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Mas O Mundo Acaba Se Os Exames Forem Cancelados?

Pais, alunos, professores, diretores e Ministério da Educação, carregam esta cruz da implementação dos exames, como se os exames fossem um qualquer ritual de ascensão obrigatório para aceder ao "céu" educativo.

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Os exames têm um princípio de uniformidade e controlo do ensino que é implementado nas escolas. É o maior atestado de desconfiança que é feito ao trabalho dos professores em sala de aula. Os exames avaliam o desempenho direto dos alunos, mas também avaliam o desempenho indireto dos professores.

Passado uns meses, é ver toda a gente a analisar médias internas, externas, desfasamentos, rankings, como se a premissa que determina se a nota vai mais para cima ou mais para baixo, os alunos, fosse chapa 5, ou seja, todos iguais!

É a forma mais rápida e perversa que o Estado arranjou para indiretamente fiscalizar o trabalho dos docentes, já que o acompanhamento nas escolas é residual ou nulo.

Que se lixe o trabalho individualizado, que se lixe a diferenciação, que se lixe os contextos sociais e económicos dos alunos, que se lixe as infraestruturas das escolas, que se lixe toda a ideologia de flexibilidade curricular que tem vindo a ser imposta nas escolas nos últimos 5 anos.

O que importa são aqueles 90 ou 120 minutos de caneta na mão a despejar o que se aprendeu em 9 meses… Corra bem, ou corra mal…

Vivemos em estado de emergência e anda tudo a pensar onde raio vamos encaixar os exames. Adiamos para setembro, pondo em causa o início do ano letivo? Adiamos para outubro, para dar 1 mês de preparação aos alunos caso as escolas fiquem encerradas durante o verão?

Pais, alunos, professores, diretores e Ministério da Educação, carregam esta cruz da implementação dos exames, como se os exames fossem um qualquer ritual de ascensão obrigatório para aceder ao “céu” educativo.

Não são, podem ter um papel a desempenhar como referi em cima, mas esta carga de importância que lhes damos é a meu ver profundamente negativa e castradora para um ensino que precisa de ser cada vez mais focado na realidade.

Estou cansado de ouvir colegas a dizer “ai isto” e “ai aquilo”, por causa da porcaria dos exames. Chegamos ao 9º ano, 11º ano e 12º ano, ninguém espera pelos miúdos, é sempre a dar, acompanhas, acompanhas, não acompanhas vai para as aulas de apoio ou como 50% dos alunos fazem, arranja uma explicadora. C’est la vie!

Por isso questiono, será que a sociedade confia no trabalho que é feito nas escolas? Este não será suficiente para validar e certificar um aluno que queira seguir para o ensino superior? Precisamos efetivamente de realizar um ritual anual, ainda por cima em situação de emergência nacional?

Alguns vão logo argumentar, “pois, mas há escolas que dão notas internas muito altas/muito baixas”. Verdade, como há professores que fazem testes mais difíceis e mais acessíveis, como há exames que num ano são mais fáceis que noutros anos, ou que há anos que existem mais vagas no acesso ao superior do que noutros, ou como a minha vizinha que tem dinheiro para pagar 8 horas de explicações individuais, etc, etc, etc.

A avaliação é sempre subjetiva, nunca será perfeita e vai depender sempre de tudo e mais alguma coisa, até do pequeno-almoço que o aluno tomou ou não tomou…

Há muito que penso que o acesso ao ensino superior deve ficar a cargo do ensino superior. Cada faculdade deve ter o seu sistema próprio de acesso, ajustável aos seus objetivos.

Só que é muito mais prático para o ensino superior ter a papinha toda feita com as classificações internas e externas definidas, continhas todas feitas e incluídas nas candidaturas para depois só ter de levar com o carimbo e a respetiva propina.

Para quê complicar? Que necessidade temos de criar mais pressão às famílias, aos alunos e às escolas, numa situação de pandemia, onde as pessoas só pensam e falam no “covid”.

Afinal qual é o objetivo? Não é o de alimentar as faculdades, perdão, colocar alunos no ensino superior? Com ou sem exames, eles não vão quase todos lá parar?

Cancelem os exames ou deixem esta cruz para as faculdades carregarem se assim quiserem. Há outras prioridades neste momento.

