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Malabarismos E Contorcionismos

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O PS capturou os partidos à sua esquerda durante todo o seu mandato e agora com esta sua manobra de diversão (ameaça de demissão) fê-lo relativamente aos de direita: PSD e CDS-PP ! Se estou a ver bem as recentes declarações dos líderes políticos destes dois partidos, relativos ao diploma da recuperação do tempo de serviço nas carreiras especiais, são mais um zig-zag (ou um recuo) face ao que já haviam assumido e é justamente a direita que fica muito mal nesta fotografia. Mesmo que o diploma venha a ser aprovado será uma mão cheia de nada pois ficará dependente de dotação financeira para uma rubrica que simplesmente não tem estimativa oficial! Recorde-se que o governo nunca se preocupou em fundamentar os sucessivos números lançados (pelos próprios) ao ar.

A questão financeira é absurda por várias razões! Por um lado porque a rubrica já foi inscrita no orçamento de estado, justamente para que o governo pudesse acomodar o seu impacto. Por outro, porque atendendo aos valores trazidos a público estamos perante um impacto financeiro pouco relevante, mesmo considerando todas as carreiras especiais! Para colocar os custos em perspetiva: a assembleia da república e os respetivos partidos gastam mais de 100 milhões de euros por ano ao erário público nacional. Ou seja, se cerca de meio milhar de assalariados do estado (deputados entre outros) podem absorver mais de 100 milhões num ano (sem que se façam contas a gastos), não vislumbro qualquer problema em que cerca 150 000 funcionários públicos custem mais 400 milhões! Em termos de custo per capita é cerca de 100 vezes inferior ao verificado na assembleia da república!

Já não tenho grandes ilusões acerca de uma discussão séria nesta (ou noutra) matéria por parte da classe política, que deveria centrar-se na avaliação da questão de direito: é ou não um direito destes profissionais (das carreiras especiais da função pública) verem o tempo de serviço contabilizado, de acordo com os respetivos estatutos laborais, e serem reposicionados no devido patamar remuneratório?

Mas na arena do circo político, uma direita esclarecida deveria no mínimo exigir a explicação cabal das contas do governo, que em poucos meses, é capaz de afirmar qualquer coisa e o seu contrário, lançando despudoradamente números mal fundamentados para o ar, sucessivamente ditos e desditos por vários membros do governo, sem qualquer fundamentação ou auditoria!

Pedro Caldeira

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1 COMENTÁRIO

  1. Se eu estivesse no lugar dos deputados do PSD ou do CDS teria agido da mesma forma:
    1 – Pois tendo o PSD apresentado a tal “norma travão” e vendo-a reprovada pelos deputados do PS (que tinham informações privilegiadas do Governo em relação ao dinheiro que havia na gaveta), significava isto que não era por razões financeiras que o Governo não reconhecia o tempo congelado aos professores.
    2 – Sendo assim, o PSD e CDS deixaram correr a maré;
    3 – Quando o A Costa percebeu que os seus deputados tinham estado distraídos e não sabiam o que tinham reprovado, encenou aquela peça de teatro que já conhecemos, conseguindo passar a ideia de que tinha sido a direita a estar distraída e a não saber o que tinha votado;
    4 – É aqui que está a “capacidade” de um verdadeiro artista, como dizia o outro;
    5 – A direita encolheu, mostrando ter medo da demissão do A Costa, esquecendo o ditado “cão que ladra não morde”;
    6 – Também mostrou não confiar muito no bom senso do PR, pois estando as eleições marcadas para outubro, ninguém aceitaria a demissão de um governo para as antecipar meia dúzia de dias;
    7 – E muito mais quando a culpa era dos próprios demissionários, pois esses foram os únicos distraídos e que não sabiam o que estavam a reprovar;
    8 – Por isso, a única saída limpa passa pelo PSD e CDS: manter a palavra dada (escrita ou não) e votar a favor dos professores, deixando ao PS a responsabilidade de aprovar ou não a tal “norma travão).

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