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Livro da Semana | Auschwitz um dia de cada vez, de Esther Mucznik

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Esther Mucznik é vice-presidente da Comunidade Israelita de Lisboa e fundadora da Associação Portuguesa de Estudos Judaicos, foi colunista do Público de 2002 a 2011, filha de pais polacos, escreve mais este necessário Livro: Auschwitz um dia de cada vez.

auschwitzNão me sendo fácil, ainda hoje, ler sobre este tema, sem me doer – uma vez que a minha mãe, que morreu no meu parto, e os seus pais, meus avós, terem tido que fugir de Viena no Anschluss, e os ouvir estes, contar o que aquilo “foi” – já o consigo fazer bem melhor, e periodicamente, o faço.

O meu filho, e muito bem, vai-me oferecendo alguns livros sobres estes assuntos, entre os quais em meados de Julho último, este: Auschwitz um dia de cada vez, de, Esther Mucznik.

Com a minha mulher e para seu grande espanto, faz tempo, num sábado à tarde quando “passava” o filme sobre os “últimos dias da vida de Hitler no buncker”, propus-lhe que o fossemos ver, e assim aconteceu.

Fez, agora dois meses, a convite de uma amiga professora na Faculdade de Letras, UP, falei a uns seus alunos, que muito atentos e interessados estiveram, sobre o que a m/ família me havia contado sobre a fuga em 1938 e tudo o que passaram antes e depois. Estão esses alunos a estudar este período tenebroso e recente da nossa História Mundial, e acharam curioso escutarem alguém que ouviu e em directo, sobre “isto” contar.

Talvez o distanciamento e a idade nos vão permitindo conseguir ler e ver sobre estes tempos, com mais calma, mas por outro lado dão-nos a certeza de que tudo se repete, nada aprendemos, o que faz ter que mais se falar/escrever/ler sobre o que se deve evitar, repetir.

Setenta anos depois do fim da 2ª Guerra Mundial, iniciada e terminada aqui na Europa, nada se apreendeu para nos ser conseguível, humanos, nas nossas diferenças, saber viver sem nos atropelarmos e no limite nos matarmos uns aos outros. Não nos termos que achar superiores, mesmo que venhamos a ser por isso mortos, ou evidentemente a morte, a única certeza que temos nos vai acontecer, aconteça. E aí estarmos calmos e serenos por acabar, por ter que ser o fim.

Agora e aqui algumas frases deste indispensável Livro de Esther Mucznik, Auschwitz um dia de cada vez:

– …de todo o universo concentracionário nazi, é certamente Auschwitz que melhor espelha  a politica racial e os valores do Estado de Hitler e Himmler…

– …o Holocausto continua a ser um acontecimento inédito na História humana..

 – A prisão e o confinamento de judeus alemães e austríacos, apenas pela sua qualidade de judeus, começam em 1938…

– O sofrimento era uma constante, assim como os maus tratos.

 – …a angústia emocional dos prisioneiros.

– Auschwitz é hoje considerado o símbolo máximo do Holocausto e da política genocida de Hitler.

 – …golpes de bastão nas nádegas nuas, suspensão do corpo pelas mãos atadas, privação de comida numa cela sem luz…

 – …será em 1943 que Auschwitz- Birkenau toma a sua dimensão como centro principal da destruição de judeus.

 – …foram mortos em Auschwitz – Birkenau 1 milhão de judeus e sobreviveram 100 mil.

 – …pode ser frágil e ténue a fronteira entre o normal e o monstruoso, entre o bem e o mal mais radical…

 – No caldeirão diabólico de Auschwitz…

 – …Auschwitz foi o único campo onde era feita uma tatuagem na carne do prisioneiro…

 – …na visão nazi, a mulher era mera reprodutora ao serviço da multiplicação da raça..

 – Um dos piores flagelos do campo era a fome.

 -…eram arrancados os dentes de ouro aos cadáveres..

 – Quando chegámos, havia uma única torneira de água não-potável para 12 mil prisioneiras.

 – Para muitas mulheres, o rapar do cabelo permaneceu na sua memória, talvez como a pior das humilhações sofridas nos campos.

 – A gravidez era mais do que provável sentença de morte, mesmo quando as mulheres já chegavam grávidas ao campo.

– …o horror sem nome vivido por uma criança a quem a morte ronda a cada momento.

 – …a primeira experiência de assassínio numa câmara de gás foi realizada em Auschwitz.

 – Os doentes que não podiam ser transportados paras as câmaras de gás eram abatidos com uma bala na nuca.

 – Para os prisioneiros, os crematórios são a materialização permanente da morte…

 – “A cada dia prefere morrer, no entanto, a cada dia lutava para sobreviver.”

 – Resistir num campo de extermínio podia ser simplesmente procurar proteger a vida humana do próximo…

 – Os sobrevivente contam que as crianças eram, por vezes, atiradas vivas para a fornalha..

 – … a lei da selva impunha-se, tal como a indiferença ao sofrimento alheio…

 – O endurecimento perante as matanças…

Tudo o que envolve períodos em que o pior do ser humano vem ao de cima, decide e faz (mal), têm que insistentemente ser recordados, para tentarmos, por certo nunca conseguindo – pela natureza do humano, pelo egoísmo, pela vontade de Poder e Dinheiro – voltar  a cair sempre, sempre no mesmo, em torturas, maus tratos, matanças de nossos iguais, como se de gado se trate…

E hoje, se não quisermos estar distraídos, tudo está a (re)acontecer:

 – No seguimento das Primaveras Árabes – tão bem intencionadas, mas falhadas – tirando a Tunísia e por isso a querem destruir, fazem-se barbaridades, inumanas.

 – Na ditadura capitalista do comunismo chinês, faz-se desaparecer quem incomoda o regime.

– Na Rússia de Putin, imitam-se tiques do “és por mim ou conta mim” da era Soviética.

 – As permanentes violações de mulheres na Índia e em demasiados países de África, demonstram o pleno de selvajaria do homem.

– A força do dinheiro domina a Europa.

– A imbecilidade do Estado Islâmico é uma máquina destruidora de tudo, mas essencialmente de Pessoas.

– O fim adiado da prisão de Guantánamo, mostra que os EUA não são diferentes.

– A Coreia do Norte é um vestígio aberto do que um imbecil faz por achar ter divino poder, o que “isto” possa ou nem por isso querer, significar.

Assim, leia-se o Livro de Esther Mucznik, Auschwitz um dia de cada vez, e tentemos, um pouco relembrar sempre estes horrores, tão recentes e outros tão actuais para tentar não os repetir, repetir, repetir.

Augusto Küttner de Magalhães

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