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Metamorfose de verão: de professor a inspetor…

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espiarTerminado o ano letivo, aqueles que são vistos ao longo do ano como académicos, pedagogos e didatas, transformam-se rapidamente em detetives em causa própria, vasculhando listas de ordenação na ânsia de encontrarem algum “chico-esperto” que, num raide de desonestidade, fure as teias da ética e da decência.

É triste assistirmos a esta desconfiança entre colegas, ainda para mais quando é estampada na primeira página de um jornal.

DESTACAMENTO DE PROFESSORES POR DOENÇA INDIGNAM COLEGAS

Mas porque razão sofremos esta transformação professor – “PJ concursal”?

O primeiro motivo é obviamente o excesso de professores que “lutam” por alguns lugares de colocação. A mera ideia de continuar desempregado, ou perder a colocação, mesmo quando precária, deixa qualquer um em alerta, ainda para mais quando se tem filhos para criar.

O segundo, é a evidente desconfiança dos professores no controlo efetuado pelo MEC e pelas escolas. Depois de assistirmos ao longo de tantos anos, a inúmeras alterações concursais, e ao “ocultamento” de vagas que depois foram atribuídas a quem por sorte estava em determinadas situações, assistimos também a critérios abusivos, utilizados por algumas escolas para ficarem com determinado professor. Esta falta de fiscalização, originou uma obsessão em controlar tudo o que é listas e colocações. Analisar, fiscalizar, vigiar,  denunciar, passou a ser sina de muitos professores em tempo de férias.

Por fim, a falta de ética e desonestidade de alguns colegas. No início deste ano letivo assisti a “lapsos” que deviam envergonhar qualquer um . Compreendo que muitas destas atitudes são por desespero, pois após tantos anos de estudo e de investimento pessoal e familiar, abdicar de um sonho, de uma vocação, leva-nos a fazer o impensável. Mesmo assim, existem certos valores que nunca devíamos abdicar, ainda para mais na nossa profissão.

A suspeita hoje lançada sobre os colegas que pediram destacamento por condições específicas é grave. Já não basta uma pessoa ser obrigada a pedir destacamento por razões, que nenhum de nós gostaria de ver na nossa vida, ainda por cima terem que viver na sombra da desconfiança.

Se houve aproveitamento, os prevaricadores devem simplesmente ser banidos de futuros concursos. Aproveitarem-se da fraqueza dos outros é um golpe baixo que não se coaduna com o estatuto de um professor.

Que venham as férias que estamos todos a precisar.

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