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Mais sucesso escolar – com quem?

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Em fim de um ano letivo é tempo de preparar o próximo; na maioria das escolas e agrupamentos a rede está definida, se bem que possa não estar fechada.

Certamente que em grande parte das escolas os professores e diretores se terão debruçado sobre as estratégias a considerar para o próximo ano no âmbito da promoção do sucesso. Estou certo que muitas escolas, no tempo em que que se começa a (re)distribuição do serviço terão equacionado critérios, regras e perfis para essa (re)distribuição. Quero crer que na maior parte das escolas há uma ideia sobre como atuar no sentido de dar resposta aos relatórios locais dos resultados escolares, da autoavaliação.

Estou a ser irónico? Não sei, sei que provavelmente haverá de tudo um pouco por essas escolas e por esse país. Quem prepara atempadamente estratégias, define prioridades, estabelece objetivos e reúne os seus recursos humanos. Estou certo que noutras escolas, quero acreditar que na minoria, faz-se porque se tem de fazer, é assim porque sempre foi assim, monta-se o próximo com base no que se se tem e não naquilo que se quer ter.

A questão é que o próximo ano poderá ser crucial a diferentes títulos. Desde ser ano de autárquicas e já se sentir esse peso na gestão dos conselhos gerais. De ser o primeiro de muitos sobre a transferência de competências do Estado central para o local onde a educação e as escolas estão consideradas e como elemento central. Um ano em que municípios apresentaram propostas de promoção do sucesso a implementar nas escolas, ouvidos (ou não) os órgãos das ditas. De ser, com maior ou menor impacto, um ano de fim de mandato para muitos diretores (e perspetive-se o que poderá acontecer à luz do que tem acontecido por aí – desistência de muitos diretores, troca de lugares, não recondução, candidatos que são candidatos a municípios). Se juntarmos a esta dinâmica a circunstância de ser ano de concursos e muita coisa poder mudar em termos de sensibilidades e susceptibilidades e tem-se que o próximo ano letivo tem muito para ser crucial.

Acresce que muitas das medidas do programa mais sucesso estão a ser adoptadas e implementadas ou à revelia das escolas (onde a opinião e a gestão local conta muito pouco – ou nada – situação que me surpreende significativamente), ou com base em lógicas instrumentais da formação docente (os professores são burros e, se ensinados/amestrados, lá cumprem). Acresce que esta gestão é ela mesma feita à distância, pelas famosas e omnipresentes plataformas eletrónicas que são cegas e secas a comentários, a contextos particulares ou a idiossincrasias de qualquer espécie. Aconteceu um recrutamento de docentes para acompanhamento do programa (pela DGAE) do qual, como opositor que fui, nada sei, nada se sabe.

É neste cenário que as escolas têm/devem organizar o próximo ano letivo, mobilizar os professores, envolver as comunidades… tá bem tá. Qual quê, perante a volatilidade das políticas, pela incerteza das circunstâncias, pela indefinição do que temos e mais ainda do que teremos, pela ausência de elementos de participação ou, mais grave ainda, de democraticidade ou legitimidade as escolas fecham-se no seu casulo, na sua concha. Os professores, assoberbados de pequenas e grandes (in)decisões preferem esperar para ver ou, simplesmente, fazer de conta que nada se passa ou que não é da sua conta. Os diretores entalados nos seus próprios projetos de intervenção, nas suas ideias mais ou menos vagas de escola, entre município e plataformas de gestão, esquecem-se do básico. Que o princípio de tudo está ao alcance de uma pequena decisão, ouvir parceiros e colegas para saber decidir. Decidir sozinho é ficar sozinho. 

Manuel Dinis P. Cabeça

26 de junho, 2017

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