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Manuais…Questões E Conclusões

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A ideia de distribuir gratuitamente manuais escolares por todos os alunos que frequentam, no ensino público, a escolaridade obrigatória é boa, mas…

serão gastos 100 milhões de euros em livros, ou seja, direitinhos para as editoras, mas será que:

  • as escolas continuarão sem aquecimento?
  • na escola do meu filho continuará a entrar água pelos telhados?
  • as mesas e as cadeiras de cada sala continuarão mancas e impossíveis de usar?
  • a comida continuará a ter qualidade duvidosa?
  • os professores continuarão diariamente  a ser maltratados, não havendo investimento no combate à indisciplina escolar?
  • os professores continuarão sem ver reconhecidos os seus anos de trabalho?
  • a falta de auxiliares operacionais continuará, obrigando ao fecho das escolas?
  • a racionalização das cópias e do material de apoio à prática não carecia de uma verba superior?
  • o material informático de apoio, computador, projetor não deveriam fazer parte de cada uma das salas deste país?
  • a rede de acesso à Internet não merecia uma revisão?
  • não seria melhor acabar com as rachas nas paredes de muitas escolas, rachas essas que são monitorizadas mensalmente pela Proteção Cívil?

Para além de algumas ideias onde se poderia investir os 100 milhões, ficam ainda algumas dúvidas!

  1. O facto desta medida discriminar os alunos que frequentam o ensino privado, distinguindo assim alunos de primeira e de segunda, não faz sentido! Uma vez que não gastam recursos ao erário público, deveriam, pelo menos ter direito aos manuais.

Ficam algumas perguntas: Será que os alunos do Ensino Privado, não usufruindo do Ensino Público, e com isso poupando aos cofres do estado cerca de 3800€/ano, não têm direito à gratuitidade dos manuais?

Qual a legitimidade que o governo tem para, pelo facto de estudar no ensino privado, lhes retirar esse direito?

Será que muitos dos pais dos alunos do Ensino Privado, que fazem esforços financeiros para os ter em escolas privadas, porque muitas vezes a oferta pública fica aquém na qualidade e na quantidade, não têm direito aos manuais gratuitos?

Muitas vezes a escolha de frequentarem uma escola pública ou uma escola privada é apenas por opção, mas ao discriminarem estão a enviesar o direito da liberdade de escolha!

 

  1. A celeridade de todo o processo deixa muito a desejar. Estamos na terceira semana de aulas e muitos alunos continuam sem acesso aos manuais, ou por dificuldades da plataforma gerar o voucher, ou porque as livrarias estão sem stock, ou mesmo porque algumas deixaram de os aceitar por dividas passadas.

A estes males junta-se a forma aleatória com que os alunos recebem livros novos e reutilizados, deixando à sorte, tal como o totoloto, do algoritmo computorizado.

 

  1. A reutilização, apesar de positiva na globalidade, não faz sentido no primeiro ciclo.

Os próprios manuais não estão adaptados a essa realidade. Todos eles vêm preparados para serem escritos, usando muitas vezes códigos de cores, autocolantes, etc.

E acho que deverão continuar a ser editados assim, pois, no caso de serem mesmo obrigados a reutilizar, aumentará grandemente o número de fotocópias anuais, para compensar a não utilização dos manuais, resmas e resmas de papel serão gastas.

O que será melhor, ecologicamente? Fico com sérias dúvidas na resposta a esta pergunta.

Deverá, portanto, esta medida ser melhorada nos pontos descritos, para que todos usufruam dela, atempadamente e de forma adaptada `faixa etária.

 

Alberto Veronesi

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3 COMENTÁRIOS

  1. Olho para os manuais e penso que foram oferecidos com o dinheiro roubado nos meus ordenados.
    Deixei de usar lápis para esclarecer questões no manual, agora uso caneta.
    Quando sei que o aluno é filho de um evadido aos impostos, a revolta é maior.

  2. A continuar por esta lógica (ou falta dela) a próxima etapa será entregasr aos alunos do ensino privado um subsídio de alimentação correspondente ao que o público gasta nas cantinas. E por aí adiante… Ora, no privado está quem quer ter o luxo que os outros não têm… Como poderá ser recompensada a criança que anda no público e não tem os recursos que têm os do privado???

  3. Essa generalização também tem uma lógica duvidosa porque há quem coloque os filhos no privado e se prive de muitas coisas para poder pagar a mensalidade e há milionários que colocam os filhos no ensino público.

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