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Milhares De Alunos Continuam Sem Professor

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Hoje o Correio da Manhã denuncia vários casos de falta de professores, apontando algumas justificações para o que está a acontecer.

O futuro está mesmo ao virar da esquina…


Milhares de alunos por todo o País continuam à espera de professor mais de dois meses após o arranque do ano letivo. Na Escola Maria Irene Lopes Azevedo, na Amadora, várias turmas de 1º ciclo ainda não têm professor, obrigando a distribuir os alunos por outras turmas que ficaram sobrelotadas. “Há turmas com 40 alunos apesar de a lei não permitir que tal aconteça. A escola toda está a ser prejudicada”, afirmou ao Correio da Manhã Alline Schuaigert, encarregada de educação.

A direção do Agrupamento de Alfornelos garante aos pais que está a cumprir os procedimentos, mas não encontra os docentes necessários através da Reserva de Recrutamento (RR).

Todas as semanas o Ministério da Educação (ME) continua a colocar centenas de professores através destas RR. Esta sexta- -feira, só no 1º ciclo foram colocados quase uma centena de docentes. Representam mais de 2 mil alunos à espera de professor. Mas muitos docentes acabam por não aceitar as colocações e não são penalizados por isso. As escolas são obrigadas a recomeçar os processos, enquanto os alunos esperam.

Na Escola D. Pedro IV, em Monte Abraão (Sintra), cinco turmas do 8º ano estavam até há uma semana sem aulas de Geografia, disciplina que tem prova de aferição. A professora meteu licença de parto e a escola não conseguiu quem a substituísse. “Nunca imaginei tanta dificuldade. O sistema não funciona.

Tivemos de distribuir o horário por outros professores que passam a fazer horas extraordinárias. Tivemos de mexer nos horários de outras turmas”, explicou ao CM José Carlos Cruz, diretor do Agrupamento de Escolas Miguel Torga, explicando que o ME autorizou nestas situações o pagamento de horas extra para adicionar até sete horas letivas no horário de cada docente.

Escolas começam a ter escassez em várias disciplinas

A situação que se vive em várias escolas agrava-se também devido à falta de docentes que se começa a fazer sentir em algumas áreas. “No passado, os professores só começavam a escassear no 3º período, mas agora estamos no 1º período e já há áreas sem professores disponíveis”, como a Matemática, afirma Filinto Lima, lembrando que “este ano os cursos de educação ficaram desertos, porque os jovens não querem ser professores”.

Envelhecimento da classe docente agrava problema

A maior parte das situações de falta de professores deve-se à substituição de docentes de baixa médica. O problema tem-se agravado nos últimos anos, devido ao desgaste e envelhecimento da classe docente. “Não há rejuvenescimento do corpo docente e os atestados médicos são um problema”, diz Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas.

PORMENORES

6 mil estavam de baixa

Em março, a ADSE revelou que havia 6 mil docentes em baixa médica de pelo menos dois meses. A estes juntam-se 5 mil em mobilidade por doença.

Pais oferecem-se

Na Escola Vasco da Gama, em Lisboa, os pais dos alunos prontificaram-se no início do mês para dar aulas, uma vez que ainda faltavam professores de Inglês e de Física e Química. Desgaste afeta 12 mil A Fenprof estima que haja quase 12 mil professores com problemas de saúde devido ao desgaste da profissão.

Exaustão emocional

Mais de três quartos dos professores portugueses revelam sinais de exaustão emocional, segundo um estudo da Universidade Nova de Lisboa.

Fonte: Correio da Manhã

18 COMMENTS

  1. Muitos professores rejeitam não porque apetece! Mas sim porque é impossível arranjar casa em Lisboa e arredores em tempo record (sábado e domingo).

    • E que não custe mais do que vai ganhar (a maior parte das vezes nem horário completo é)…

      Os diretores e os jornalistas dizem coisas erradas (os jornalistas, porque não sabem nem querem saber como funciona, os diretores… porque lhes dá jeito…).

  2. “Mas muitos docentes acabam por não aceitar as colocações e não são penalizados por isso.”
    Como???
    Não é verdade!
    Se não aceitarem, saem da listagem RR!

  3. E este exemplo: um horário completo e anual foi parar à reserva de recrutamento. Semana após semana da reserva alguém era colocado no horário aceitava e denunciava no dia a seguir. Houve até um candidato que disse só ter concorrido para ver se era colocado e que já estava a trabalhar no privado! Realmente se o tempo de serviço no privado conta igual ao do público para que é que os contratados se hão-de chatear a ir trabalhar numa escola pública longe de casa? No tempo dos mini-concursos ninguém podia negar nada se não a penalização era grande. Hoje mesmo que não aceitando sejam retirados da RR ainda podem concorrer às ofertas de escola.

  4. Muitos professores não aceitam porque is horários nao compensam. Quando são pedidos horários de substituição, se o docente em questão tiver horas de redução, o que é colocado como horário é apenas a mancha letiva, ou seja faz com que muitos horários passem de completos a 18h, 15h. Depois os professores recrutados são de muito longe, ou seja denunciam e sim, são penalizados. O ideal seria fazerem como nos Açores, preferencia regional, ora vamos lá colocar os professores nas suas regiões e não a km de distância. Assim talvez o ano letivo decorresse normalmente. E se o colega a substituir tem horário completo o mesmo devia ser dado ao substituto.

