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Ministro da Educação prefere a bola ao Parlamento

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Eu também prefiro, mas eu não sou Ministro da Educação… Há dias escrevi um pequeno artigo onde fiz um ultimato (quem sou eu, mas enfim…) ao Ministro da Educação, dizendo-lhe para aparecer ou sair, um pouco ao estilo do que ele fez com os professores quando disse, ou aceitam 2 anos ou não levam nada.

Não é de agora que se fala que estamos na presença de um não ministro, sem presença e fraco politicamente, e não é por acaso que Tiago Rodrigues está em último lugar no ranking dos ministros. Verdade seja dita, a pasta da Educação é uma trituradora de ministros, há sempre guerra e a culpa não é apenas da tutela…

Porém, não deve, atrevo-me mesmo a dizer não pode, o Ministro da Educação, sair de casa quando esta está a arder. Ele tem o pelouro do desporto, tudo bem, mas fica mal, fica mesmo muito mal, preferir a “bola” ao Parlamento. Julgo que não é preciso ser-se grande cientista para perceber isso (não resisti à piada fácil)…

Estamos perante mais uma confirmação daquilo que já todos percebemos, este ministro tem o destino traçado. A questão que falta responder é quando, quando é que sairá, se antes ou depois das eleições.

Nota: peço desculpa por publicar o 7º artigo no mesmo dia, tento não passar dos 4/5, mas estamos numa fase em que é difícil cumprir esse limite.

Numa altura em que o governo está num braço de ferro com os professores, sendo este o momento mais tenso que se vive na pasta da Educação, o ministro Tiago Brandão Rodrigues decidiu rumar a Moscovo para assistir ao jogo de Portugal, ausentado-se do país.

Esta foi também a razão para que o ministro não tivesse marcado presença no debate quinzenal que hoje decorreu na presença do primeiro-ministro e de todos os restantes membros do governo.

Desta vez, o Ministério da Educação decidiu contrariar a prática habitual e não enviou qualquer comunicado oficial sobre a viagem do ministro a Moscovo.

No entanto, fonte oficial da tutela confirmou ao i a deslocação do ministro a Moscovo, fazendo-se acompanhar da sua assessora. Recorde-se que o ministro Tiago Brandão Rodrigues tutela o desporto existindo no ministério um secretário de Estado com responsabilidades exclusivas no desporto e na juventude, que não se deslocou à Rússia.

A deslocação do ministro acontece ainda numa altura em que está em curso, desde há duas semanas, o maior protesto de professores desde que este governo tomou posse: a greve às avaliações dos alunos.

A única vez que o ministro fez declarações públicas sobre a greve foi no parlamento, durante um debate em plenário, há cinco dias.

Um dia antes do início da primeira greve, a 4 de junho, o ministro falou à imprensa no final da última reunião negocial com os sindicatos que terminou sem qualquer acordo sobre o descongelamento das carreiras para os professores. Desde então que o ministro se tem remetido ao silêncio.

Questionado pelo i sobre os motivos de ausência e o silêncio do ministro, o Ministério da Educação diz que “o ministro esteve visível e falou publicamente no final das reuniões com os sindicatos, o que nem é comum porque se tratam de reuniões regulares de trabalho”. A tutela argumenta ainda que “depois a agenda seguiu normalmente, com idas a escolas, eventos públicos e não públicos e ao parlamento”.

No entanto, há 15 dias que a tutela não envia aos órgãos de comunicação social qualquer nota de agenda pública do ministro. A última nota de agenda de Tiago Brandão Rodrigues que chegou à comunicação social tem a data de 5 de junho e diz respeito a uma visita realizada pelo ministro ao Conservatório de Lisboa para a apresentação da reabilitação do edifício. Para esse evento o ministro foi acompanhado do primeiro-ministro.

Desde que arrancou o protesto que o único membro da tutela a fazer declarações e a prestar esclarecimentos tem sido o secretário de Estado da Educação, João Costa, que já veio a público explicar as orientações enviadas às escolas, onde constam as regras a adotar durante a greve. Ontem, João Costa participou ainda num debate da TSF sobre o tema das greves e reuniu na semana passada, no norte do país, com as escolas.

Hoje no parlamento foi a secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, a representar o Ministério da Educação.

Tudo isto tem feito com que os professores tenham vindo a questionar a existência de um ministro da Educação.

