Início Editorial Monodocente – O Parente Pobre Do Sistema Educativo

Monodocente – O Parente Pobre Do Sistema Educativo

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Ainda alguém se lembra do dia 8 de junho de 2017, o dia em que muitos professores do 1.º ciclo depositaram reais esperanças nas palavras de António Costa, que havia reconhecido, tempos antes no debate quinzenal da Assembleia da República, que de facto havia uma discriminação para com os professores monodocentes.

Contudo, nada foi feito, sobretudo porque aqueles que têm o dever ético e deontológico de nos defender,  que são os nossos representantes legais perante a tutela, foram sempre apáticos, frouxos e, até vou mais longe, coniventes com uma política discriminatória em relação aos monodocentes.

Assim, naquela altura perdeu-se a oportunidade de aproveitar intervenção do Primeiro-ministro e obrigar a que se acabasse com esta discriminação e que de uma vez por todas se deferisse os interesses e legítimos direitos deste sector profissional da educação.

O 1.º ciclo, a par do pré-escolar, são os que terminam o ano letivo mais tarde, piorando o cenário quando na última semana de aulas são presenteados com umas Provas de Aferição,  no caso do 1.º ciclo.

No 1.º ciclo os professores (monodocentes) trabalham 25h em comparação com as 22h dos colegas dos outros ciclos (pluridocentes).

No 1.º ciclo a redução da componente letiva verifica-se apenas a partir dos 60 anos, passando nessa altura para as 20h, quase iguais às 22h de sempre dos outros colegas, para além de que nos outros ciclos a redução verifica-se a partir dos 50 anos (e bem e até já foi a partir dos 40). A juntar a isto tudo os pluridocentes com 60 anos tem 14h de componente letiva “contra” as 20h dos monodocentes!

Este continua a ser o quadro atual, e mesmo depois do Primeiro – Ministro ter reconhecido que havia necessidade de criar condições, onde houvesse efetivamente discriminação, que tem a ver com situações de monodocência que não beneficiam de redução de horário, nada foi feito nesse sentido, nem pela tutela, nem pelos sindicatos.

Todos os monodocentes ficariam extraordinariamente agradados se os sindicatos, a partir do próximo ano letivo, começassem, finalmente e de forma concreta, a zelar e pugnar pelos interesses dos monodocentes e renegociassem compensações efetivas, com especial incidência para os docentes do pré-escolar e do 1.º ciclo com uma carreira mais longa e que já sentem um acumular de desgaste enorme, em vez da concessão da dispensa da componente letiva aos 25 e 33 anos de serviço. Um professor aos 60 anos ter uma componente letiva de 20h é desajustado, injusto, discriminatório, contrariando todos os princípios pedagógicos e sendo totalmente contraproducente.

Fico a aguardar pela vossa agenda, e gostava de “ver” que efetivamente estão a zelar por nós.

Não se esqueçam que os professores precisam de vocês, como força que pode intervir e negociar melhores condições de trabalho, mas o inverso também é verdade pois nós somos a  única razão da vossa existência.

Por isso, deixo o repto , lutem pela não discriminação destes profissionais, Educadores de Infância e Professores do 1º Ciclo do Ensino Básico.

Alberto Veronesi

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3 COMENTÁRIOS

  1. Não, temos é que nos fazer à vida e mostrar o que somos e valemos, nomeadamente lutar por ver reconhecido o nosso trabalho e dar-lhe visibilidade social, nomeadamente junto dos nossos pares, incluindo nos sindicatos… O Sindicato somos nós, a força do nosso querer… Mas é preciso querer e lutar nos sítios próprios por isso, mobilizarmo-nos para a ação concreta e não nos refugiarmos na desculpa habitual, a culpa é dos sindicatos…

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