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A moda dos “bad boys” (fofinhos)

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Sentada no bar da escola observo alguns alunos: os encontrões, os gritos, a linguagem, a inquietação, a força do grupo. Só apetece berrar-lhes: “Animais! Calem-se!”. Mas, inevitavelmente, sobe-nos toda a pedagogia e com muita calma tentamos resolver a situação apelando ao bom senso. Ao senso que não é comum e onde o bom é relativo.

O senso não é igual quando as vivências são tão diferentes e o senso é tão diferente quando estou sozinho ou quando estou em grupo.

Um amigo meu disse-me uma vez: “Agora estamos na moda do ser diferente, ser “bad boy”. Qualquer  dia ser “certinho” é que vai estar na moda.” A moda define comportamentos que na maior parte das vezes nada tem a ver com a nossa individualidade. Assumimos comportamentos e apropriamo-nos de maneirismos, roupas e atitudes para sentir que pertencemos a um grupo.

Já todos passámos pela adolescência e sabemos hoje que os nossos limites pessoais são traçados por aquilo que vivemos. Gerimos os comportamentos dos jovens com os quais lidamos, ou que simplesmente observamos, pelos nossos enquanto mais novos. E é por isso que os mesmos comportamentos são geridos de maneira diferente por diferentes professores. Ainda que exista um regulamento interno na escola, em última instância é o nosso “regulamento interno”, e absolutamente individual, que traça o limite.

Os “bad boys” físicos ou verbais andam aí. Os professores lidam com eles todos os dias e todos os dias é mais um dia de gestão de emoções e gestão de conflitos. Para uns é uma tarefa menos difícil do que para outros, porque a descrição que fazemos de um aluno é diferente aos olhos de cada interveniente.

Já passaram por mim muitos “bad boys”. Recordo-me de ouvir, quando trabalhei com uma turma PIEF: “O segredo é encontrar o líder e criar uma relação com ele para ter a turma na mão” Não é de todo incorreto. O ênfase não está no encontrar o líder, mas sim na relação que se estabelece com ele individualmente e acima de tudo, com cada um.

Creio que para conseguir gerir turmas difíceis, do ponto de vista comportamental, é preciso direcionar o comportamento do grupo através de cada aluno. A máscara dos “bad boys” cede quando estão sozinhos e quando se perde (ganha) tempo a conversar e a desconstruir egos.

O grupo tem uma força poderosíssima, mas é no trabalho individual que se pode fazer a diferença.

Não há milagres, não há receitas e muitas vezes não há resultados para gerir turmas complicadas, mas penso que existem três fatores essenciais: agir sobre o indivíduo; ter uma liderança forte; não ceder nas regras nivelando por baixo. E, claro, persistência.

 

Há “bad boys” “fofinhos” à espera de ser resgatados. De alguém que lhes saiba tirar a máscara e que lhes permita um olhar crítico sobre o “grupo”. Até lá pode ser que a moda do certinho chegue.

Maria Joana Almeida

 

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