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Mais Uma Vez Arroz, Perdão, Greve De 1 Dia… | A Abertura Do Governo Em Resposta À Greve

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Segundo dados sindicais a greve fechou 1500 escolas, um número relevante que não deve ser desvalorizado. O descontentamento é muito elevado e o aumento provocatório de 0,3% veio incendiar ainda mais a revolta existente.

Esta já está feita e não é por esta greve que o Governo vai mudar uma virgula à sua estratégia. O próprio já tinha assumido alguma margem para superar os 0,3% de aumento. Esta greve, tal como outras, servem mais para sentir o pulsar do coração sindical do que em alterar o que quer que seja. António Costa quando ameaçou com a sua demissão na “crise dos professores” e tendo vencido em toda a linha, estabeleceu a “bitola” para as próximas greves/pressões/reivindicações.

Pessoalmente estou saturado de comer sempre “arroz”, julgo que é preciso inovar na ementa e seguir outra receita sem ser a típica greve de 1 dia. Preferia muito mais uma greve organizada para vários dias, impedindo, por exemplo, o arranque do ano letivo, financiada pelos sindicatos, tal como acontece noutras profissões. “O valor das cotas não é suficiente”, podem perguntar… Não é? Quantos milhares não se gastam em autocarros, bandeiras e afins e porque não aumentar 1,2,3 euros para um fundo de greve a prazo, devidamente identificada e planeada?

Uma luta eficaz precisa de uma estratégia eficaz! Greve de 1 dia é “peanuts” para os olhos do Governo, que até agradecem com a verba que fica do lado de lá.

Outra das estratégias é apostar numa coligação negativa Parlamentar, mas para tal acontecer os ventos têm de soprar de feição. Neste momento, tal não se afigura devido à proximidade das recentes eleições e aumento significativo de partidos.

A greve pode ser uma forma de luta e deve ser encarada como estratégica e estruturalmente viável, a sensação que fica é que os sindicatos não conseguem ver além do previsível, levando-me a questionar até que ponto estão realmente empenhados na luta dos professores e restantes funcionários públicos. Bastava organizar uma greve prolongada para determinados anos, como o 12º ano, a determinadas disciplinas, que seria o suficiente para criar um pequeno tremor de terra político escolar.

E a imagem dos professores, não ficará posta em causa?

Mais ainda? As bocas foleiras de quem critica uma greve no final da semana, como se a meio da semana o desconto no vencimento fosse inferior/superior, ou fizesse alguma diferença aos alunos e encarregados de educação. E o Governo? Merece uma estratégia “leal” depois de tudo o que tem feito aos seus professores? Lembro que este é o Governo que enganou os professores na recuperação do tempo de serviço e o mesmo que não tem a dignidade de colocar-se ao seu lado enquanto levam na cara de alunos e pais.

Há muitas formas de luta que não estão devidamente exploradas e sistematicamente caímos no erro da repetição como se por algum milagre as coisas fossem mudar. O S.TO.P lançou e bem uma nova frente, com uma queixa a nível europeu e que até pode ter pernas para andar.

É preciso sair da caixa, é preciso mudar mentalidades e procedimentos, é preciso gente nova com ideias novas nos principais sindicatos de professores. E já agora, é preciso pensar numa Ordem ou algo semelhante que consiga arrancar das garras sindicais, apresentando uma nova imagem, com capacidade argumentativa fresca e que seja bem aceite na sociedade. Sem o povo ao lado dos professores, até podem fazer o pino que o Governo não irá ceder, eles sabem, os professores sabem e os sindicatos também sabem…

P.S – antes que me acusem de segundas intenções, não sou candidato a nada, nem pertenço a qualquer movimento ou sindicato. Sou e serei sempre um “simples” professor onde o meu objetivo é apenas um, dar aulas.

Alexandre Henriques

Sindicatos dizem que greve fechou 1500 escolas

Governo diz que há “alguma margem orçamental” para negociar com sindicatos

A ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública afirmou, esta sexta-feira, que existe “margem orçamental” para negociar com os sindicatos da função pública, o que levou a convocar as estruturas para uma reunião em 10 de fevereiro.

“A razão pela qual, há já algum tempo convidamos os sindicatos para voltar à mesa das negociações tem a ver com a forma como utilizar alguma margem orçamental que existe, quer para valorizações salariais, quer de outras dimensões do estatuto dos funcionários públicos”, afirmou Alexandra Leitão.

A ministra acrescentou que o Governo não marca reuniões com as estruturas sindicais “com o objetivo de evitar o exercício de um direito fundamental dos trabalhadores”.

“Não é por pressão da greve nem para a evitar que chamamos os trabalhadores e as estruturas sindicais que os representam. É mesmo quando há matérias relevantes de valorização da sua carreira e do seu estatuto que queremos negociar com os sindicatos”, sublinhou, escusando-se a comentar a adesão à greve desta sexta-feira, por não dispor de dados oficiais.

À margem de uma reunião com a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho, em Ponte de Lima, questionada sobre a greve desta sexta-feira na função pública, a governante referiu que “o Governo já tinha anunciado a intenção de sentar-se à mesa com os sindicatos para calendarizar o processo negocial do programa plurianual que está previsto na Lei do Orçamento e que comporta várias dimensões, não só a salarial”.

A “conciliação entre a vida pessoal e familiar com a profissional, as matérias relativas à pré-reforma, à precariedade, à revisão do Sistema Integrado de Gestão e Avaliação do Desempenho na Administração Pública (SIADAP), foram algumas das matérias apontadas por Alexandra Leitão.

O Governo convocou as estruturas sindicais da administração pública para negociar os salários no Estado no dia 10 de fevereiro.

O documento enviado, com a data de 16 de janeiro, convoca os sindicatos para uma reunião de negociação coletiva e define dois pontos de discussão: salários e protocolo negocial – Quadro Estratégico para a Administração Pública (2020-2023).

A Frente Comum da Administração Pública, da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP), convocou em dezembro uma manifestação nacional para esta sexta-feira contra a proposta de aumentos salariais de 0,3%, a que se seguiu o anúncio de greves nacionais por parte das estruturas da União Geral de Trabalhadores (UGT) – a Federação Nacional dos Sindicatos da Administração Pública (Fesap) e a Frente Sindical liderada pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE).

Várias organizações setoriais marcaram também greves, esta sexta-feira, como são os casos da Federação Nacional dos Sindicatos dos Enfermeiros (FENSE), da Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e do Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas do Diagnóstico e Terapêutica.

Esta é a primeira greve nacional da função pública desde que o atual Governo liderado por António Costa tomou posse, em 26 de outubro, e acontece a menos de uma semana da votação final global da proposta de Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), marcada para 06 de fevereiro.

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