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“O lobo mau que comeu a avozinha…ler ou não contos infantis?”

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O que mais desejamos como pais é que os nossos filhos sejam felizes e que tenham sucesso no futuro. Mas, para tal, não basta ensiná-los a ler, a escrever, a fazer contas e a desenhar. É necessário também darmos-lhes, desde muito cedo, os recursos para compreenderem que vivemos num mundo rodeado de imagens. Como fazemos isso? É simples: embora não nos demos conta disso, o nosso quotidiano está cheinho de oportunidades para iniciarmos diálogos deliciosos com os nossos Filhos sobre o uso que damos às imagens! Na rua, em casa, no seu quarto, as imagens imperam!

O livro é, talvez, dos primeiros “jogos” de imagens de uma criança. Quando um adulto abre um livrinho infantil e começa a falar com o seu bebé sobre as imagens que ambos vêem, inicia uma viagem fantástica que ajuda a criança a arrumar as suas imagens e a associá-las a palavras. Mas para que a criança desenvolva o gosto pelo livro e, mais tarde, pela leitura, é essencial que o adulto também sinta esse prazer. A descoberta da imagem pode ser, pois, uma experiência profundamente emocional! Muitos Pais queixam-se que os seus Filhos não gostam de ler. Costumo perguntar-lhes se eles próprios têm prazer na leitura…

 Os Contos de Fadas

Muitos Pais me perguntam se devem ler aos seus Filhos as clássicas histórias que contêm, com efeito, algumas cenas de violência (como por exemplo O Capuchinho Vermelho, A Bela Adormecida, a Cinderela, etc.). Costumo tranquilizá-los. A atitude do adulto que lê é a resposta a esta questão. Nos contos de fadas, os pais nunca se deixam levar pela angústia da história: no caso do Capuchinho Vermelho, podem imitar a voz do lobo antes de comer a Avó ou fingir que são o Capuchinho, prestes a chorar….mas seja qual for o horror daquilo que contam, as crianças sabem que é só o papá ou a mamã que estão ali e isso permite-lhes que fiquem sempre tranquilas. Creio que, por exemplo, deixar uma criança sozinha numa sala enquanto assiste à cena do filme do Bambi em que ele perde a sua mamã, é uma experiência muito mais aterradora e angustiante para a criança! Ter um adulto ao lado é essencial.

Portanto, não existe, à partida o risco de a criança confundir realidade com ficção. Contrariamente ao que muitos pais pensam, a criança não corre mais o risco do que qualquer adulto de confundir uma com a outra. Por exemplo, as crianças acreditam no Pai Natal ou na Fada Dentinho exactamente pela mesma razão que a opinião pública mundial acreditou na existência de armas de destruição maciça no Iraque: porque alguém em quem tinham total confiança lhes garantiu que era verdade! Apenas por isso.

Que fazer quando a criança rasga o livro?

Outra preocupação dos Pais surge quando a criança decide rasgar um livro (quase sempre, com fúria). Não tenham receio. Tal não significa que o vosso Filho detesta livros, que vai ter dificuldades de aprendizagem, se vai tornar num adolescente perigoso ou num adulto criminoso. Uma criança pode decidir rasgar um livro basicamente por uma das quatro seguintes razões:

  • Raiva contra o pai ou a mãe por ter sido um deles que lhe ofereceu o livro; este sentimento é perfeitamente normal e não tem que ver, de todo, com o amor que sente pelos Pais
  • O livro agride-a, magoa-a (ou pela própria história, ou pelo facto de a criança, sendo ainda uma pré-leitora, não a saber ler nem interpretar)
  • Por amar o livro e, portanto, necessitar da garantia de que o livro é mesmo A criança, tal como o adulto, só pode apoderar-se de um objecto se conseguir transformá-lo
  • Por amar o livro e, portanto, necessitar da garantia de que os objectos não o esquecem!

Em qualquer destes casos, o que os Pais devem fazer, simplesmente, é explicar à criança que o livro é dela. A atitude do adulto é essencial. A criança deve ser encorajada a fazer melhor e não criticada por ter feito pior.

Vitória, vitória, acabou-se a estória!

Cristina Valente
Psicóloga Parental e Autora de “Coaching para Pais” e “O Que se Passa na Cabeça do Meu Filho?”.

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