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Metas Curriculares ou os Professores Vistos pelo MEC como uns Totós

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É com enorme satisfação que vos apresento a nova colaboradora do ComRegras, a Anabela Magalhães. A Anabela é uma professora bem conhecida da blogosfera, o seu blogue Anabela Magalhães entre outros que possui, são uma referência. Ultimamente tem andado mais afastada dos artigos sobre educação, mas ao aceitar o meu convite, podemos voltar a usufruir de textos com a qualidade do que se segue, num estilo informal que tão bem aprecio. “Sem Pressões“, é o nome da sua rubrica e sem pressões de periodicidade terá nesta casa.

Sê bem-vinda Anabela 😉

Metas Curriculares ou os Professores Vistos pelo MEC como uns Totós

O post que hoje partilho é sobre metas curriculares. Vejamos o caso da disciplina de História, no 7º ano de escolaridade: o MEC estabeleceu metas curriculares que guardam dentro de si quatro domínios, ou temas, trinta e cinco subdomínios, ou subtemas… e a módica quantia de cento e setenta e oito descritores de desempenho, ou seja, na terminologia usada antes da chegada do ensino por competências, cento e setenta e oito objectivos puros e duros, uns mais simples, outros mais complexos, outros mesmo demasiado complexos para a faixa etária a que se destinam. Nas outras disciplinas o panorama é mais ou menos idêntico e mais ou menos deprimente.

AnabelaMas hoje nem vou por aqui e trilho um outro caminho de crítica – confesso que não gosto deste tipo de cartilha única, implícita nas metas curriculares, que espartilha todos os Professores portugueses por igual e que a considero mais um instrumento de menorização de toda uma classe profissional, demonstrativa da desconfiança do chefe relativamente aos seus subordinados. Estou mesmo convencida que o anterior ministro Nuno Crato, em cujo consolado foram paridas as metas, não confiava nos professores portugueses. Só assim consigo compreender a sua introdução, num claro retrocesso face ao ensino por competências, à revelia de tantas vozes críticas que se levantaram vindas deste sector, mas não escutadas pela tutela, para variar!, deste ministério que ora é ME, ora é MEC mas que devia, sempre, introduzir alterações bem pensadas, maturadas, experimentadas, avaliadas, que não nos obrigassem a acelerações bruscas seguidas de retrocessos… igualmente bruscos. Só pela falta de confiança nos professores portugueses consigo compreender que alguém considere benéfico obrigar todos os docentes deste país a seguir uma bíblia imposta por um deus que se considera maior e que não admite contestação, que impõe a a mesma métrica, a mesma ladainha, a mesma melodia e que mata, logo à nascença, qualquer lampejo de diversidade e de criatividade por parte de quem está no terreno e que somos nós, Professores, profissionais da docência deste país.

Confesso que não gosto dos rebanhos acríticos. Confesso que abomino ver-nos tratados como totós incapazes de levar a sua missão a bom porto sem que o deus MEC nos trace a trajectória muito bem traçadinha e a defina muito bem definidinha reduzindo o espaço para a nossa diferenciação dentro da sala de aula, reduzindo a nossa capacidade criativa, amesquinhando-a até pela imposição destas metas que eu considero humilhantes.

Apesar de cansada deste mete, tira, dá-lhe nova roupagem e volta a reintroduzir o que antes tinha sido tirado, deste faz e desfaz constante num sector que considero primordial para os destinos deste país, espero, sinceramente, que este ministro seja capaz de as fazer implodir, explodir, eu sei lá!… mas que as faça desaparecer. E que seja capaz de confiar nas capacidades de um corpo docente que não se resigna à mera execução acrítica, à mera funcionalização de um sector que deve ser criativo e diverso, e não deve ser espartilhado em camisas de força criadas algures num acto de iluminação que irradia para Norte, para Sul, para Leste e para Oeste, para o Interior e para o Litoral, para professores altos, magros, viajados ou não, verdes ou amarelos, felizes ou deprimidos… obrigando-nos a todos, ao mesmo tempo, a entrar num uniforme não desejado, não solicitado, medonho.

Anabela Magalhães

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