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Livro da Semana – Até ao Fim

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Sem título

São obras como “Até ao Fim” que me relembram a origem desta minha paixão pela leitura. Há livros que nos entretêm e… depois há livros como este: mexem connosco, abalam-nos, fazem-nos pensar e mudam algo em nós.

Sinopse: “Em 1942, quando tinha 22 anos, Traudl Junge tornou-se secretária pessoal de Hitler. Os primeiros anos ao lado do ditador foram, segundo Traudl Junge, «anos de inocência», o que não faz deste relato verídico uma «justificação tardia». Na época era demasiado inexperiente para perceber que por detrás da fachada íntegra do seu chefe se escondia um homem com uma sede de poder criminosa. Mas apesar disso, a jovem secretária de Hitler nunca se libertou do sentimento de culpa por ter servido o responsável pela morte de milhões de pessoas que era, simultaneamente, um «homem simpático» e afectuoso. Por ter sido uma das últimas pessoas a ver Hitler vivo, Traudl Junge foi durante a vida inteira solicitada inúmeras vezes por jornalistas, escritores e historiadores para contar as suas memórias. Foi, assim, que acabou por nascer “Até ao Fim”, quando um conjunto de textos dispersos se transformou num testemunho pessoal de inestimável valor histórico. Trata-se não só de um ajuste de contas com uma experiência pessoal, a de Traudl, mas também um ajuste de contas com a humanidade.”

Opinião: Sei que não fará muito sentido para a maioria, mas a verdade é que enquanto lia este livro não pude deixar de me sentir uma privilegiada por ter acesso a informações a que mais ninguém conseguiu “deitar mão”. Independentemente de este ser um livro disponível para qualquer leitor em todo o mundo, senti-me como uma espiã que, sorrateiramente, escutava todas as conversas de Hitler e dos seus homens, os acompanhava nas suas viagens e explorava os seus míticos bunkers. A escrita de Traudl é tão pormenorizada que consegui “ver” tudo a acontecer à minha volta à medida que tinha acesso ao último ponto de vista que me faltava para completar este meu puzzle sobre a Segunda Guerra Mundial: a perspectiva do principal responsável e daqueles que, cegamente, aceitaram segui-lo e servi-lo.

Seria fácil cair na tentação de julgar Traudl Junge por ter decidido servir o ditador dos ditadores, o responsável por milhões de cruéis mortes. Contudo, uma leitura mais atenta permite-nos perceber que, muitos de nós, sob as mesmas circunstâncias poderíamos ter cometido o mesmo erro. Esta ideia está bem explícita na forma como o livro está dividido: uma primeira parte foi escrita pela jovem Traudl pouco depois de a Guerra ter terminado e denuncia a sua inocência patente na forma como descreve Hitler e o seu grupo como pessoas afáveis, amigáveis e preocupadas em defender a Alemanha e restante Europa de um mal maior; na segunda parte, escrita por Traudl décadas depois, a angústia desta mulher e o seu arrependimento atingem níveis tais que, enquanto leitora, não pude deixar de me emocionar ao imaginar o quão difícil deve ter sido para esta alemã viver até ao fim dos seus dias com este sentimento que nos destrói um bocadinho mais todos os dias – a culpa.

Esta é uma obra que qualquer apaixonado por História quererá ler. Os detalhes, curiosidades e informações inéditas são tantos que seria um erro não se ficar a conhecer este lado da batalha. Já todos sabemos como terminou esta Guerra, mas muito poucos sabem os pormenores dos bastidores de quem a causou. Afinal, não é todos os dias que temos a oportunidade de mergulhar no coração de um dos grupos de militares mais infame de todo o sempre.

Esta não é uma leitura fácil, muito pelo contrário! Em alguns momentos senti-me incomodada, perturbada com alguns acontecimentos. No entanto, todos sabemos que este nosso mundo não é perfeito e é com obras como “Até ao Fim” que ficamos a conhecer aquilo de que o ser humano tem de pior e, esperemos, aprender com o passado para nunca mais voltar a cometer os mesmos erros.

Inspirado no post original: http://flamesmr.blogspot.pt/2014/08/livro-ate-ao-fim.html

Por Mariana Oliveira

2 COMMENTS

    • Para evitarmos cometer os mesmos erros, é importante estarmos informados sobre o passado e aprender com isso. Nenhum assunto deve ser menosprezado e nunca devemos permitir que uma “amnésia colectiva” nos leve a negar os maiores crimes cometidos pela Humanidade ao longo dos séculos.

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