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Mais Um Estranho Caso De Uma Pauta Cheia De Vintes…

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(exclusivo Comregras e referido no jornal Expresso de hoje)

Depois de ter publicado as pautas do Externato Ribadouro, foram vários os comentários nas redes sociais alertando para o facto que o mesmo se passa noutras escolas, noutras disciplinas, sejam estas públicas ou privadas.

Confesso que ando há alguns dias para publicar estas novas pautas, reconheço que o facto de não ser visível o ano letivo e a escola, faz questionar a sua veracidade. Vale o que vale, provavelmente não vale nada… Mas o que me leva a publicá-las, não é nenhuma mania de sensacionalismo como alguns me acusaram, mas o “obrigar” a uma reflexão sobre as classificações atribuídas e se estas estão a ser efetivamente o resultado do trabalho dos alunos e professores, ou uma consequência da competição entre escolas e critérios de avaliação à la carte para atribuir grandes notas.

Quando olho para uma pauta, que tem como escala classificações de 1 a 20 valores, e vejo uma homogeneidade de classificações, questiono-me sempre, como é que alunos de uma turma inteira podem ser todos iguais?

Nesta publicação é visível o que já foi constatado nas pautas do Externato Ribadouro, classificações elevadas e homogéneas, mas neste caso, é particularmente gritante em algumas disciplinas que não têm exames. E como podem constatar, desta vez não é na disciplina de Educação Física, nem de um colégio privado.

Antes de mostrar as pautas, deixo um link para uma sondagem realizada este semana e que está diretamente ligada à temática deste artigo.

Já Foi Pressionado Para Subir Classificações De Alunos?

Alexandre Henriques


(O que podem ver em baixo é o conteúdo dos emails recebidos para melhor contextualização)

29 de abril

Numa cidade do interior sul, com duas escolas secundárias, numa delas os alunos das disciplinas específicas do 12º ano não sujeitas a exame começam a ter todos 20 no final do ano. Na outra escola têm de fazer o mesmo ou então ficam sem alunos, pois os pedidos de transferência no final do 11º ano iam em crescendo. A prática só ainda não se alargou a todas as disciplinas devido aos exames nacionais, se acabarem com eles então as universidades vão ter de selecionar os seus alunos pela cor dos olhos ou pela estatura ou por qualquer outro critério esdrúxulo já que do secundário sairão todos com nota máxima…

30 de abril

Vão em anexo duas fotos de pautas de duas turmas do 12º de uma das escolas que referi no meu comentário. Se este ano se verificar o mesmo que no ano passado, quase todas as classificações das disciplinas não sujeitas a exame nacional irão subir um valor neste período. De notar as grandes diferenças entre as disciplinas com exame e as sem exame…

1 de maio

Não indiquei a escola, referi só que se isso ocorria no interior sul. Por enquanto não quero ainda dar o nome das escolas, este é um meio demasiado pequeno… posso só acrescentar que é numa cidade do Alentejo.
Revelando um pouco mais do histórico da “coisa”, até há dois anos a disciplina de Geologia não tinha alunos suficientes para autorizarem a abertura de uma turma. Depois de uma “campanha” no final do 11º a anunciar que quem escolhesse essa disciplina no 12º teria o 20 garantido, abriu uma turma. No 1º período tiveram todos 18, no 2º tiveram 19 e no final do ano, todos 20. Este ano já havia alunos suficientes para abrir duas turmas de Geologia. Mas não foi nesta escola que esta prática inflacionaria começou, aqui tratou-se de uma reacção ao que ocorria na outra secundária já há uns anos e que estava a desviar mais de uma dúzia de alunos no final do 11º de uma para a outra. Podem parecer poucos, mas em meios pequenos onde a população escolar diminui todos os anos, isso pode representar menos uma turma, menos um horário.
Acrescento que os serviços do Ministério sabem do que se passa, ainda antes de isto ter começado nesta escola um membro da Direcção alertou não sei bem qual Direcção Geral para o que se passava na outra. A resposta foi que por conhecimento telefónico não iriam fazer nada, para isso teriam de ter uma queixa por escrito. Claro que, para preservar a boa relação entre as escolas, não foi apresentada nenhuma queixa, pelo que perante o desinteresse da tutela em agir se optou por seguir a máxima “se não os podes vencer, junta-te a eles”.
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21 COMENTÁRIOS

  1. Uma vergonha que este site ponha em causa o trabalho das escolas, desvalorize os alunos, se esqueça das metas fixadas, dos critérios de avaliação, fomente o mal estar entre escolas públicas e privadas, etc. Conheço turmas de secundário de uma escola pública em que a matemática e física muitos alunos têm 20. Já estou a ver que gostaria de saber os resultados desses alunos nos exames de 11.º ano…, prefiro não dizê-lo só por ser contra este tipo de exames, redutores e formatados. O site devia ocupar-se de dar a conhecer outras realidades escolares onde os alunos são felizes.

