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Ministério avestruz e do curto prazo.

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Em vez de ministério da Educação proponho que se chame de «ministério avestruz e do curto prazo». Avestruz porque em relação ao Covid19 tem o comportamento desta ave, que sempre que vê perigo enfia a cabeça na areia para o ignorar, na medida que resolveu não divulgar o número de escolas com restrições de funcionamento devido a esta pandemia, ou seja, com alunos, professores ou funcionários em quarentena ou infetados. A DGS pode tomar medidas não consensuais, mas no que respeita à informação do que se passa com os surtos desta pandemia atua com transparência. Mas pelas contas contas feitas por órgão de informação ou blogs a pandemia já atingiu o funcionamento de 12 a 16 escolas. Convenhamos que não são números alarmantes, tanto mais que nenhuma fechou na totalidade, o que ainda torna mais difícil de compreender esta imitação da robusta ave.

Por outro lado, o ministério da educação faz navegação à vista porque dois problemas que se podem colocar ao nível de ensino resultam de haver um corpo docente envelhecido e a dificuldade em arranjar professores substitutos em alguns grupos disciplinares de lecionação – https://www.comregras.com/falta-de-professores-nas-escolas-reservas-de-recrutamento-estao-a-esgotar-se/ -, não mereceram até agora qualquer medida, ainda que com efeitos a longo prazo, por parte da atual equipa ministerial. Para o primeiro problema devem estar à espera da UE e dos seus milhões para avançarem com as pré-reformas com o problema a ser adiado ano após ano e convém não esquecer que esta equipa chefiada pelo mesmo ministro, com algumas mexidas a nível de secretários de Estado, já tem 5 anos de governo. O segundo problema já começa a fazer-se sentir nas escolas, com os atestados médicos e com as declarações médicas. Um indicador disto é pela primeira vez as substituições já não avançavam com base em telefonemas a pedir professores substitutos, agora recebemos um mail da direção, na véspera, a organizar as substituições para o dia seguinte com pelo menos uma dezena de situações, com mobilização de vários professores em trabalhos não letivos, pois os que estão na bolsa da escola para as substituições já não são suficientes.

Concluindo, temos um ministério que imita uma ave e ignora o que se passa nas escolas com problemas relacionados com a pandemia e sem capacidade de pensar a prazo e equacionar o problema do envelhecimento do corpo docente – 63% dos professores com mais de 50 anos – e resolver a escassez de docentes em certos grupos na bolsa de recrutamento.

Rui Ferreira

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