Home Rubricas Lançamento do ano letivo: muita burocracia, muitas reuniões e a velha tática...

Lançamento do ano letivo: muita burocracia, muitas reuniões e a velha tática de virar a opinião contra os professores quando desalinhados.

6793
4

Estamos na segunda semana de setembro, a meio das reuniões para o lançamento do ano letivo, a primeira ideia é que a burocracia continua a imperar: plano presencial, plano misto, plano não presencial, plano de recuperação de conteúdos, planificação dos conteúdos e seu relacionamento com os 3 primeiros planos, articulação horizontal e vertical com outras disciplinas, plano anual de atividades, plano de utilização dos espaços físicos e lotação dos coletivos. Ufa! Acho que ficaram as mais importantes.

Quanto a reuniões, reunião geral 1, de departamento 1, de grupo 3, de diretores de turma 1, de conselho de turma, tantas quanto as turmas, ou seja uma média de 3/4, formação nas plataformas digitais 3 horas, um dia para formação em avaliação e formações específicas, reunião de coordenação da disciplina de cidadania. Não sei se fui exaustivo, mas a reunião(nite) mantém-se, ainda que as com mais de 20 pessoas tenham sido à distância, cumprindo-se as normas sofre o covid.

Para quem não tem conhecimento há cada vez mais burocracia nas escolas e o consequente aumento de reuniões para preencher os documentos exigidos que impliquem coordenação. Se o digital foi insuficiente na transmissão de conhecimentos podia aliviar esta carga burocrática, mas tal ainda não acontece.

Está em cima da mesa um pré aviso de greve do STOP, sindicato de professores, visando mostrar a indignação da classe com as regras diferentes da DGS para o regresso às aulas em relação ao exigido noutras situações. Louvo esta atitude deste sindicato, mas não sei se foi por acaso, não acreditando em coincidências, surgiu na comunicação social uma análise da educação por parte da OCDE (https://www.comregras.com/professores-em-portugal-ganham-mais-40-do-que-a-media-dos-licenciados/), que volta a referir que os professores são dos licenciados mais bem pagos, assumindo uma série de pressupostos na progressão na carreira muito longe da realidade. Este tema já é velho e foi oportunamente contestado, também é recorrente o aparecimento deste tipo de notícias quando paira no horizonte uma contestação de professores.

Concluindo, nestes dias estivais continuam os professores a nadar em burocracia e assoberbados de reuniões e mesmo perante uma ameaça de greve de um sindicato pouco representativo, mas acutilante, voltam as velhas insinuações de que somos dos mais bem pagos entre os licenciados.

4 COMMENTS

  1. Assim vão as escolas…
    Em cada ano, um novo cansaço e um profundo sentido de inutilidade. Os documentos são cada vez mais extensos e secos de sumo (suspeito que quem os produz nunca deu aulas e se deu, é uma pena não estar a cumprir esse grande desígnio de colaborar, na prática, na construção do escola do século XXI).
    Este ano, menos pausas, criançada na sala de aula e vamos lá ver quantos aguentam (alunos e professores). Já não sei se hei de recear a Covid-19 se do vírus burocrático e (des)organizacional!

  2. “Ele circula no ar, Bob. Isso é sempre pior do que através do toque. (…) Você apenas respira o ar e é assim que o vírus passa. Isto é muito complicado. Muito delicado. É uma coisa mortal”, são as palavras de Donald Trump.

    https://expresso.pt/internacional/2020-09-09-Covid-19.-Trump-sabia-em-fevereiro-da-gravidade-do-virus-mas-admitiu-preferir-minimiza-lo-para-nao-gerar-panico

    Isto não vos lembra nada?
    Não vos lembra excesso de gel e carencia de salas ventiladas?

  3. Nem mais! Continuamos assoberbados de reuniões em que se discute tudo e mais alguma coisa, algumas presenciais escusadamente. A burocracia e a “reunite” aguda continuam a ser uma “pandemia” nas nossas escolas.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here