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Mais De Um Terço Dos Professores Está Arrependido De O Ser?

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E por que é que continuam a sê-lo? Esta é a pergunta que muitos que não são professores colocam aos ditos quando estes dizem que estão fartos e querem ir embora.

A resposta é simples:

1º – significa atirar para o lixo um investimento de milhares de euros na formação realizada, bem como todos esses anos de estudo;

2º – falta de opções, pois não é fácil encontrar uma profissão com um ordenado condizente e que não implique novo investimento em formação. Além disso, a maioria dos professores tem mais de 50 anos, sendo por isso considerados “velhos” para o mercado de trabalho;

3º – a paixão de ensinar, de sentir aquela recompensa de ver os alunos a aprender e sair da sala de aula com um sorriso nos lábios. Para os professores isso é algo extremamente viciante.

Mas este terço que está contra vontade, é de facto um problema. Pois se não quer estar, dificilmente estará com a paciência e disponibilidade para “vestir a camisola”, ou para implementar a reforma nº 523 do Ministério da Educação, seja ou não uma boa reforma.

Até que ponto que quem está arrependido, desempenha o seu cargo com a qualidade e competência que a sociedade necessita. Pois todos sabemos que os alunos aprendem mais pela forma como o professor dá aula, do que pelo conteúdo propriamente dito…

Mas não quero terminar sem dizer isto. Estas notícias como esta do arrependimento, entram no pack de notícias apetecíveis para os media. Tem muitas visualizações o que interessa naturalmente, mas se repararem, logo depois diz que 91% dos professores estão satisfeitos com a sua profissão. Então como ficamos? Estão satisfeitos e arrependidos ao mesmo tempo?

Houve uma escolha, e a escolha foi apresentar a notícia pela negativa, pois infelizmente, e eu comprovo isso com os dados do ComRegras, a “desgraça” e o negativismo, tem sempre mais impacto e mais interesse.

A nossa sociedade é um caso de estudo…

Fica a notícia.


Mais de um terço dos professores em Portugal (35,2%) diz que se pudesse voltar atrás não voltaria a escolher a profissão docente.

Na União Europeia apenas 22% dos docentes revela o mesmo arrependimento pela escolha da profissão. Os dados constam no Monitor da Educação e da Formação de 2019, quinta-feira divulgado pela Comissão Europeia, e são relativos ao estudo Talis de 2018, que inquiriu 260 mil docentes em mais de 40 países.

Paradoxalmente, 92,1% dos docentes diz estar satisfeito com a profissão (89,5% na UE), mas dizem sentir-se pouco valorizados pela sociedade.

O envelhecimento dos professores é um dos principais problemas apontados pela CE. “Os professores estão satisfeitos com o seu trabalho, mas subsistem desafios como o envelhecimento da população docente”, refere o documento da CE.

Em Portugal, 47% da classe tem 50 anos ou mais, pelo que metade da classe terá de ser renovada na próxima década.

O documento da CE aponta ainda a “falta de investimento em infraestruturas”, com carências no pré-escolar nas áreas metropolitanas.

Problemas que têm sido atenuados são as disparidades regionais nos resultados escolares, a percentagem de alunos retidos e o abandono escolar.

A falta de mão de obra em novas tecnologias e baixa frequência no ensino de adultos são outros défices apontados.

Fonte: Correio da Manhã

4 COMMENTS

  1. Sim, estou arrependida, porquanto a profissão deixou de ser valorizada e reconhecida do ponto de vista social. Trata-se de uma profissão cujo estatuto social tem vindo progressivamente a decair .
    A falta de capacidade económica para a valorização cultural e prestimosa de um professor também para tal tem contribuido.
    Professores a contar meticulosamente o salário , a fazê-lo querer esticar até ao fim do mês e a prover a todos os encargos de uma sociedade hodierna , não é compaginável com dignidade social

  2. Qualquer professores de Portugal, se tivesse conhecimento de o que é “ser professor” em França ou em Espanha, sentir-se-ia, no mínimo, um autêntico escravo!!! Sim. Portugal é o país da escravatura docente.

  3. Duvido, depois das magníficas reformas do governo socialista, que estes números estejam correctos… A maior parte dos professores que conheço, uma larga maioria, larga mesmo… se não tivesse grandes penalizações reformava-se já… E, não fosse a idade, uma boa parte abandonava o ensino…

  4. Isto apenas mostra que o estado controlado pela máfia Xuxa preferiu canalizar dinheiro para a corrupção do que honrar compromissos com quem trabalha.
    No início da carreira, o estado disse-me que, ao fim de 30 anos, estaria no topo, e com tendência para esses 30 anos baixarem para 25.
    Ora, tenho 27 anos de serviço, estou no 4° escalão, dos 10 da carreira, porque é preciso dinheiro para o PSV – Pinho Sócrates Vara.

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