Alexandre Henriques


Pais e professores defendem adiamento do acesso ao ensino superior para setembro ou outubro

 

13 COMMENTS

  1. COMPLETAMENTE DE ACORDO!
    “Há muito que penso que o acesso ao ensino superior deve ficar a cargo do ensino superior. Cada faculdade deve ter o seu sistema próprio de acesso, ajustável aos seus objetivos.”

  2. Se o problema passar para as universidades ainda vai ser pior.
    Os alunos terão de fazer Deslocações pelo país, coisa que no contexto atual nao é muito saudável.

  3. CONCORDO. ACHO QUE NÃO É ALTURA PARA SUBMETER OS JOVENS AOS EXAMES. É UMA SITUAÇÃO iNESPERADA PARA TODOS. DEVERIA SER CRIADA UMA PETIÇÃO PARA O EFEITO.

  4. Wow fico tão mas tão feliz de não ser a única a pensar assim. A matéria nos exames muitas vezes não serve de nada para o que se vai dar na faculdade e eu sou testemunha disso. Tenho um curso de auxiliar de veterinária e a única coisa que se dá na área relacionada com medicina veterinária é uma parte de biologia, quase nada de quimica e de matemática é da mais simples. Inclusive tenho a minha melhor amiga no curso de medicina veterinária e diz exactamente o mesmo e ela ja ta no terceiro ano. Sempre achei que as faculdades deveriam criar um sistema próprio de acesso a cada curso pois os exames são muito relativos e gerais….

  5. Sem dúvida que as faculdades é que deveriam examinar os alunos! Assim, seria tudo mais justo para todos. Até para aferir a verdadeira preparação dos alunos dos colégios privados!
    Acredito que haja muita pressão para que tal não aconteça.Só assim se compreende que ainda não se tenha tomada essa medida.

  6. Concordo. E porquê a média não é suficiente e juntar um teste psicotecnico para avaliar a verdadeira vocação do aluno. Porquê a importância de exames do 11o que contam 40%!!! Em que muitos com 16anos ainda nem sabem o que querem seguir… É agora que os jovens a ver este cenário, com familiares a morrer, é que estão psicologicamente preparados para fazer exames, quando o futuro parece tão incerto. Tirem este peso aos jovens. É às famílias.

  7. Concordo perfeitamente. Mas parece-me que vão fazer de nós, e dos alunos do secundário, cobaias.
    Vão-nos por a dar aulas na primeira semana de maio e assim mantêm os exames e ao mesmo tempo fazem o ensaio…

  8. Esta é uma situação muito preocupante. Tenho um filho no 12 ano, e não percebo porque é que os exames ainda foram cancelados. Adiar não é solução! Se os alunos do profissional se podem candidatar ao Ensino Superior sem fazer qualquer exame… Muitos deles não tem conhecimentos quase nenhuns. O processo de candidatura ao Ensino Superior tem que ser repensado. O modelo atual não tem sentido! Os exames nacionais não têm todos o mesmo grau de dificuldade… alguns são verdadeiras aberrações, tal como os critérios de correção. Como é que há exames nacionais com média negativa? A bota não bate com a perdigota! Se o ME define os conteúdos e o IAVE depende do ME deveria haver uniformidade entre o que é ensinado e o que se avalia. É urgente debater este tema!