Esta já não é a primeira vez que, em momentos tensos da sua tutela, o ministro Tiago Brandão Rodrigues se ausenta e se remete ao silêncio. Já em 2016, quando o ministério enfrentou o primeiro momento de forte contestação, com os colégio a manifestarem-se contra o corte dos contratos de associação, Tiago Brandão Rodrigues decidiu rumar ao Brasil para assistir aos Jogos Olímpicos, fazendo-se acompanhar da sua assessora.

Nessa altura, coube à secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, tomar as rédeas do conflito, por parte do governo.

Outra situação de ausência foi quando os professores agendaram uma manifestação à porta do parlamento enquanto decorria o debate do Orçamento do Estado. Nesse dia, Tiago Brandão Rodrigues foi internado no Hospital de Sta. Maria por tempo indeterminado com vertigens agudas.

Fonte: I

5 COMMENTS

  1. O Ministro da Educação foi a Moscovo,à bola?E fez muito muito bem!
    Por acaso sabem que a competência da política desportiva também lhe pertence? Por acaso também sabem que o Ministro da Tutela acompanha sempre o Presidente da República nas suas deslocações aquando acontece um facto que é inerente à sua gestão política? Sou leitora assídua deste blog já que tem como objetivo procurar ser isento…embora nem sempre o consiga…De facto para se analisar e avaliar o estado da educação é preciso que cada um se descentre da sua própria condição e interesses…A educação é concebida para servir uma sociedade inteira e quem a paga deve saber exigir bons resultados …não é pertença nem de pais,nem de alunos,nem de docentes,nem técnicos,nem dirigentes ou auxiliares disto e daquilo.Claro,aí todos os agentes educativos,especialmente os docentes, são essenciais …mas não são exclusivos.E os seus dirigentes são para todos os “utentes”daí eu discordar da sua eleição ,praticamente,pelos pares.
    Entendo a luta dos Profs..mas gostaria de ter visto o Sindicato do M Nogueira a fazer esta luta e greve à avaliações no tempo da crise.Considero-a miserável! Os alunos não têm culpa e estão a os seus direitos !
    O Ministro da Educação foi a Moscovo?Se calhar foi-se inspirar em CR7..pode ser que o seu exemplo colha em muitos educadores que só se sabem queixar e cumprir muito pouco.Lamento …servi a educação quase 40 anos,desde o etmpo do fascismo,pertenci ao grupo de estudos do pessoal docente quandoa ssinar uma revista era crime político,nãos e ganhava nas férias ,tinha de se efectivar a 50 Km de casa,gganhava-se muito pouco,etc,etc,Sempre lutei por um estatuto condigno e apesar disso sempre gostei do que fiz..
    Mas,assim não vale! As vezes envergonho-me das atitudes de certos educadores,sobretudo mediante a “banana”do repórter!Basta uma maçã podre para dar cabo de um classe inteira!
    Hoje,conheço a escola pelos processos e produtos que me chegam através das escolas dos netos e confesso que fico doente com tanto laxismo,demissão e queixinhas. Para se ter razão não se pode calçar o chinelo ou no dizer e bem do autor deste artigo..não se pode utilizar a piada
    Mais haveria a dizer mas não cabe neste contexto e sei que os autores deste blog prestam um bom serviço ao interpelar outros pontos de vista.Cumprimentos .

  2. Eu também posso ir à Rússia ver a bola e levar os meus alunos?
    Saberá a colega que estamos em greve, já desde o dia 04 de Junho, alguns de nós com sacrifícios consideráveis? A observar reuniões que mais não são que o ME a fazer toda a gente perder tempo? A testemunhar o atropelo da lei e da justiça mais básica?

    Pode vir com os argumentos que quiser, mas dispenso a inspiração desportiva e a “bola”. As nossas carreiras estão em jogo e, aparentemente, temos pela frente mais um mês e tal disto, enquanto o sr. Ministro aproveita para ir ver jogos de futebol com despesas pagas por todos nós.
    Talvez fosse altura de o sr. Ministro se assumir enquanto Ministro do Futebol e demitir-se da pasta de que parece esquecer-se diariamente na gaveta, a da Educação.

    O sistema educativo NÃO pode estar atrás do futebol, em termos de prioridades.

    • Tem muita razão …designadamente quanto à república das bananas e à questão da ética …é tudo uma questão de exercício de clarificação de valores.Esta ética “protestante” ,nesta altura, não leva a lado nenhum e como aprendi com bons mestres que ética e moral são complementares…É preciso saber se todas as carreiras,incluindo os aposentados estão a ser tratados com equidade e equivalência!Ou há moralidade ou comem todos.
      E, fico por aqui!

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