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Mário Nogueira está confuso… “O Diretor não está nas escolas para exercer a autonomia, está lá para controlar as escolas”

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Quem o diz é Mário Nogueira numa interpelação feita pela SIC e que podem ouvir carregando no link em baixo.

Fenprof quer extinção do cargo de diretor de escola

No início das declarações Mário Nogueira até tem razão ao exigir a extinção do cargo do diretor, permitindo com isso uma maior democracia nas escolas. Porém, ao argumentar que os diretores são o “tentáculo” do Ministério da Educação, dando mesmo a entender que estes não querem autonomia querem é controlar as escolas, então estamos perante de alguém que não conhece a realidade e vive num mundo de ódios e fantasmas que não ajudam em nada a escola pública.

Se há coisa que é consensual entre os diretores é o desejo de autonomia, chegando ao ponto de quererem contratar os professores mesmo sabendo que os professores estão contra essa ideia.

A minha escola carece de maior autonomia
Estudo ComRegras – A Palavra aos Diretores e Presidentes de Conselhos Gerais

E se há coisa que também ficou clara no inquérito ComRegras, é que os diretores estão francamente divididos sobre o modelo de gestão, onde quase 50% afirmou que preferia um modelo colegial. Por isso colocar tudo no mesmo saco não me parece uma boa ideia…

A Escola deve ter um modelo de gestão
Estudo ComRegras – A Palavra aos Diretores e Presidentes de Conselhos Gerais

Convém não esquecer que a criação da figura do diretor, veio da mente iluminada de Maria Lurdes Rodrigues, centrando mais poderes mas também atribuindo mais responsabilidades aos novos empossados. Acredito também que alguns deles “babaram” com a figura do todo poderoso diretor, mas sei que muitos dispensavam esta figura, até para não ficarem reféns do “conclave” do conselho geral.

Se Mário Nogueira julga que o sentimento dos diretores para com a tutela é de um amor/agradecimento profundo, então está muito enganado, pois no mesmo estudo ficou claro que a relação entre ambos há muito passou a fase da lua-de-mel, conforme podem ver no gráfico em baixo e na declaração do diretor Agnelo Figueiredo, recentemente entrevistado pelo ComRegras.

trabalho-reconhecido-me
Estudo ComRegras – A Palavra aos Diretores e Presidentes de Conselhos Gerais

 

Quais as limitações que a Lei e a tutela lhe impõem que mais condicionam o seu trabalho?

A obsessiva centralização do sistema é asfixiante, como é deprimente a desconfiança da administração educativa relativamente ao trabalho nas escolas. É infindável o número de “merdinhas” emanadas dos serviços centrais e regionais que têm de ser meticulosamente executadas, quantas vezes com prazos incumpríveis. É como tenho dito: Enche-se a boca com a autonomia mas cada vez mais se indiferenciam as escolas, fazendo tábua rasa das suas especificidades e tratando-as como meras delegações do omnipotente Ministério da Educação. Péssimo!

A responsabilidade do cargo da FENPROF não pode ser descurada, tem defendido os professores como poucos e o reconhecimento fica aqui feito, porém, caminhar sistematicamente o caminho do conflito, vendo fantasmas em tudo o que mexe, é um tiro nos pés e o minar de consensos que seriam muito úteis para a comunidade educativa.

Para quem não viu o inquérito feito aos diretores e presidentes de conselhos gerais, podem acedê-lo aqui.

 

 

 

13 COMMENTS

  1. O debate sobre esta questão é sempre salutar. Só não percebi bem a interpretação que é feita do último gráfico, pois parece-me que apenas cerca de 8% dos diretores não sentem o seu trabalho valorizado pelo Ministério da Educação.Ou é o contrário?

  2. Creio que M Nogueira não está confuso.

    a)Muitos directores controlam as escolas e muitos com verdadeiros tiques de caciques autoritários, muitos deles não percebendo nada da realidade da vida da escola-alunos, professores e pessoal em geral ;Como fazem pouco mais, à excepção dos inícios e finais de anos lectivos,nada como se entreter a vigiar ……….

    b)”Se há coisa que é consensual entre os directores é o desejo de autonomia” . Para controlar der modo diferente?

    Pois, parece que sim.

  3. Isto é apenas um fogacho do Nogueira para tentar manter entretida a malta dele.
    Estou convencido de que a esmagadora maioria dos diretores não atua agora de forma diferente do que fazia quando o órgão era colegial, nem desdenha do regresso a essa modalidade.

  4. Boa tarde:
    Agradecia, por favor, que retirasse o texto anterior e colocasse este com algumas correções
    Muito obrigado.