  2. investigação jornalistica: ANA LEAL; ALEXANDRA BORGES; SANDRA FELGUEIRAS, ….
    mas a IGEC diz não se meter nas notas dadas/inflacionadas pelos prof. nem quando prejudicam os alunos!!!!!!!
    COM O CONHECIMENTO DO MINISTRO DA EDUCAÇÃO.!!!!!
    É INACREDITÁVEL.!!!!!!!!!!

  3. Em primeiro informo que sou professor do ensino público. Dito isto, considero que estas situações devem ser todas, mas mesmo todas divulgadas, pois só assim é que se pode melhorar o nosso sistema educativo e avisar os nossos governantes sobre o que se passa com a caça ao aluno. Considero também que acho que o nome da escola e o tipo de escola (pública ou privada) também devia ter sido divulgado, pois parece -me que também chegou o momento de informar o que as escolas públicas fazem e não criticar e nomear apenas as privadas por um corporativismo bacoco. Por fim, apenas um pensamento :já imaginaram o que se passará com o fim dos exames nacionais?

  4. Isto é uma pauta de 12.º ano. É normal, nas disciplinas anuais do 12.º ano, os alunos obterem notas de 19 e 20. Não é preciso ir a um colégio para constatar isto.

      • O que quer dizer com “CORRESPONDE À REALIDADE …DOS ALUNOS?” Significa que têm que tirar a mesma nota nos exames? Ao que chegámos!!! Deixe de valorizar os exames, não servem para nada!!! Por essa razão temos maus médicos. Fique sabendo que a avaliação é bastante subjetiva. Analise o estudo na Irlanda. Os alunos bons são submetidos a experiências de vida e não de testes escritos.

  5. Provavelmente são melhores dos que as mentes brilhantes do Externato onde leciona e os docentes mais profissionais!!!

    • Sou docente de uma escola pública. Os meus filhos andam em escolas públicas, colecionam vintes. Agora, gostaria que lhe dissesse quanto obtiveram nos exames? Não lhe darei esse prazer. Boa noite. Falta de ética.

  6. Insisto Sr Professor de investigar e publicar a quantidade de vintes dos alunos do Ribadouro no exame NACIONAL de matemática da primeira fase! Isso não lhe interessa divulgar????? As noticias construtivas e investigadas dão trabalho! Assim como existiu e existe muito trabalho, dedicação de todos os professores e alunos do Ribadouro para um grupo HOMOGÊNEO alcançar a excelência nesses exames.
    Não divulgar esta escola só mostra da sua parte o quanto abomina o Externato Ribadouro! Com título sensacionalista e critico! E desta vez quis complementar a noticia sem grande alarme?
    E volto a insistir: há várias escolas portuguesas e estrangeiras neste país que trabalham imenso para o alcance de excelentes notas. Onde há contacto directo entre professores e alunos! Já pensou que a sua raiva contra o Ribadouro o deixa cego?

    • Leve a bicicleta Maria… Sim, eu ando obcecado com o externato Ribadouro… Até sonho com ele…
      Enfim!

      • Acho que não fez por mal, mas se publicou o nome do Ribadouro também devia publicar o nome das escolas públicas ou então não publicava nenhum. Claro que agora é fácil falar, quando publicou o caso do Ribadouro, não imaginava que o mesmo cenário acontecia em escolas públicas…o caso torna-se mais delicado…agora já sabe, a disfuncionalidade é do sistema educativo e não das escola públicas ou privadas, prende-se com o assédio moral a professores, a coacção a vários níveis, a avaliação de desempenho como espada sobre a cabeça dos professores, a corrupção e o compadrio, a recondução de funções e de horários, a forma como são seleccionados os diretores das escolas e a hierarquia dos cargos, a competição, os rankings e o processo de aceder aos cursos universitários.

    • O Ribadouro é das maiores espeluncas da cidade do Porto. Toda a gente conhece a história do Ribadouro e não é pelas melhores razões.

      Quem quiser comprar (e tiver dinheiro 6.000 euros/ano) notas altas para entrar em Medicina vai para o RIBADOURO (também conhecido no Porto pelo NOTASDOIRO).

      É uma vergonha permitirem o comércio de notas e diplomas.´

      Cuidado Alexandre Henriques que estes comerciantes de «notas» e de «diplomas de 12º ano» não te perdoam. A Conceição Pinheiro do NOTASDOIRO já te contactou?

  7. Fica claro o que já se sabia, o problema não é só das escolas privadas, também é das escolas públicas, é resultado directo do assédio moral sobre os professores, dos vários níveis de coacção, da avaliação de desempenho dos professores como espada sobre a sua cabeça, do processo de selecção dos diretores e de toda a hierarquia das escolas. A fúria anti-autoridade que invadiu as escolas, esvaziou de tal modo a autoridade do professor a todos os níveis, inclusive nas suas competências científicas, que tornou o professor no elemento neutro da adição, não conta para nada, só tem de obedecer e assinar de cruz, a bem ou a mal. Todo o sistema educativo, seja público ou privado está altamente disfuncional desde MLR e ninguém capta a gravidade da situação, tendo em conta que é a educação que desenha a paisagem intelectual e moral de uma sociedade.

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