    • preferência regional??? Concorro para os Açores há 10 anos e nunca tal ouvi, só mesmo a primeira prioridade de quem tem 356×3 dias de serviço em escolas dos Açores.

  5. Cada vez há menos OTÁRIOS que queiram ser professores. Estamos perante uma profissão de mxxda.

    As pessoas atualmente preferem outras profissões até menos qualificadas que ganham a mesma mxxda e não estão longe de casa.

  6. Ser professor nao compensa, longe de casa, a pagar rios de dinheiro por uma casa que nem casa e, ser mal tratado por alunos e pais chega-se ao fim do mes com menos dinheiro que o salario minimo. A maioria nested situacoes aceita o horario e tenta meter baixa medica e acho muito bem. Uns sao filhos e outros enteados aquela Malta da assembeia da republica ganha rios de dinheiro com ajudas de custo.

  7. Também contribui para esta situação a forma como é feita a colocação dos professores.
    Nos dois anos anteriores entraram muitos professores nos quadros do ME, a maio parte deles na zona de Lisboa.
    O que acontece é que entraram nos quadros mas a mobilidade interna permite que se ponham logo a mexer para outras paragens.
    Concorreram de livre vontade para integrarem os quadros do QZP 7, mas não querem lá por os pés.
    O ME também deveria rever essa situação. Quem pertence a 1 QZP mas não trabalha nele há mais de 2 anos, ou nunca nele trabalhou, deveria ter de dar lá trabalhar no mínimo durante 3 anos, caso contrário seria exonerado daquele quadro.

    Há muitos docentes pertencentes ao QZP7 (Lisboa) que através da mobilidade interna foram para outras zonas, especialmente para o Norte do país. Muitos estão com horários incompletos fora do seu QZP, recebem pelo horário completo e estão nas escolas com o horários completados com horas de treta.

    Não faz sentido abrir vagas para depois as pessoas fugirem da zona que lhes permitiu efetivar.

    Não adianta abrir mais vagas de quadro enquanto não se obrigar as pessoas a trabalhar na zona em que efetivaram pelo menos durante 2 ou 3 anos, no mínimo.

  8. Eu não sou professor, como tal desconheço todos os pormenores ligados aos concursos.
    Tento compreender as motivações profissionais (“eu quero ser colocado porque quero ensinar”) e as necessidades logísticas para as concretizar (“quanto me custa [deslocações, renda, etc] estar a trabalhar [durante quanto tempo] na escola em que fui colocado”) que levam à decisão final (“aceito ou não aceito a colocação”). No entanto, ajudem-me a perceber a situação descrita abaixo (localidades geográficas fictícias mas o caso é bem real).
    Imaginemos um professor oriundo de Braga. Compreendo que ser colocado em Lisboa para fazer um horário parcial (ou até mesmo completo) não seja atractivo nem concretizável face às despesas, constrangimentos familiares, etc. No entanto, porque é que esse professor se candidatou à zona de Lisboa, se tal colocação não lhe interessava desde o início?
    Ainda assim, esse professor aceitou a vaga mas, em vez de recusar a colocação, apresenta um atestado médico (para evitar a penalização). Enquanto o atestado médico está em vigor, a Escola / Agrupamento não pode abrir novo concurso. Chega ao fim do atestado, esse professor apresenta-se na escola e entrega um novo atestado. Voltamos à “casa de partida” e, ao longo de todo este tempo, quais as consequências?
    – as crianças daquela turma não têm professor, não aprendem
    – essas crianças são distribuídas por outras turmas (já de si nos limites)
    – a estabilidade dessas turmas “receptoras” e a estratégia pedagógica do respectivo professor são prejudicadas.
    Finalmente, o professor decide deixar de “reciclar” atestados e denuncia a colocação. A Escola/Agrupamento volta à casa de partida (outra vez) para abrir novo concurso.
    Entretanto, as crianças continuam sem professor, as famílias desesperam, o ambiente escolar degrada-se e a imagem pública dos professores fica manchada.

  9. Os professores são maltratados e muito mal pagos. Como é que vão aceitar horários em locais onde não podem pagar sequer uma renda? Parece que está tudo cego! Comecem os governantes a pagar justos salários, a estabelecer horários e condições dignas, a repor os 9 anos, 4 meses e 2 dias que roubaram à classe e a respeitar os professores dado que a educação é a base de um país e a situação começa a inverter-se.

  10. Depois de 17 anos a lecionar hotelaria, passei de bestial a besta! De horários completos a menos de 12hrs semanais, de um ordenado razoável a menos do mínimo nacional e fazer 100km todos os dias que ia trabalhar fora alimentação e desgastes e reuniões fora dos horários de trabalho que nunca são pagas! Agora pergunto aos iluminados/ críticos dos professores… aceitavam estas condições? Eu troco…

  11. Há muitos horários em oferta de escola de Português, Francês, Inglês etc porque os professores foram penalizados.
    e agora? o ministério da educação recusa- se a tirar essa penalização… as escolas estão sem professores …
    os alunos sem aulas e agora?

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