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Mães e a Influência nos Resultados Escolares

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Mário BalsaA capacidade financeira das famílias é frequentemente apontada como elemento condicionador dos resultados escolares – “o nível socioeconómico dos agregados familiares é um preditor do sucesso escolar, (…) famílias de baixos rendimentos apresentam taxas de sucesso mais baixas”, conclusão presente no estudo “Desigualdades Sociais e Resultados Escolares – 2.º Ciclo”.

No entanto, este estudo conclui também que “alunos que têm mães com menores qualificações apresentam taxas de sucesso mais baixas.

Se para alguns afirmar tal coisa parece um enorme sacrilégio. Para outros será apenas a constatação de uma realidade, aceitando que, genericamente, baixas qualificações são sinónimo de baixo rendimento.

Não se trata de afirmar que a culpa das notas dos alunos é das mães. Ou arranjar culpados para o que quer que seja, como as dificuldades que a escola revela a lidar com algumas situações (indisciplina, desmotivação, absentismo, etc.). Aliás esta constatação só pode ser vista como uma evidência natural da importância das mães no seio familiar de uma forma mais lata e sobre os seus filhos mais especificamente.

Revela ainda a importância da escola desenvolver todos os esforços possíveis para envolver mais os pais no processo educacional dos filhos. Realidade que todos os professores já sentiram por vezes ser é muito complicada.

Mas acredito que o ponto fundamental do estudo é concluir que famílias de rendimentos idênticos apresentam resultados diferentes, variando consoante a região ou a escola. “As estatísticas apresentadas no estudo sugerem também que o nível socioeconómico não equivale a destino, ou seja, não determina de forma inapelável o desempenho escolar dos alunos”.

Assim sendo é imprescindível possibilitar que as escolas possam adequar as dinâmicas à sua realidade e ao seu público, reforçando a sua autonomia e reconhecendo a importância decisiva que os profissionais educativos e as escolhas feitas por estes têm no sucesso dos alunos e consequentemente nas suas aspirações futuras.

Estudo Desigualdades Sociais e Resultados Escolares – 2.º Ciclo

Estudo revela disparidades no sucesso dos alunos face à escolaridade das mães

 

Nota do Ministério da Educação à comunicação social 

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3 COMMENTS

  1. “Revela ainda a importância da escola desenvolver todos os esforços possíveis para envolver mais os pais no processo educacional dos filhos. Realidade que todos os professores já sentiram por vezes ser é muito complicada.” – Nota introdutória ao artigo “Mães e a influência nos resultados escolares”

    Estava a a nota introdutória ao artigo e detive-me neste parágrafo, não consegui ir além dele. Ficou a martelar-me na cabeça como martelo na bigorna amolecendo o aço duro que por vezes é este emaranhado de pensamentos a que me voto.
    Descalço o profissionalismo, calço os chinelos de trazer por casa e como mãe atravessam-me mil questões ás quais urge dar resposta.

    É esta de fato uma realidade? E será assim tão taxativa? Vejamos, ja o disse e repito várias vezes que não gosto de ver particularizado o que é geral nem generalizado o que deve ser visto na esfera do particular, esta é uma dessas situações.

    Quando não me envolvo na escola é porque não me envolvo e por tal descuido do meu papel de mãe agente ativo no processo educativo do meu filho, quando me envolvo é porque sou a mãe chata,abelhuda, que desculpabiliza o filho de tudo, que infantiliza o miúdo, que só reclama, que não sabe ser subserviente com o que ouve, castigar o garoto em casa e mandá-lo estar quieto e sossegado nas aulas, ou enfiar-lhe uns comprimidos pela goela abaixo para acalmar o rapaz.

    Honestamente ter capacidades financeiras ou não neste momento já nem me passa pela cabeça que o artigo perdeu todo o seu interesse depois deste parágrafo me ter feito parar o miolo.

    Honestamente não sei o que é isso da participação dos pais na escola, de os envolver no processo educativo dos filhos, já que quando falo não me ouvem e quando me ouvem descarrilam depois uma série de rosários que contas feitas acabam sempre na frase do costume “aquela é daquelas que tem a mania que sabe tudo, está sempre a defender filho, mal ela sabe o que tem em casa, deve deixá-lo fazer tudo e depois dá nisto”.

