Home Escola E se a Matemática deixasse de contar para a média de acesso...

E se a Matemática deixasse de contar para a média de acesso ao Ensino Superior?

545
12

Não perdi a cabeça meus caros e sei que o que acabei de escrever é perfeitamente absurdo e estúpido. Apenas peguei no exemplo da matemática para responder a José Eduardo Lemos que teima em vincar uma posição que fez passar enquanto presidente do Conselho de Escolas, de que a Educação Física não deve contar para a média de acesso ao Ensino Superior. Parecer esse, que foi publicado já depois do prazo de validade desse Conselho de Escolas ter terminado (lembram-se da questão do atraso nas eleições?)

Reparem nos dois últimos parágrafos do seu artigo de opinião ao jornal Público.

Assim, a solução que melhor defende os interesses da escola pública é aquela que não prejudica os alunos que não conseguem obter classificações em Educação Física alinhadas com as das restantes disciplinas e, simultaneamente, valoriza aqueles que se esforçam e empenham em nela obter bons resultados. A disciplina de Educação Física sairia prestigiada. Mas qual, então?

A classificação da disciplina de Educação Física deve contar para todos os efeitos — transição de ano e média final de conclusão de curso — e não ter qualquer efeito na graduação para acesso ao ensino superior, a menos que, neste último caso, seja do interesse dos alunos.

Caro José Lemos, permita-me responder-lhe da seguinte forma:

Se pretende defender os interesses dos alunos e das suas médias, porque razão teima em pegar numa disciplina onde a ESMAGADORA maioria dos alunos apresentam médias elevadas? Costuma olhar para as pautas dos alunos? Perguntou aos seus colegas Diretores se a disciplina de Educação Física baixa a média dos alunos das suas escolas?

Qual o estudo que possui e que prova que há muitos alunos que são prejudicados na média pela disciplina de Educação Física? Como pode afirmar o que não consegue sustentar, ainda por cima num Conselho das Escolas???

Se o problema é a média, não faria mais sentido eliminar a matemática, a física, ou a química, da média de acesso ao superior, já que são reconhecidamente as disciplinas que os alunos costumam ter mais dificuldades e que apresentam notas mais baixas? Não seria do interesse dos alunos???

Pretende defender os alunos e as suas médias, ou quer camuflar o preconceito que possui para com a disciplina de Educação Física com uma argumentação obtusa?

E se quer realmente defender os alunos, lembre-se de todos os outros que têm dificuldades em todas as outras disciplinas e que apesar do seu esforço não conseguem as médias pretendidas. Porque não os defende também???

Equidade, igualdade, são princípios que certamente defende, e se os defende, ao menos que proponha que os alunos possam eliminar da média de acesso ao superior as disciplinas que bem entenderem e não apenas a disciplina de Educação Física. A disciplina de Educação Física é uma área curricular igual a todas as outras. Só se pretende que esta se torne facultativa? O problema são os níveis de obesidade em Portugal que nos coloca no fundo da Europa, uma chatice para a argumentação…

Sejamos sérios e vejamos as coisas como elas são e não como queremos que sejam…

P.S- não deixa de ser curioso que o seu artigo seja tão parecido com o parecer do “seu” Conselho das Escolas… Mas ambos sabemos o motivo para tal…

12 COMMENTS

  1. Duas premissas:
    – um aluno coxo, consegue ter a nota que quiser a matemática, desde que trabalhe, em EF não sucede o mesmo;
    – a avaliação a EF devia ter em conta o ponto de partida do aluno. Avaliá-los como atletas, quando têm 3-4 semanas de cada modalidade, o que impede qualquer desempenho de excelência numa atividade desportiva, produz injustiças terríveis.

    Em relação à questão da média de acesso ao ensino superior, não havendo coragem para mudar o atual sistema, que premeia quem frequenta certas escolas privadas, resta permitir que os alunos abdiquem da disciplina com pior “nota” para efeitos de cálculo da média no concurso de acesso ao ensino superior. Foi assim durante muitos anos.

    • – um aluno coxo, consegue ter a nota que quiser a matemática, desde que trabalhe, em EF não sucede o mesmo;
      E um aluno com dificuldades necessidades educativas especiais????
      – a avaliação a EF devia ter em conta o ponto de partida do aluno. Avaliá-los como atletas, quando têm 3-4 semanas de cada modalidade, o que impede qualquer desempenho de excelência numa atividade desportiva, produz injustiças terríveis.
      Atletas??? Se os professores de Ed. Física cumprissem o programa de olhos fechados chumbavam montes de alunos. Se há coisa que os professores têm em consideração é a dedicação, o esforço e a evolução do aluno.

  2. É uma falácia estabelecer paralelos entre Educação Física e Matemática, porque esta é opcional enquanto aquela é obrigatória.
    A única posição séria quanto a esta matéria é a que consta do parecer do CE: a classificação de EF conta para o acesso segundo opção do aluno.

    • Opcional??? Desde quando é que a Educação Física é opcional Agnelo? O Agnelo é diretor e diz uma coisa destas? Esclareça por favor.
      Educação Física e Português são as únicas áreas curriculares transversais a todas as áreas e cursos profissionais.

  3. Se a nota de EF contar beneficia a maioria dos alunos, como se diz acertadamente, mas prejudica alguns. O problema é que estes prejudicados são sobretudo alunos com médias muito altas, candidatos a Medicina e aos cursos “de topo” nas engenharias e área da saúde. E aqui uma simples décima pode fazer a diferença.

    A questão é, faça-se como se fizer, será sempre injusto para alguém. A única solução é cada aluno ter a nota merecida em cada disciplina e essas notas contarem apenas para o que devem contar: a conclusão do secundário.

    O acesso ao superior deveria ser um processo separado, da exclusiva responsabilidade das universidades e politécnicos. E já agora, é tão irrelevante para a qualidade de um futuro médico ter 19 ou 20 a EF como a Matemática.

    Nada disto faz sentido, e enquanto andarmos aqui às voltas nunca chegaremos ao problema de fundo: o consenso de regime em relação ao ultrapassado modelo de acesso ao ensino superior, que ninguém quer pôr em causa.

    • Brevemente vai sair um estudo com os dados oficiais do ENES, onde fica claramente comprovado exatamente o contrário do que afirma e que era o “argumento mentiroso do Crato”, ou seja: que são mais os alunos com médias alta e muito altas, candidatos a Medicina e aos cursos “de topo” nas engenharias e área da saúde, que ficam prejudicados, que os beneficiados.

  4. A questão é: há alguma disciplina do currículo do ensino secundário que nāo conte para a média final??? Porque é que a Educação Física deve ser tratada de forma diferente???

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here