Home Escola Luzes, câmaras, lá vem a passerelle dos rankings escolares…

Luzes, câmaras, lá vem a passerelle dos rankings escolares…

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Até tem hora marcada e tudo, qual entrega dos Óscares… Na “rankolândia” a entrega da “estatueta” para a melhor escola é levada muito a sério pela comunicação social. É de 6ª feira para Sábado, às 0:00 horas. Um festim que anda a ser preparado há muito tempo, acreditem que sei o que estou a dizer… É curioso como algumas escolas têm acesso ao seu ranking pela comunicação social…

Mas sejamos justos, a própria comunidade educativa está curiosa por saber o resultado da sua escola. Na 2ª feira, haverá os parabéns, as pancadinhas nas costas, o ombro amigo, a reflexão para justificar o bom e o mau. Os rankings escolares, são a verdadeira avaliação das escolas!

Porém, este mediatismo todo, baseia-se numa pequena parte do trabalho realizado pelas escolas, os rankings não contemplam os índices de indisciplina, não contemplam os alunos que anularam matriculas, não contemplam os alunos que ficaram retidos, não contemplam o trabalho dos assistentes operacionais, dos serviços de psicologia, dos tutores, dos mediadores, dos pais e das condições estruturais…

Tal como no PISA 2015, a festa pode ser muita, mas os chumbos também o são…

Sim, esta é a questão central, se numa turma de 25, 10 anularem a matrícula, 6 chumbarem à disciplina, sobram uns 9 que vão a exame, 9 bons alunos que até podem fazer um brilharete. E depois temos o outro lado… os alunos que tiram um zero bem redondinho, que foram só marcar presença, só para ver como era o exame para depois apostarem na 2ª fase… E o que dizer das escolas com muitos alunos auto-propostos que não passaram pelas “mãos” dos professores, os chamados alunos de “tripla”, totalmente imprevisíveis…

A subjetividade é muita e o problema de querer catalogar tudo dá nestas coisas…O ensino não é catalogável!

Na lista maravilhosa dos exames podemos ter uma escola bem colocada, mas com uma taxa de insucesso elevada. Afinal, o que é o sucesso?

Além disso, os exames restringem-se à componente intelectual do aluno, e todos sabemos que um bom profissional, um bom aluno, um bom colega, não é um mero armazenador de informação, é muito mais do que isso…

Não acho que os rankings devam ser completamente eliminados do mapa, até acho que são válidos internamente, servem para a tutela e para as escolas medirem alguns parâmetros. O problema são os “carimbos” que se atribuem, e no sábado, lá vamos assistir novamente ao razzie para a pior escola do país e à discrepância entre escolas privadas e públicas, comparando o incomparável…  escolas que selecionam alunos de escolas que aceitam todos, sejam estes ricos, pobres, bem comportados ou mal comportados.

Acendam-se as luzes, prepare-se a passadeira vermelha, o desfile vai começar…

Fiquem com este bom artigo do Observador

  1. Não existe “a melhor escola”
  2. Olhando aos desempenhos escolares, o que distingue as escolas?
  3. É possível melhorar as avaliações das escolas a partir de desempenhos escolares?
  4. Mas, afinal, só os resultados escolares é que importam?
  5. Então e o que fazer com os rankings?
  6. So what? Cinco ideias a reter sobre avaliação de escolas

 

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