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Monodocência

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monodocênciaEstou plenamente convencido, que uma consulta pública aos professores do 1º ciclo, sobre a monodocência traria à superfície, a minha convicção pessoal, de que a maioria recusa o seu fim.

A relação afetiva entre alunos e um único professor, proporciona um melhor relacionamento escolar nos primeiros anos de escolaridade e uma capacidade do professor coordenar as diversas disciplinas, numa perspetiva interdisciplinar.

Atualmente na maioria das escolas, apenas em turmas do, 1º, 2º e 4º anos se mantem a monodocência, havendo alguns casos de pluridocência, com especial incidência nas disciplinas de Matemática, Português e Inglês.

Na maioria dos casos temos turmas com um professor em falsa coadjuvação, com a troca do professor titular da turma, (com um segundo titular) pelo que vem dar aula de Português ou Matemática. No caso do Inglês, em que o professor é substituído duas horas semanais, dá apoio a alunos de outra turma e no pior dos cenários, fica sem duas horas letivas, que depois compensa na Atividade Extra Curricular da tarde.

No próximo ano letivo, a experiência do Inglês lecionado por outro professor, alarga-se ao 4º ano, ficando a monodocência limitada ao 1º ano e 2º ano.

O 1º ciclo tem sido palco de todo o tipo de experiências e o cansaço começa a fazer mossa, nos excelentes profissionais, que lecionavam com entusiasmo sempre renovado.

A alteração do regime de aposentação, com a compensação absurda e facultativa, de dois anos sem componente letiva, que salvaguardava a especificidade da sua ação de monodocência, também começa a contribuir para a extrema fadiga, quer pela sua ação psicológica, dos que estão a meio da carreira, quer, nos que pensavam estar no final e têm pela frente, mais seis ou sete anos de serviço.

Duilio Coelho

7 COMMENTS

  1. Desafio a Frenprof a fazer uma consulta aos professores do 1ºciclo… se a maioria achar bem o fim da monodocência, não escrevo mais uma linha sobre o assunto. Agora que tudo foi decidido nas costas dos visados…foi!

    • Há dois anos a Fenprof realizou uma conferência nacional para debater as questões do primeiro ciclo e durante a sua preparação foi pedida a participação dos professores quer para debater as questões a levar à conferência (entre elas estava a da monodocência) como para propor e eleger os participantes na dita. A participação dos professores do primeiro ciclo foi ínfima e foi muito difícil conseguir arranjar participantes. Dessa conferência saiu um documento orientador que serve de bússola para a ação sindical nesta área.
      Mesmo assim, vai iniciar-se este mês uma campanha nacional dedicada ao primeiro ciclo. Servirá para ouvir os professores e sensibilizar a opinião pública acerca dos problemas específicos deste ciclo de ensino. Quem não quiser sentir que há decisões que são tomadas à revelia, participa.

      • Conversa da treta colega Catarina, o Mário vendeu-se ao poder. Verdadeiramente nunca defendeu o 1º ciclo

  2. Seria bom saber quantos sócios do 1ºciclo perderam! Os sindicatos sempre querem o melhor para os seus associados. Agora explique como é possível aceitar que um professor fica 2 anos sem componente letiva para depois lhe esticarem a carreira para os 66 anos. Qual a reação quando saiu esta legislação? Para alguns pouco importa, pois sabem que não vão estar com alunos de 6 anos aos 66.
    A conferência tinha um professor Galego que veio elogiar a pluridocência que até funciona muito bem na Galiza, mas em portugal com os mega e as ditaduras dos diretores, o 1º ciclo está definitivamente na mó de baixo, funciona com o menor número de professores possível. Para isso contribuem as 27,5h letivas.

    • Está a ser reivindicado um estatuto de aposentação específico para professores com base na evidência de que a profissão docente é uma profissão de grande desgaste. Este estatuto permitirá a aposentação com 36 anos de serviço, se não estou em erro, independentemente da idade. Isto não será fácil de alcançar. Quem nos atacou e roubou vai fazer tudo para difamar e tentar virar a opinião pública contra isto, contra nós. Veja-se o que tem acontecido com a notícia do descongelamento das reformas antecipadas na função pública, apareceu logo uma campanha a pôr trabalhadores do privado contra trabalhadores públicos.
      Todo o ensino foi alvo de um grande ataque nestes últimos anos. É muito o desgaste, a descrença e aquilo que se perdeu. O processo de recuperação não será à velocidade que a nossa paz mental necessitaria mas ninguém está parado. O que é importante é contribuir e participar. Os sindicatos têm mais força quanto mais apoiados forem pelos trabalhadores. Também é a participação dos trabalhadores que permite ao sindicato saber o que é preciso reivindicar.

  3. “O fim da monodocência abriria caminho à redução do tempo lectivo ao longo da carreira.”PauloGuinote
    Aos 60 anos 5 horas, pouca coisa! A não ser que a tutela resolvesse dar um brinde ao 1ºciclo. O 79º igual para todos.
    Começar com a redução aos 50 anos, com a pluridocência, mesmo com mais umas horas letivas é melhor do que os absurdos 2 anos sem dar aulas.(Admito assim a pluridocência)

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