Home Escola Legumes congelados e carne da China | Toda a verdade sobre as...

Legumes congelados e carne da China | Toda a verdade sobre as cantinas escolares

1147
0

O trabalho é do site Observador e deve ser lido por todos, principalmente pelo Ministério de Educação.

Se antes já estava preocupado, agora fiquei muito mais… Como é que um pai/mãe pode ficar descansado depois de ler esta reportagem?

Estamos perante uma VERGONHA NACIONAL!!!


“As cantinas mudam de concessionário mas os trabalhadores mantêm-se. Os que não são efetivos, são despedidos sempre que há interrupções escolares e no final das aulas e recontratados depois quando elas recomeçam.”
Francisco Figueiredo, do Sindicato de Hotelaria do Norte
“A carne de vaca raramente entrava ali dentro, o que havia mais era porco e frango e umas coxas de peru nojentas, que são só sebo. Nada era português. O frango vinha da China, todo preto por dentro e cheio de penas; as hortaliças vinham todas congeladas; e os peixes, nem sei explicar, pareciam esponja ou palha.”
“O frango vinha da China, todo preto por dentro e cheio de penas; as hortaliças vinham todas congeladas; e os peixes, nem sei explicar, pareciam esponja ou palha. O azeite era óleo, até tinha mau paladar; as sobremesas, leite-creme, pudim e gelatinas, eram todas instantâneas, pó misturado com água; e a base das sopas era feita com flocos de puré instantâneo, não havia batata. E depois servíamos umas almofadinhas de atum que, Nossa Senhora do Sameiro!, eram um horror, como não havia óleo para fritar tínhamos de fazer no forno, ficavam tão duras… Costumava dizer aos meus colegas: ‘Se a nós nos custa comer, o que fará as criancinhas?!’.
Domingos da Silva e Costa, cozinheiro
“Com os efetivos as coisas vão correndo minimamente bem, o problema é com os temporários: temos trabalhadores a fazer uma, duas, três horas por dia, o que é ridículo. No final do mês levam 160 euros para casa.”
Florinda Mendes, 58 anos, cozinheira na EB 23 Manoel de Oliveira em Aldoar, no Porto
“O quadro de pessoal não está completo, as pessoas andam exaustas e não conseguem responder com um serviço de qualidade, por muito boas cozinheiras que sejam. A Uniself, de repente, ficou com as escolas quase todas a nível nacional; penso que a empresa não estava preparada para uma avalanche destas, daí tanta coisa estar a falhar”
Maria das Dores Gomes, do Sindicato de Hotelaria do Sul
“Não faz sentido que o único critério para a decisão dos concursos seja o dinheiro: quem fizer o preço mais baixo ganha, pronto. Qualquer governo que pratique este tipo de alimentação devia ser condenado por abuso de crianças.”
Nuno Queiroz Ribeiro, chef que defende um projeto de alimentação saudável no País
“O facto de o preço ser o único critério de adjudicação, não faz dele o critério principal do contrato. Faz apenas com que ele seja o único critério posto à concorrência.”
Ministério da Educação
“O pecado original para mim está em não se inserir um verdadeiro preço mínimo. É que das contas que eles fazem aqui sobram uns 60 cêntimos para refeição e o que tentam fazer é ganhar alguma margem no fornecimento dos produtos.”
David Sousa, diretor do Agrupamento de Escolas Frei Gonçalo de Azevedo, em Cascais
“Temos pouca variedade de vegetais, não nos entra uma penca, umas nabiças ou uns grelos; e trabalhamos com muito produto congelado, as alfaces, os tomates e os pepinos são as únicas coisas frescas. Raramente trabalhamos com coisas portuguesas.”
Florinda Mendes, 58 anos, cozinheira na EB 23 Manoel de Oliveira em Aldoar, no Porto
“As empresas de restauração coletiva lutam por tostões. Por isso mesmo compram matérias-primas do mais baixo nível de qualidade e jamais recorrem à economia local, é miserável”.
Nuno Queiroz Ribeiro, chef na Eurest
“As verduras que chegam da Uniself têm má qualidade. A alface, por exemplo, já chega estragada, de cinco pés de alface só conseguimos aproveitar dois. Muitas vezes acontece o mesmo com as cenouras e os pepinos, que às vezes vão diretamente para o lixo. Esses produtos, dizem os rapazes das entregas, vêm de Lisboa e chegam-nos à segunda-feira. Devem embarcá-los muito tempo antes, só pode ser isso”
Ana Lucena, 52 anos, preparadora numa escola em Vila das Aves, Santo Tirso.
“Os miúdos também só fotografam aquilo que querem. O peixe, por exemplo, raramente comem. E às vezes dizem que não querem a batata, a salada ou o arroz – o prato está vazio mas não é porque não lhes tenham dado comida, é porque eles não a quiseram. 
Florinda Mendes, cozinheira na EB 23 Manoel de Oliveira em Aldoar, no Porto
“No estudo de 2014 não encontrámos problemas graves que pusessem em causa a saúde. Apenas alguns problemas de higiene, mas não grave, sobretudo nas saladas.”
Dulce Ricardo, coordenadora do departamento de alimentação e saúde da DECO
“Eles não se focam na saúde nem na qualidade, o foco está todo nos testes laboratoriais. A comida pode ser uma merda mas contaminações não há.”
Nuno Queiroz Ribeiro, chef
“Não fiz curso nenhum, aprendi tudo com os meus olhinhos e os meus ouvidos!”
Rita Silva, 55 anos, cozinheira de terceira na EB23 Júlio Dinis, em Gondomar
“As pessoas não sabem cozinhar, não conhecem os timings de confeção, nem as técnicas de corte. Sabem lá como é que vão tirar 10 postas de um peixe inteiro”.
Nuno Queiroz Ribeiro, chef
“Cada agrupamento de escolas devia ter um nutricionista. Mas se fosse assim, e como há 700 agrupamentos, dir-nos-iam que queríamos era emprego. Como somos responsáveis entendemos que a DGeSTE devia contratar cinco nutricionistas em cada delegação regional e um coordenador nacional.”
Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas
“Enquanto puder resistir à tentação de mudar a cozinha própria para concessionada vou resistir porque acho que os miúdos são servidos de outro modo. Tenho ementas até 1,68 euros, outras de 1,50 euros. Mas nunca chegam ao limite.”
Filinto Lima, diretor do Agrupamento de Escolas Dr. Costa Matos e presidente da ANDAEP
“Genericamente a maior parte das escolas de forma indireta ou velada já foi pressionada para entregar a cantina a empresas.”
Manuel Pereira, diretor na Agrupamento de Escolas General Serpa Pinto, em Cinfães, e presidente ANDE

 

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here