    ”A mudança legislativa efetuada no tempo da saudosa professora Lurdes Rodrigues foi a pedra de toque para todas as mudanças, na sua maioria extraordinariamente negativas, que sofreu a Escola Pública.
    A criação do cargo de director, numa perspetiva unipessoal, e a sua eleição pelo Conselho Geral foram os pilares aplicar uma certa política educativa a que alguns chamaram de ‘’ domesticação’’ de docentes e sindicatos…. A partir daí muitos dos profissionais, que estavam habitualmente ligados à gestão dos estabelecimentos, pura e simplesmente se afastaram! Não fazendo generalizações os agrupamentos de escolas passaram a ser dirigidos por indivíduos engajados no sistema político local. As Câmaras Municipais, pela sua representatividade no Conselho Geral, e pela sua influência em muitas das associações que têm assento no órgão que elege o diretor, colocam na cadeira do poder quem muito bem lhes apetece… Perante este desiderato o caso não é bonito… O poder político local encontrou nos Agrupamentos, e ainda a procissão da municipalização vai no adro, o palco politico perfeito para uma viçosa ‘’articulação’’ entre o Diretor e a autarquia (a maior parte das vezes os professores e o resto da comunidade educativa não são aqui tidos nem achados…).
    A Escola Pública foi ‘’invadida’’ por uma avalanche de atividades que não têm por objetivo principal a questão pedagógica mas a promoção do ‘’Evento’’. Ora o ‘’Evento’’ é uma qualquer atividade que encha o olho da população e possa ter , lado a lado, as forças políticas locais e as diretorias … Nesta lógica muitas escolas dão mais importância ao espectáculo do desfile, à angariação de prémios em qualquer concurso, ao cortejo mediático do que às questões que verdadeiramente importam…. Nestes novos tempos uma das cerimónias mais ‘’amadas’’ , até porque é uma das que mais rende em termos políticos, é a festivaleira entrega de diplomas ou dos prémios de mérito para os melhores alunos: sempre com a presença do senhor vereador ou do senhor Presidente da Câmara! Aliás esta conversa fiada da meritocracia e da escola com o Projeto Educativo de excelência espalhou-se, depois do tempo da saudosa professora Lurdes Rodrigues, como lume em palha do centeio… Parece, basta darmos uma ‘’voltinha’’ pelos sites dos agrupamentos, que todas as escolas são o ‘’ nec plus ultra’’ da pedagogia lusa e arredores… Para conseguirem o estratosférico desempenho é necessário um colossal número de atividades gizadas, normalmente, à rebelia da vontade dos professores, mas que eles têm de dinamizar com prejuízo da sua sanidade mental e do ensino que realmente importa… Para colocar em andamento toda esta ‘’tralha’ fazem-se umas centenas de reuniões inúteis e uns milhares de grelhas avaliativas de interesse nulo! Acrescente-se a isto a maneira verdadeiramente déspota com que se comportam certas direcções obrigando os docentes a ‘’montar a tenda’’ e a pegar nos malabares!
    Ora tudo isto, e mais algumas coisinhas, emanam diretamente da legislação corrente. São, por isso, pertinentes todas as iniciativas que promovam a democracia nas escolas e devolvam aos professores o lugar que lhes é devido! Para que isso aconteça é necessário : eleição dos órgãos de gestão em sufrágio direto ; eleição do presidente do Conselho Pedagógico ; eleição dos Coordenadores de Departamento e de Escola. ”

  5. “Se há coisa que é consensual entre os diretores é o desejo de autonomia, chegando ao ponto de quererem contratar os professores mesmo sabendo que os professores estão contra essa ideia.”

    Embora nem [email protected] entendam o conceito “autonomia” da mesma forma, e para que isso acontecesse era preciso um debate geral e aberto (coisa praticamente impossível, atualmente, devido ao trabalho assoberbado a que nos levaram – e a que nos deixamos levar…), esta posição pode ser entendida como desejo de escolher a dedo @s seus/suas mandatá[email protected], relegando para 2º plano a questão do profissionalismo de cada um/a, as suas competências pedagógicas, etc, nomeadamente a quem ainda esteja fora do sistema e, por isso, não tenha tido oportunidade de se “revelar”. Sempre é mais fácil ter quem faça as coisas à sua ([email protected] [email protected]) maneira do que alguém que pense pela sua própria cabeça.
    Felizmente, esta posição relativa à contratação não é consensual entre @s [email protected] e espero que os próximos debates, que se vão realizar entre [email protected], sejam esclarecedores.
    Infelizmente, Agnelo Figueiredo, se fossemos seguir o seu conselho, muitas escolas ficariam sem [email protected] e outras ficariam sobrelotadas!
    As nossas cultura e cidadania ainda não estão suficientemente maduras para se acreditar, ou melhor, confiar, nas “boas intenções” de cada um/a. É esta falta de confiança, transversal a toda a nossa sociedade, que impede que sejamos independentes, autó[email protected], [email protected] e [email protected]

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