    Como é que eu sei que são estas as contas do rosário? Bem… quando não trago os chinelos de trazer por casa, estou dou outro lado da barricada e muitas vezes é isto que se ouve… certo?

    Não precisamos responder todos nem nem de se sentirem insultados pelo que acabo de dizer, nem vir a correr defender a classe porque também não a estou a atacar, estou apenas a perguntar-me que raio é isso de “envolver os pais no processo educativo dos filhos”, é que só ser chamado à escola para ouvir o tanto que o miúdo não é capaz, para justificar uma agitação que cedo se apelida de hiperatividade (soubessem muitos o que é ser verdadeiramente hiperativo e isto mudava de figura), um pronto discurso de falta de educação e de quase delinquência, quando o miúdo está apenas e tão somente a exercer o seu direito a ser criança, a errar, a experimentar ser gente de todas as maneiras erradas que é próprio da idade da parvalheira, quando a isto tudo se soma o sairmos do espaço escola com a nítida sensação que somos péssimos pais e que tudo o que ensinámos os nossos filhos está errado, digam-me lá que raio é isso de “envolver os pais no processo educativo” e que “realidade é essa que todos os professores já sentiram ser muito complicada”. Não entendo.

    E não entendo como mãe e muito menos entendo como profissional. Não creio que haja uma efetiva participação dos encarregados de educação na escola, porque não creio que hajam diretrizes claras a esse respeito. Não me parece que as festas e demais atividades do PAA sejam tão somente o tanto que se quer para o envolvimento dos pais, nem a sua chamada para resolver problemas que deviam ser resolvidos em espaço sala com os professores seja uma forma de apelar ao envolvimento destes.

    Claro que não são todos os miúdos, e claro que não são todos os pais… lá está, não podemos e não devemos fazer afirmações generalistas quando se impõe a particularidade das coisas.

    Vou manter os chinelos de trazer por casa para conforto dos demais e dizer mais uma pequenina coisa para que possam criticar de forma serena a minha postura: creio que está na hora de se envolver os pais no processo educativo dos filhos, ouvindo-os respeitando-os e com as informações recolhidas fazer por melhorar as relações estabelecidas com os alunos e por conseguinte o seu rendimento escolar. Aproveitar este contato para valorizar, para aprender e não tão somente para descarregar angustias e frustrações, porque nem todos os miúdos são iguais, embora todos de igual forma sejam traquinas, mal educados, arrogantes, desafiadores, mesmo quando não foi isso que aprenderam em casa.

    “Assim sendo é imprescindível possibilitar que as escolas possam adequar as dinâmicas à sua realidade e ao seu público, reforçando a sua autonomia e reconhecendo a importância decisiva que os profissionais educativos e as escolhas feitas por estes têm no sucesso dos alunos e consequentemente nas suas aspirações futuras.” Ao que acrescentaria, e a importância que as famílias a e relação inter e intra institucional que estabelecem com as escolas, desde que, claro está devidamente valorizadas e enquadradas em diretrizes claras para ambas as partes, sejam também elas consideradas de caráter imprescindível, e não apenas porque fica politicamente bem dizê-lo ou porque servirá mais tarde para se dizer o tanto que falham e como o sistema de ensino é o único bastião da moral e valores que se julgam perdidos nas famílias portuguesas.

    • Eis um comentário que me deixou a pensar… acho que acima de tudo existe um problema de comunicação entre escola/professores e pais. E aqui não restrinjo as culpas a pais ou a professores, varia de caso para caso, mas é verdade que nem sempre é fácil a relação entre professores e pais, e entendo perfeitamente as suas angústias sobre os limites da participação na vida escolar. Como referi anteriormente, comunicação… comunicação, humildade e capacidade de trabalhar em conjunto são a chave para uma educação de sucesso.
      Não desanime Ana 😉

      • Também me questiono muitas vezes o que é isso da participação na vida escolar dos filhos??? Infelizmente concordo consigo.. participação?! Como ?! Participar nas reuniões marcadas pela escola/DT, reunir frequentemente com a DT, ajudar nos trabalhos de casa (por vezes obscenos!), contribuir para as fotocópias, é isto que é participar na vida escolar?! Angústia?! Deve ser o meu nome do meio. O primeiro é Ana.

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