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Ministro da Educação – Críticas ao Governo e Visão Conservadora da Educação

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AnabelaMinistro diz que quem critica o Governo tem visão conservadora da Educação

Quem ocupa cargos de responsabilidade política deve ter, a meu ver, um extraordinário cuidado com o tipo de afirmações que produz no exercício das suas funções não só pela responsabilidade inerente ao cargo que desempenha mas também pelo exemplo escancarado perante os olhares mais ou menos atentos dos restantes cidadãos deste país. Ora este é, sem qualquer dúvida, o caso do ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, que, ao reduzir a crítica que se levanta aqui e ali à sua actuação ao resultado de uma mera visão conservadora, mete toda a gente no mesmo saco numa generalização intolerável para qualquer espírito que se assume como livre para exercer o seu direito ao uso da massa de neurónios com que foi dotado e que foi estimulando, mais ou menos, ao longo de seu desenvolvimento enquanto ser humano pensante.

O não, se amadurecido para além do não porque não, dá muito trabalho, por vezes até dá uma trabalheira do catano porque deve ser justificado, já agora o sim também deve ser sempre justificado, e porque frequentemente ruma em sentido contrário ao sim ditado pelas massas ou ao silêncio que tudo consente vindo dessas mesmas massas sendo, assim, profundamente inconformista.

A História avança enormemente à custa deles, destes nãos inconformistas que se elevam muitas vezes corajosamente, já que, frequentemente, produzem cortes, por vezes radicais, com a ordem estabelecida e frequentemente ditada por quem ocupa cargos de relevo, em suma, pelo poder vigente. A opinião contrária, pensada, ponderada e sustentada, deve ser escutada com atenção porque é na opinião contrária à opinião vigente e ao “politicamente correcto” que pode residir o progresso individual e colectivo. Um exemplo – a carne era consumida crua até ao momento em que passou a ser cozinhada o que provocou uma ruptura e isso foi fundamental no nosso processo evolutivo.

O ministro da Educação, ao fazer a afirmação que fez, no mínimo de uma infelicidade imensa, dá um péssimo exemplo às gerações que neste momento se sentam nas cadeiras das nossas salas de aula e dá um contributo inestimável para a falta de oxigénio que se sente neste país em que, quem faz uma crítica negativa à actuação de um governo do PS é logo rotulado de conservador e quem faz o mesmo tipo de crítica a um governo PSD é logo rotulado de comuna ou bloquista. Ora esta é uma visão preconceituosa e é a típica visão de quem olha para a crítica e para o não como se de uma arma letal se tratasse sendo certo que a sua matança, pela mordaça ou por outros métodos ainda mais gravosos, resultaria na desgraça colectiva a curto, médio e longo prazo.

Por isso, vivam as vozes discordantes! Em Educação e no resto. E só para dar um exemplo, pequenino de crítica e de não – será saudável e aceitável andarmos a responder sim ou não às provas de aferição a sete ou oito semanas do fim do ano lectivo?

Se estes procedimentos provocam indignação entre alguns poucos ou muitos professores, isto faz de nós profissionais conservadores?

2 COMMENTS

  1. Vamos ter mais do mesmo, Anabela. Começa a parecer-me um efeito de bola de neve ao contrário, ou seja, começa grande e rebola até se retransformar num floco. Tu vais ver que o ministro ainda acaba a dizer, no final do mandato, que as turmas têm, em média, doze ou treze alunos (descontando as alunas, claro).

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