  9. Nunca podemos passar a responsabilidade de selecionar alunos 100% para as faculdades. Pois se fizermos isso deixa de haver sentido em frequentar o secundário, os alunos têm educação em casa e aqueles que não têm condições em casa vão à escola, e depois quando for altura faz-se os testes que a faculdade requer e entra-se. Não é que eu me importe com o cenário anterior, até gostava bastante que as coisas fossem assim, mas isso cria também perdas de eficiência relativamente ao sistema atual (que esta longe de ser bom, mas tem os seus benefícios). No cenário criado os alunos estão a preparar-se exclusivamente para os exames daquela faculdade, em que querem entrar, pelo que se tivessem vontade de se candidatar a outra (por medo de não passar nos exames da primeira ou simplesmente por vontade, uma vez que nestas idades saber o que se quer é a exceção e não a regra) terão que estudar para algo completamente diferente em termos de sistema, dificuldade e conteúdo, isto é, torna impossível a candidatura a duas faculdades (nem se chega a pensar em mais que isso; atualmente são 6 no máximo); qual é a solução que se pensa, para o problema anterior, que os exames têm que ser minimamente parecidos entre as várias faculdades, ora, senhoras e senhores, chegamos ao nosso destino, exames nacionais.
    E que tal eliminar os exames e deixar só a avaliação interna (ou seja, a avaliação dos 3 anos de curso secundário), também não funciona (pelo menos melhor que os exames) já que existe muita diferença entre escolas e professores. Não se trata de duvidar do trabalho dos professores, trata-se que, por exemplo, em escolas privadas as notas internas são extremamente inflacionadas (médias de 15 passam para 17 ou 18, sem motivo algum); e há professores mais exigentes (normalmente no ensino público), que fazem testes difíceis e muitas avaliação que não envolvem testes (apresentações, pesquisas, etc.), que acabam por dar notas mais baixas (o problema aqui não é a exigência destes e a discrepância para a exigência dos outros, porque no final só se vê a nota, não se vê a dificuldade associada). Os exames nacionais vêm (longe de perfeitamente, mas muito melhor que não se fazer nada) resolver isso, é o unico fator de igualdade no ensino português inteiro; todos os alunos passam por eles, todos os anos independentemente de quem eles são. Eu percebo que haja variações na dificuldade dos exames de ano para ano, tem de se resolver isso, criar exames sempre no mesmo nível (e para aqueles que dizem que isso é impossível, pergunto por que é que acham que as faculdades vão conseguir manter esse mesmo nível todos os anos, se passar-mos a responsabilidade para elas? Se as faculdades conseguirem também se consegue aqui nos exames nacionais). Eu não tenho a certeza, mas acho que os professores também são avaliados consoante a nota dos seus alunos nos exames, não sei como é que isso se processa, mas se o processo for bom, então bons professores não têm nada a temer dos exames; eu sei que há alunos que não querem saber da escola e que esses vão sempre ter má nota (tem que se adaptar o tal processo para lidar com isso, por exemplo rodando o aluno por vários professores, cada ano tem um novo, para ver se algum consegue meter-lhe senso na cabeça e no final se ainda tiver má nota, não é responsibilidade de nenhum e não afeta a avaliação de nenhum professor).
    Eu sei que mesmo nos exames nacionais há desigualdade, já que alunos com mais dinheiro podem ter explicações com excelentes professores, e com isso é quase garantido 17 ou mais no exame, mas mesmo assim continua a ser melhor do que não haver exame, porque esses alunos (que têm explicações) continuam a ter algum mérito pois têm de estudar e aprender (o explicador não faz o exame por eles), e aqueles que não têm nada (nenhuma explicação) se se esforçarem muito também conseguem tirar 19 e 20 nos exames (e digo isto, não como quem diz da boca para fora, mas sim por experiência).
    Todo isto e acabamos por esquecer os alunos externos, que já acabaram o secundário mas querem aumentar a suas média para entrar noutro curso superior (um curso para o qual atualmente não têm média), a única forma desse conseguirem isso é através dos exames nacionais; falo principalmente de alunos que querem, por exemplo, entrar em medicina mas não conseguiram por décimas, por exemplo a sua media foi de 177.5 e naquele ano o último a entrar em medicina tinha media de 177.8 (as notas são calculadas de 0 a 200, por isso as notas que usei como exemplo são respetivamente 17.75 e 17.78), é ridículo que estes alunos não possem ter oportunidades de subir a média para entrarem no curso que querem.

  10. Sou aluna do 12 ano e não faço ideia do que vai acontecer, não sei o que estudar nem se estou a estudar bem a matéria que me deram nas aulas online. Não é com aulas online que vamos lá. Resolvam este problema. Façam como no R.U em França e Itália que os exames foram cancelados. PREOCUPEM SE COM A SAÚDE DA POPULAÇÃO E NÃO EM EXAMES DE ESCOLA.

  11. Entreguem a seleção dos alunos às universidades, os alunos que escolham para onde querem ir e façam os exames nessas universidades.

  12. “porcaria dos exames”? Olhe que se economista e ex-ministro da educação Nuno Crato e a Sociedade Portuguesa de Matemática ouvem falar disso ainda o desfazem… E o rigor e exigência?

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