a dizer palavrões, é inevitável! No entanto ficou a saber que o pai não concorda com isso e que não vai tolerar que o faça à sua frente. Foi estabelecido um limite. Um limite que não pode ser ultrapassado, pois se o fizer vai voltar a sentir aquele desconforto, aquela vergonha de não ser o orgulho do pai.

Custou-me? Não… Sei que foi para bem dela, foi a forma de lhe dizer que a amo, mesmo que ela nem se tenha apercebido… Um dia será ela a fazer o mesmo 😉

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